Lesões no Tênis

O tênis é um esporte bastante exigente do ponto de vista físico: envolve esforços repetitivos capazes de gerar lesões por sobrecarga e, ao mesmo tempo, exige deslocamentos rápidos e frequentes mudanças de direções, colocando o atleta sob risco para lesões traumáticas agudas. Lesões traumáticas

Aproximadamente um terço das lesões no tênis são decorrentes de trauma, sendo mais comuns nos membros inferiores. Lesões musculares (adutores do quadril, reto femural, isquiotibiais, panturrilha), entorse de tornozelo e ocasionalmente lesão no menisco ou no Ligamento Cruzado Anterior do joelho são algumas das mais comuns. “Tennis Leg” é uma ruptura parcial da cabeça medial do gastrocnêmio (músculo da panturrilha) durante uma arrancada para rebater a bola, enquanto “Tennis Toe” é um hematoma que se forma embaixo da unha causado pela compressão dos dedos dentro do tênis, sendo mais comuns em quadras duras.

Lesões por sobrecarga / esforços repetitivos

Dois terços das lesões no tênis ocorrem devido ao uso excessivo, acometendo predominantemente os membros superiores (ombro, cotovelo e punho); eventualmente acometem também a coluna ou os joelhos.

Existem várias causas para lesões por sobrecarga no tênis, incluindo a necessidade de realizar movimentos e golpes forçados repetitivos, recuperação pós treino insuficiente, condicionamento físico específico do tênis inadequado, inflexibilidade, fraqueza e desequilíbrios musculares. Além disso, o uso de equipamentos inadequados (raquetes, bolas, calçados) e deficiências técnicas podem estar relacionadas ao desenvolvimento de lesões por sobrecarga.

Diferentes tipos de quadra possuem exigências físicas específicas, de forma que as lesões também possuem características próprias. A escolha da quadra deve ser levada em consideração no processo de retorno ao tênis após uma lesão.

Cada lesão pode ter causas únicas que devem ser avaliadas para evitar lesões recorrentes, sugerir programas de preparação física adequados e permitir retorno seguro aos esporte.

Lesões mais frequentes

Coluna

Dor na coluna é bastante comum entre os tenistas, principalmente após os 30 anos; aproximadamente 40% dos tenistas profissionais desistem de ao menos um torneio a cada temporada devido à dor lombar. Impacto repetitivo, frequentes acelerações e desacelerações e excesso de movimentos de tronco levam a uma sobrecarga na coluna, que com o tempo pode causar uma doença degenerativa dos discos intervertebrais.

O saque também merece atenção especial, já que a hiperextensão da coluna que ocorre na fase de armação para o saque pode levar ao desenvolvimento da espondilolise, um tipo de fratura por estresse que ocorre em atletas que fazem muito este movimento.

Ombro

Dor no ombro é uma queixa bastante comum entre tenistas, acometendo 25% dos atletas entre 12 e 19 anos e 50% daqueles com mais de 30 anos, estando associados principalmente aos movimentos repetitivos do esporte. A maioria dos problemas do ombro são similares aos de outros atletas de arremesso: o tenista tende a desenvolver uma maior flexibilidade na rotação do ombro para fora e uma redução rotação do ombro para dentro, levando a um tipo específico de impacto ao que se denomina de “ombro do arremessador”.

Durante a fase de desaceleração do ombro que ocorre no saque ou ao rebater a bola, a cápsula que estabiliza a parte de trás da articulação sofre com micro-lesões repetitivas; estas micro-lesões cicatrizam por meio de fibrose (tecido cicatricial), levando a uma retração (encurtamento) desta cápsula.

Com isso, o tenista perde parte do movimento de giro do ombro para dentro e seu eixo de rotação é alterado, levando a um impacto entre os ossos que se articulam no ombro. Isso ocorre principalmente ao utilizar a mão acima da altura da cabeça, como na armação para o saque ou no smash.

Outro problema na mecânica do ombro que pode ser observado em tenistas é a discinesia escapular, que literalmente significa “movimento errado da escápula”. A escápula é um osso que fica apoiado sobre as costelas e que auxilia no adequado posicionamento do ombro.

A discinesia contribui para uma sobrecarga do ombro e eventual desenvolvimento de dores e lesões, e pode ser adequadamente tratada com um trabalho de reequilíbrio e fortalecimento muscular.

Cotovelo

A principal causa de dor no cotovelo de tenistas é a epicondilite lateral, problema conhecido no meio ortopédico como “cotovelo do tenista” devido à alta incidência entre os atletas da modalidade. Estudos mostraram que até 50% dos tenistas recreacionais desenvolverão sintomas da epicondilite em algum momento. A condição ocorre menos em jogadores profissionais, provavelmente devido a melhores técnicas e equipamentos. Geralmente afeta homens e mulheres entre 30 e 50 anos de idade. Apesar do nome, a condição está ligada à prática do tênis em menos de 5% dos casos.

Caracteriza-se pela inflamação no epicôndilo lateral, proeminência óssea que fica na parte externa do cotovelo e de onde se originam os tendões que realizam a extensão do punho. O tendão extensor radial do carpo é o mais comumente afetado. Esse tendão está envolvido na extensão da articulação do punho e é ativo enquanto segura o punho estendido - como quando se segura uma raquete de tênis.

A principal causa para o desenvolvimento da epicondilite é a força torcional produzida por um golpe na bola fora do centro de força da raquete, de forma que tenistas com uma técnica menos apurada têm maior probabilidade de desenvolverem a epicondilite lateral. Pessoas que iniciam a prática do tênis tardiamente apresentam um risco mais elevado, provavelmente em decorrência de uma limitação técnica. O uso de uma raquete de maior tamanho pode minimizar os efeitos desta deficiência técnica.

O golpe de backhand, principalmente quando realizado com uma única mão, também está implicado com o desenvolvimento da epicondilite, bem como o tamanho incorreto da empunhadura e o uso de raquetes pesadas e rígidas, com tensões altas nas cordas.

A epicondilite medial é menos comum do que a epicondilite lateral, mas pode ser visto em jogadores que tentam bater na bola com excessivo “top spin” (efeito) no forehand ou máxima pronação no saque. Acometem geralmente tenistas mais experientes, inclusive muitos em nível profissional.

Afastamento temporário do tênis pode ser necessário, associado a um trabalho de fortalecimento e reequilíbrio muscular sob a orientação de um fisioterapeuta. Ao retornar ao tênis, é importante que se avaliem os eventuais erros técnicos ou de equipamentos descritos acima, e que se corrijam estes erros para evitar a persistência do problema.

Punho

Estudos antigos demonstravam que apenas 2 a 3% dos tenistas apresentavam dor no punho, mas os estudos mais recentes mostram incidência bem maior, de aproximadamente 10%. Este aumento está relacionado principalmente a mudanças nas raquetes e nos tipos de empunhadura.

Tanto os tendões que estendem o punho como aqueles que flexionam o punho podem estar envolvidos. Os tendões extensores (principalmente o extensor ulnar do carpo) são mais frequentemente acometidos e levam a dor com o golpe de backhand, sendo mais comum entre aqueles que fazem este golpe com as duas mãos. Já os tendões flexores estão associados aos golpes de forehand e ao saque. As mulheres são mais acometidas, provavelmente pela tendência de terem a musculatura mais fraca.

Jogadores menos experientes e com técnica menos apurada tendem a rebater a bola menos centralizada na raquete. Isso causa maior vibração e maior sobrecarga no punho, facilitando o desenvolvimento da tendinite no punho.

A lesão é caracterizada por dor, inchaço, calor e vermelhidão no ponto de inserção do tendão no pulso. Geralmente, a extensão e flexão do punho contra resistência é dolorosa

Durante o tratamento, o afastamento completo do tênis geralmente não é necessário. No caso de tendinite dos extensores do punho, que é o mais comum, basta evitar os golpes de backhand. O uso de uma órtese estabilizadora pode ser indicada.

Joelho

O joelho de tenistas está exposto ao risco tanto de lesões por uso excessivo como de lesões traumáticas. A patela e o tendão patelar são bastante solicitados em movimentos de aceleração, desaceleração e agachamentos, que são bastante frequentes no tênis.

Fraqueza e desequilíbrio muscular aumentam ainda mais a sobrecarga sobre estas estruturas, podendo levar a dor; caso o problema persista de forma prolongada, alterações na cartilagem da patela (condromalácia) ou no tendão patelar (tendinopatia patelar) podem se desenvolver.

As lesões traumáticas estão relacionadas às constantes mudanças de direção no tênis, com risco de torção do joelho. Estas torções podem provocar lesões dos meniscos, dos ligamentos colaterais e, as mais temidas delas, as lesões do Ligamento Cruzado Anterior.

Vale lembrar que a primeira estrutura a estabilizar o joelho não são os ligamentos, mas sim a musculatura; desta forma, manter uma musculatura forte e equilibrada, ainda que não evite totalmente as torções, reduzem bastante o risco. Diversos programas preventivos vêm sendo elaborados a fim de evitar que estas lesões ocorram.

Tornozelo

O principal problema relacionado ao tornozelo em tenistas são os entorses, devido às frequentes mudanças de direção. A maior parte dos entorses do tonrnozelo se resolvem bem com o tratamento não cirúrgico, mas o tempo de recuperação pode variar de poucos dias a até dois ou três meses.

Casos de maior gravidade em atletas de alto rendimento podem ter indicação cirúrgica, já que alguns pacientes evoluem com instabilidade residual e o tenista passa a apresentar entorses de repetição além de piora no desempenho esportivo.

Estes entorses, quando acontecem de forma repetitiva, expõem o tornozelo a lesões secundárias, principalmente às lesões da cartilagem articular. Para evitar estas torções, é importante que se desenvolva um bom trabalho de fortalecimento em paralelo à prática do tênis e que se utilize calçados apropriados.

A instabilidade crônica do tornozelo quanto prejudica o desempenho da prática esportiva tendem a ter indicação cirúrgica.
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