ATRITO DA BANDA ILIOTIBIAL

A síndrome do atrito da banda Iliotibial, também conhecida como síndrome do corredor, é a principal causa de dor na face externa do joelho em atletas que realizam repetidos movimentos de dobrar e esticar o joelho. Entre os esportes frequentemente envolvidos na síndrome do atrito da banda iliotibial devemos considerar a corrida, o ciclismo, o remo e levantamento de peso.

A síndrome tem mais relação com o volume de treino do que com a intensidade, de forma que atletas que treinam e competem em provas de longa distância estão especialmente vulneráveis. No caso dos corredores, o atrito será mais comum em maratonistas: estudos demonstram que aproximadamente um a cada quatro maratonistas eventualmente desenvolverá uma dor característica do atrito da banda iliotibial, em algum momento de sua “carreira esportiva”.

A banda iliotibial é uma fáscia de tecido fibroso que corre ao longo do aspecto lateral ou externo da coxa, desde a pelve até à tíbia (osso da perna), cruzando as articulações do quadril e do joelho.

À medida que o joelho é dobrado ou esticado, a banda se desloca sobre uma proeminência óssea localizada pouco acima do joelho, o epicôndilo lateral. Entre a banda iliotibial e o epicôndilo lateral, há uma Bursa (bolsa de tecido gorduroso) que tem a função de proteger e facilitar o deslizamento entre estas estruturas.

Quando, por algum motivo, o trato iliotibial encontra-se especialmente tenso, a força de compressão entre o trato e o epicôndilo lateral aumenta, levando à inflamação da Bursa. A tensão será ainda maior na presença de determinados erros técnicos ao longo da prática esportiva, como veremos a seguir.

O que o paciente com síndrome do atrito da banda iliotibial sente?

O paciente com atrito da banda iliotibial sente uma dor pontual na face externa do joelho quando realiza movimentos repetitivos de dobrar e esticar o joelho. A dor, habitualmente, aparece ao longo da atividade. No caso da corrida, o atleta refere que começa a correr bem, mas que após 5 ou 6km começa a ter dor.

Depois disso, piora gradativamente até que precise interromper o treino. Caso não seja instituído o tratamento adequado, a dor passa a aparecer cada vez mais cedo, até o ponto de que não mais consiga correr.

A dor piora com a corrida em ladeiras, principalmente nas decidas. Fora da atividade física, o paciente pode apresentar dor ao descer escadas ou ao ficar com as pernas cruzadas. Eventualmente, relatam dor enquanto estão deitados de lado na cama, com as pernas cruzadas. A rigidez matinal do joelho é comum.

Fatores de risco

Além da prática de esportes considerados de risco, existem fatores individuais que levam a uma maior força de compressão sobre o trato e predispõem o atleta a desenvolver o atrito da banda iliotibial:

• diferenças nos comprimentos das pernas (uma discrepância no comprimento das pernas);

• inclinação anormal da pelve;

• Joelhos varos (pernas curvas, com os joelhos para fora);

• Fraqueza da musculatura glútea ou do quadríceps.

Essas situações podem fazer com que a banda iliotibial fique excessivamente esticada, levando a um aumento do atrito e irritação quando a banda cruza o epicôndilo femoral durante a atividade.

Além disso, nos esportes de risco há alguns vícios ou erros de treinamentos que contribuem para uma maior sobrecarga sobre o trato iliotibial. Entre eles, devemos considerar:

• Correr sempre do mesmo lado da rua: as ruas apresentam uma inclinação lateral, com o centro da rua mais alto que próximo à calçada, para permitir o escoamento da água. Quando o corredor corre sempre no mesmo lado da rua, o efeito sobre o corpo será equivalente a ter uma discrepância no tamanho das pernas. Uma perna estará sempre fazendo o apoio em uma posição mais baixa em comparação à outra, e a pelve precisará se inclinar para acomodar a atividade.

• Corrida em ladeiras: Correr ladeira abaixo é especialmente estressante para o trato iliotibial, que estará trabalhando para estabilizar o joelho. Atletas com dor característica do atrito da banda iliotibial devem, sempre que possível, evitar treinos em ladeiras.

• Os ciclistas podem desenvolver inflamação da banda iliotibial, caso tenham uma postura inadequada em sua bicicleta enquanto pedalam. O problema pode ser com o alinhamento dos clipes dos pedais, forçando o pé a ser girado para dentro. Isso pode causar o mesmo efeito que as pernas curvadas (joelho varo), aumentando o ângulo da banda do trato iliotibial ao cruzar o joelho.

• Outras atividades com aumento da flexão do joelho podem causar sintomas e incluem remo e levantamento de peso, especialmente com agachamento excessivo. Nestas situações, ficar com os pés rodados para dentro pode aumentar a força de compressão sobre o trato.

Tratamento

O tratamento do atrito da banda iliotibial envolve, basicamente, quatro intervenções:

1. Soltura das estruturas tensas: pode ser feito por meio do uso de rolos (foamrollers), ou massagem manipulativa.

2. Fortalecimento muscular: deve ser indicado caso a caso, mas com foco principal na musculatura glútea e a de quadríceps.

3. Correção de erros de movimentos e da técnica esportiva como avaliação da marcha, troca de calçados ou mudança no local de treino, evitando-se ladeiras. Essas medidas devem ser consideradas caso a caso.

4. O uso de faixas de compressão acima do local de dor costuma ter efeito no alívio da dor.

Faixa de compressão para o tratamento do atrito da banda iliotibial

O afastamento esportivo deve ser avaliado caso a caso. Muitos atletas referem que conseguem correr ou pedalar bem por certa distância, e que a dor só aparece após, por exemplo, 6 ou 7 quilômetros. Nestes casos, limitar a distância de corrida antes do aparecimento da dor é uma tática bastante razoável. Casos em que a dor seja mais contínua com o início do exercício podem exigir afastamento temporário da atividade.

Tratamento cirúrgico

Nos raros casos em que o tratamento descrito acima não for suficiente para a melhora da dor, a libração cirúrgica da fáscia poderá ser indicada. Neste procedimento, a parte posterior da fáscia é cortada, no nível do epicôndilo lateral. Espera-se, com isso, que ela cicatrize ligeiramente mais frouxa, reduzindo, assim, as forças de compressão no local.
A cirurgia costuma ser efetiva na melhora da dor e provoca desconforto relativamente leve no local. Ainda assim, deve-se ter cuidado para que a cirurgia não seja indicada precocemente, uma vez que se os desequilíbrios e as falhas no gesto esportivo persistirem, a dor logo voltará ao que era antes. O tratamento cirúrgico é, de fato, um tratamento de exceção.

A menos que seja dito o contrário, o apoio de peso na perna (conforme o conforto permitir) é recomendado imediatamente após a cirurgia. Muletas podem ser usadas para conforto, sempre que necessário, e, geralmente, são necessárias na primeira semana. Os pacientes, normalmente, andam com razoável conforto após a segunda semana e voltam a correr entre 6 e 8 semanas.

Pessoas que trabalham sentadas podem voltar após uma semana ou até antes, e trabalhos que exigem maior esforço físico podem exigir até 6 semanas de afastamento.
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