Overtraining

O overtraining se caracteriza pelo treinamento esportivo excessivo de forma sustentada, a um ponto que exceda a capacidade do corpo de se recuperar. O atleta inicia o treino ainda sem ter se recuperado do treino anterior, de forma que o estresse gerado pela atividade física passa a se acumular treino após treino.

Dores nas articulações, cansaço, fadiga, sensação de fraqueza, alteração do humor, dificuldade para dormir e dor de cabeça são alguns dos sinais e sintomas do overtraining. Quando um atleta se demonstra excessivamente cansado após um treino que, até a pouco, conseguia tolerar com facilidade, é preciso que se pense neste diagnóstico. O desempenho esportivo, em última análise, fica comprometido, sem contar com o maior risco para lesões.

A frequência cardíaca de repouso é outro sinal que pode ser utilizado para diagnóstico. Idealmente, atletas de elite e que estejam em um “grupo de risco” para o overtraining deve criar o hábito de aferir a freqüência cardíaca regularmente, preferencialmente ao acordar pela manhã. Quando a freqüência cardíaca de repouso começa a subir de forma inexplicada, deve-se ligar um sinal de alerta.

Para caracterizar o overtraining, os sinais listados acima precisam ser persistentes, ou seja, não irão desaparecer após um ou dois dias de descanso. Geralmente, será preciso pelo menos duas semanas para que um atleta consiga se recuperar do desgaste. Nos casos mais graves, pode levar mais de um mês.

Causas

Todo atleta apresenta certo grau de desgaste com o treinamento físico, e este desgaste será recuperado no repouso. O overtrainig, desta forma, pode ser causado tanto por um excesso de treinamento como por uma reduzida capacidade de recuperação.

Excesso de treino

Quando falamos em excesso de treino, isso deve ser visto por uma perspectiva individual, já que a quantidade de exercício tolerado pelo atleta é variável de acordo com seu condicionamento físico e perfil de treino. Um maratonista de elite pode correr 70 km por semana ou mais sem entrar em overtraining, mas um corredor iniciante pode não tolerar cargas de 20k ou menos por semana.

Recuperação pós-treino insuficiente

Um jogador de futebol profissional, atualmente, dificilmente treina mais do que três horas no dia. Isso quando são feitas duas sessões diárias de treino, o que não acontece todos os dias. Ainda que atletas amadores possam eventualmente “treinar como profissional”, o que eles não conseguem reproduzir é aquilo que os “prós” fazem fora de campo. O processo de recuperação pós-treino é, de fato, o que permite aos profissionais manterem a intensidade durante o treino.

Quando o pós-treino está prejudicado, o atleta pode eventualmente não se recuperar adequadamente e entrar em overtraining, mesmo com uma carga de treino adequada ao seu condicionamento físico. Os fatores mais importantes para a recuperação pós-treino são a alimentação, o sono e a hidratação.

Assim, quando se suspeita que um atleta esteja entrando em overtraining, é preciso que se avalie se a alimentação pré, intra e pós-treino está adequada, se a hidratação está adequada e se o sono está sendo reparador.

Para saber mais sobre a recuperação pós-treino, clique aqui.

Atletas sob risco de overtraining

Ainda que o overtraining possa ocorrer com qualquer atleta e em qualquer esporte, aqueles que estão envolvidos com provas de alta resistência, como os ultra-maratonistas, ciclistas e ironmans, apresentam maior risco, devido à alta carga de treino.

Atletas amadores que buscam o alto rendimento estão especialmente vulneráveis. Isso porque têm que conciliar as altas cargas de treino com uma rotina de trabalho que muitas vezes os impedem de ter alimentação e sono adequados. Como não se recuperam adequadamente entre um treino e outro, passam a apresentar sinais de overtraining.

O overtraining afeta estes atletas não apenas no esporte. Os mesmos sinais descritos em relação à atividade física afetam o atleta também durante o trabalho. Ele passa a ter a sensação de que o sono não é mais reparador e perde o interesse habitual no trabalho. O humor e o relacionamento ficam prejudicados e o rendimento acaba sendo afetado como um todo.

Risco de lesões

Atletas em overtraining apresentam maior risco de lesões por sobrecarga ou esforços repetitivos, como as lombalgias, tendinites, bursites e fraturas por estresse. As lesões musculares estão diretamente relacionadas à fadiga e à incapacidade de a musculatura responder normalmente aos estímulos, de forma que são mais comuns em atletas que estejam em overtraining.

Mesmo lesões de origem traumática, como entorses do joelho ou tornozelo e as temidas lesões do Ligamento Cruzado Anterior são mais comuns em atletas em overtraining. A musculatura é a primeira estrutura que estabiliza o joelho; os ligamentos são exigidos quando a musculatura não for capaz de “segurar” a articulação durante um movimento torcional. Com a musculatura fadigada, os ligamentos ficam sobrecarregados e o risco de lesão é maior.

Tratamento

O primeiro passo no tratamento é a redução na carga de treino dentro de um limite que o atleta tolere bem. Habitualmente são necessárias de duas a quatro semanas de afastamento dos treinos para se recuperar do overtraining. Durante este período, deve-se otimizar fatores como sono e alimentação para otimizar a recuperação. O retorno aos treinamentos deve ser gradativo, buscando-se monitorar sinais sugestivos de overtraining, como a frequência cardíaca de repouso. Caso necessário, deve-se desacelerar o processo de retorno.
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