O atleta profissional

O sonho de se tornar um atleta profissional de sucesso move a vida de muitas crianças e seus familiares. Isso é ainda mais válido para aqueles que se destacam nas categorias de base. Infelizmente, muitos destes acabam, no final, não correspondendo às expectativas, e não conseguem repetir o mesmo sucesso no esporte profissional. A peneira até se atingir a elite esportiva é bastante cruel: muitos sonham, mas, de fato, poucos são os que conseguem chegar até lá.

A medida em que o funil vai se fechando, o atleta precisa cada vez mais aprender a “viver como atleta”. Se, por um lado, o esporte de base seleciona principalmente aqueles mais habilidosos e que têm o dom para o esporte, no nível profissional é preciso muito mais do que isso.

Independentemente da modalidade, o desempenho esportivo depende de quatro pilares:

• Técnica apurada;

• Obediência tática;

Preparo físico;

• Controle mental / emocional.

O que discutiremos neste artigo está relacionado, basicamente, à parte física do atleta. Ainda que a prática de atividade física / esportiva seja indicada para todas as pessoas com o objetivo de preservação da saúde, a regra do “quanto mais, melhor”, no que tange à saúde, certamente não se aplica aqui. Se você atua ou pretende atuar no esporte competitivo de alto rendimento, é preciso que fique claro que a busca por desempenho e a busca por saúde são coisas bastante distintas.

O alto rendimento busca trabalhar no limite das condições físicas. O corpo, mais cedo ou mais tarde, paga seu preço por isso.

Risco de lesões

Ao atuar nos limites daquilo que o corpo suporta, eventualmente este limite acaba sendo ultrapassado. O risco de lesões no esporte profissional ou de alto rendimento é muito maior do que entre aqueles que apenas buscam apenas uma vida ativa e saudável. Em outras palavras, a escolha pela profissionalização esportiva envolve a priorização do desempenho em relação à saúde.

Cada esporte envolve risco para lesões específicas. Estas lesões podem ser decorrentes de traumas, mas podem também estarem associadas aos esforços repetitivos. Conhecer as lesões específicas de cada esporte e o como elas acontecem permitem ao departamento médico desenvolver um programa de prevenção de lesões individualizado.

Para os atletas que não contam com um departamento médico no clube, clínicas especializadas poderão ajudar nesse processo. Conhecer as demandas físicas de cada esporte, por outro lado, é importante para guiar o processo de recuperação e o retorno esportivo após a lesão. O retorno esportivo após uma cirurgia de Ligamento Cruzado Anterior, por exemplo, será diferente em um jogador de futebol ou em um corredor.

Rotina do atleta profissional e recuperação pós treino

Se tempos atrás era comum que os atletas de alto rendimento passassem oito ou mais horas por dia dentro de centros esportivos, o treinamento moderno tem cada vez mais priorizado a intensidade ao invés da quantidade de treino. Jogadores de futebol passam não mais do que duas a três horas por dia treinando, incluindo o treino físico.

Não é incomum que atletas amadores realizem as mesmas duas a três horas de treino e, além disso, ainda passem outras oito horas por dia no escritório. O grande diferencial do atleta profissional, desta forma, está relacionado mais àquilo que ele faz fora de campo do que ao treinamento propriamente dito.

Ainda que os treinos sejam relativamente curtos, o desgaste costuma ser intenso. Juntando-se a isso as frequentes competições, podemos dizer que uma das coisas que mais impactam no desempenho do atleta profissional é aquilo que eles fazem para se recuperar entre os treinos.

Massagem esportiva, botas compressivas e imersão em banheira de gelo são algumas das diversas técnicas utilizadas para potencializar a recuperação. Ainda que muitas destas técnicas tragam conforto para o atleta, a capacidade para acelerar a recuperação a nível celular é bastante controversa.

Existem três coisas que, de fato, promovem uma melhor recuperação pós treino: alimentação, hidratação e descanso. Criar as condições ideais para isso no atleta profissional não é uma tarefa fácil:

• Mudanças de cama, barulho, convivência com companheiros de quarto, estresse da competição, afastamento frequente da família, pressão da mídia, viagens aéreas e jetleg são fatores que podem comprometer o sono;

• Alimentação fora de casa ou do clube, se alimentando cada hora em um lugar diferente, faz com que a boa alimentação seja um desafio. As diferenças dos hábitos alimentares é uma preocupação principalmente nas viagens internacionais e atletas que atuam no exterior.

A falta de uma boa rotina de sono, alimentação e hidratação afeta diretamente o desempenho esportivo. O comportamento fora de campo é, sem dúvidas, o que diferencia o atleta profissional do amador, e é um fator decisivo para o fim de muitas carreiras. O acompanhamento por um médico com atuação no meio esportivo pode fazer toda a diferença.

Exames antidoping

O atleta profissional precisa ainda se preocupar com eventuais testes antidoping. Ainda que muitos associem o doping ao uso de esteroides anabolizantes e outras medicações com a finalidade de ganho de desempenho esportivo, de fato grande parte dos casos ocorrem de forma incidental, por descuido do atleta. O atleta é em última análise responsável por tudo aquilo que for encontrado em seu organismo.

No caso de um teste positivo, não adianta colocar a culpa no médico ou treinador: o atleta será punido.
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