Mulher atleta

A prática de atividades esportivas e, mais especificamente, o esporte competitivo, tem aumentado recentemente. Classicamente, a mulher era protagonista em e atividades físicas que envolvem expressão corporal, como a ginástica artística e rítmica, o nado sincronizado e o ballet, mas a participação feminina em esportes tradicionalmente dominadas por homens, como as lutas ou o futebol, também tem crescido.

O corpo do homem e da mulher respondem de forma diferente ao mesmo estímulo físico, e alguns pontos devem ser levados em consideração no tratamento médico da mulher atleta, principalmente relacionados ao ciclo menstrual. A tríade da mulher atleta é uma preocupação principalmente nos esportes que prezam por um corpo extremamente magro. Recentemente, é discutida a participação de atletas transgênero em competições femininas.

Ciclo menstrual em atletas

O ciclo menstrual tem influência direta no corpo, na disposição e no desempenho da mulher atleta. Nada é mais irritante e estressante do que lidar com um período pesado ou doloroso quando se busca competir em alto nível. Alguns corredores podem até optar por pular seus períodos inteiramente quando estes se sobreporem a competições importantes.

Em um estudo recente, mais da metade das atletas de elite relataram que as flutuações hormonais durante o ciclo menstrual afetaram negativamente o treinamento físico e a o desempenho esportivo. Por outro lado, estudos demonstram que medalhas de ouro olímpicas foram conquistadas por mulheres durante todas as fases do ciclo menstrual.

As mudanças hormonais relacionadas ao ciclo menstrual e às pílulas anticoncepcionais podem afetar várias partes do corpo, incluindo músculos, ossos, resistência, nível de energia e de atenção. Isso pode não apenas influenciar no desempenho, mas também no risco de lesões. À medida que o estrogênio aumenta no corpo, os ligamentos e tendões se tornam mais frouxos, o que pode causar instabilidade no tornozelo ou joelho, por exemplo.

As lesões do Ligamento Cruzado Anterior são entre duas e seis vezes mais frequentes entre as mulheres quando comparado aos homens, e um dos motivos apontados para isso são as variações hormonais das mulheres.

Disfunções menstruais em atletas

As atletas, principalmente quanto competindo com foco no rendimento e em modalidades de resistência física, como corridas ou triathlons, são mais suscetíveis a irregularidades no ciclo menstrual, dor, menstruação excessiva ou até mesmo a amenorreia, que é quando se para de menstruar.

Descartando-se outros problemas médicos não relacionados ao esporte, a principal causa para estas irregularidades é a deficiência energética. Mulheres envolvidas com esportes que prezam por um físico muito magro, como a ginástica artística ou rítmica, o ballet ou o nado sincronizado são especialmente suscetíveis. Atletas no estirão do crescimento da adolescência, que precisam de energia extra para o crescimento, que costumam ter uma preocupação excessiva com a imagem corporal e que ainda estão “aprendendo” a se alimentar conforme suas demandas atléticas, também encontram-se mais vulneráveis.

Em casos extremos, podem desenvolver a síndrome da mulher atleta, com a associação de distúrbios alimentares, amenorreia e osteoporose, aumentando o risco para lesões como as fraturas por estresse.

Anticoncepcionais

Embora se pense que os anticoncepcionais orais estabilizem os hormônios e melhorem o desempenho atlético, este é um assunto bastante controverso, com alguns estudos demonstrando efeitos positivos e outros demonstrando efeitos negativos.

Em 2015, o tópico surgiu nas notícias de corrida quando a campeã norte-americana de maratona Stephanie Bruce anunciou uma gravidez surpresa e disse ao “Runner's World” que ela nunca esteve no controle da natalidade, porque os anticoncepcionais "tem muitos efeitos negativos na corrida".

A comprovação destes efeitos é muito difícil: cada mulher responde de forma bastante particular tanto ao ciclo menstrual como aos anticoncepcionais. Ainda que minoria, existem mulheres que até preferem competir “em seus dias”. Mais do que isso, existe uma grande variabilidade nos tipos e concentrações hormonais nas diferentes marcas de anticoncepcionais.

Ginecologia do esporte

Ainda que não existam “regras claras” que possam ser aplicadas a todas as mulheres, o acompanhamento por médicos ginecologistas com atuação na medicina do esporte é fundamental para aquelas que almejam o desempenho esportivo. É preciso que se entenda como o ciclo menstrual e como o eventual uso de contraceptivos funciona no corpo de cada atleta individualmente.
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