Mulher atleta

A prática esportiva competitiva entre as mulheres tem crescido e exige cuidados especiais tanto para a manutenção da saúde como na busca por um melhor resultado esportivo. Alimentação e disponibilidade energética, ciclo menstrual e anticoncepção, gravidez e aspectos específicos relacionados ao risco de lesões devem todos ser considerados.

No caso de atletas em idade mais avançada, é preciso levar em conta os efeitos da menopausa sobre o desempenho esportivo.


Alimentação e disponibilidade energética

A deficiência energética no esporte é um problema bastante comum, principalmente em esportes que prezam por um físico excessivamente magro, como o ballet e a ginástica e em esportes de ultra resistência, como a maratona, triathlons e voltas ciclísticas.

Esportes com categorias de peso, como remo, levantamento de peso e muitos dos esportes de luta também podem exigir da atleta um trabalho forçado para a perda de peso. Mulheres adolescentes estão ainda mais vulneráveis, uma vez que, além da energia necessária para a atividade esportiva, ainda precisam de energia para o seu crescimento e desenvolvimento. Além disso, as adolescentes costumam ter um menor conhecimento de aspectos nutricionais.

O “preparo para a gestação” que ocorre durante o ciclo menstrual e a necessidade de reposição da perda de sangue com a menstruação demandam energia extra das atletas, e as alterações no ciclo menstrual é um dos primeiros sinais de uma deficiência energética. A tríade da mulher atleta tem como base a deficiência energética e inclui também a amenorréia e a osteoporose, problemas muitas vezes decorrentes da deficiência energética.

A tríade da mulher atleta tem sido substituída pelo termo “Deficiência Energética Relativa no Esporte”, para incluir outras alterações decorrentes da deficiência energética e também para que se reconheça a presença de um problema equivalente nos atletas masculinos, ainda que isso ocorra com frequência muito menor.

Ciclo Menstrual e anticoncepção

O ciclo menstrual da atleta tem influência direta na disposição e no desempenho esportivo. Nada é mais irritante e estressante do que lidar com um período pesado ou doloroso quando se busca competir em alto nível. Por outro lado, estudos demonstram que medalhas de ouro olímpicas foram conquistadas por mulheres durante todas as fases do ciclo menstrual, o que mostra que nem todas as atletas são “abaladas” da mesma forma e que a abordagem precisa ser individualizada.

Os métodos anticoncepcionais, ainda que sejam utilizados com a função principal de evitar a gestação, têm a capacidade de regular o ciclo menstrual de forma a minimizar os efeitos sobre o desempenho esportivo. Eventualmente, o manejo dos anticoncepcionais permite a atleta evitar a menstruação em suas competições principais.

Gravidez

A prática de atividades físicas na gestação tem diversos benefícios para a saúde da gestante e de seu filho. Deve ser recomendada para a maior parte das mulheres, sempre com a avaliação prévia e a liberação por parte do obstetra. Isso porque existem certas condições clínicas, ainda que pouco frequentes, nas quais o exercício não é recomendado.
A prescrição das atividades deve ser feita individualmente com base nas características físicas da mulher, idade, eventuais queixas, objetivos e, também, conforme a percepção individual frente a gestação, já que cada mulher lida com os hormônios da gravidez de uma maneira diferente. Ficar se espelhando na experiência de outras gestantes não é recomendável e pode levar a frustrações desnecessárias.

A prática esportiva pela atleta gestante é possível e ajuda em um retorno precoce após o parto, mas é importante não ser excessivamente dura com sigo mesma e entender que seus limites podem não ser os mesmos dos de outras atletas gestantes.


Incontinência urinária

A incontinência urinária caracteriza-se pelo vazamento involuntário de pequenas quantidades de urina em atividades como rir, espirrar ou tossir. Atletas estão especialmente vulneráveis a isso, devido ao aumento na pressão abdominal que pode ocorrer em muitos dos exercícios. A isso se denomina de incontinência urinária do atleta.
Estima-se que aproximadamente 50% das mulheres atletas desenvolvam incontinência, número três vezes maior do que na população não atleta. Atletas que fazem muito esforço sobre a região do abdome ou pelve, como no levantamento de peso ou na ginástica, apresentam risco ainda maior. Infelizmente, muitas atletas não se sentem confortáveis em conversar sobre isso, o que torna a incontinência um problema subdiagnosticado e subtratado.

Menopausa

A menopausa se caracteriza pelo fim dos ciclos menstruais, sendo diagnosticada quando a mulher fica 12 meses consecutivos sem menstruar. Nos Estados Unidos, a menopausa acontece, em média, aos 51 anos.

As alterações hormonais que ocorrem com a menopausa podem levar ao aparecimento de diversos sinais e sintomas, como secura vaginal, ondas de calor, arrepios, suor noturno, problemas de sono, mudança de humor, ganho de peso, queda de cabelo e pele seca.
Peso, composição corporal e força muscular também são afetados pela menopausa, de forma que o desempenho esportivo acaba sendo afetado. Em alguns casos, a terapia de reposição hormonal poderá ser indicada para minimizar os efeitos da menopausa.

Lesões esportivas

A maior parte das lesões esportivas estão associadas mais ao esporte praticado do que ao gênero do atleta, mas em alguns casos as diferenças entre os gêneros são alarmantes. A lesão do Ligamento Cruzado Anterior e as fraturas por estresse são exemplos de lesões muito mais comuns em atletas femininas, considerando o mesmo esporte e nível competitivo.
Muitas vezes se justifica isso por peculiaridades anatômicas ou pela forma como a mulher utiliza seu corpo no esporte. Ainda que a influência destes fatores seja fundamental, é preciso que se considera fatores externos, como a estrutura tanto física como de recursos humanos oferecida para a prática esportiva entre as mulheres, bem como as condições para a realização de um trabalho preventivo.

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