Lesões na corrida de rua

A corrida de rua envolve baixo risco de lesões traumáticas agudas, mas as lesões por sobrecarga e esforços repetitivos são comuns, principalmente nas articulações que suportam o peso do corpo. Isso inclui a coluna, joelhos, pés e tornozelos.

Principais lesões na corrida

Coluna

Dor na coluna do corredor é um problema comum, principalmente devido aos impactos repetitivos que se mantêm por tempo prolongado. Sobrepeso ou obesidade, fraquezas e desequilíbrios musculares, má técnica de corrida e aumento repentino na carga de treino são fatores que aumentam a sobrecarga na coluna e podem contribuir para a ocorrência de dor lombar.

A dor nas costas pode estar associada ao acometimento de diferentes estruturas. Dependendo de quais as estruturas acometidas, as características clínicas e o tratamento irão variar:

  • A dor de origem muscular é a causa mais comum de lombalgia. Acontece, geralmente, associada a um aumento na carga de treino, quando a musculatura ao redor da coluna ou quadril está fraca. Pode estar associada a pontos de tensão muscular e pontos gatilho de dor. Tende a melhorar em até uma ou duas semanas.
  • A dor discogênica decorre de alterações nos discos intervertebrais e piora quando o atleta se inclina para a frente, como ao amarrar o tênis. Em alguns casos, pode levar à compressão do nervo ciático, quando a dor passa a se irradiar para as pernas.
  • A dor sacroilíaca se localiza na parte mais baixa das costas, junto às nádegas.
  • A dor fascetária provém das facetas que realizam a articulação entre duas vértebras consecutivas. Comum entre corredores mais velhos, a dor fascetária piora ao realizar movimentos que extendem a coluna.

A maior parte das dores lombares têm origem muscular e melhoram dentro de poucos dias. Dores que persistem por mais do que uma ou duas semanas devem ser avaliadas pelo médico para que se encontre a causa e se determine o tratamento mais adequado.

Pacientes com dor discogênica de origem recente, principalmente quando irradiando para baixo do joelho (o que sugere o acometimento do nervo ciático) devem permanecer afastado das atividades esportivas de impacto, como a corrida.

No caso de dor ciática progressiva, com o disco comprimindo o nervo, a cirurgia de microdiscectomia pode ser considerada. Neste procedimento, o fragmento do disco que está comprimindo o nervo é removido. A cirurgia tende a ser muito bem-sucedida no alívio da dor nas pernas e para o retorno às atividades atléticas.

Joelho

Condromalácia da patela, tendinite patelar, atrito da banda iliotibial, artrose ou fraturas por estresse são as principais causas de dor no joelho do corredor. São quadros clínicos que muitas vezes se confundem, de forma que não é recomendável que se assuma um diagnóstico sem a avaliação de um médico especialista.

Falhas na técnica de corrida podem estar associadas ao desenvolvimento destes problemas. Quando o corredor não amortece a pisada adequadamente, a patela fica sobrecarregada. Isso pode ser reconhecido por uma corrida “muito barulhenta”, principalmente quando correndo na esteira. O overstriding se caracteriza por um apoio inicial muito adiantado, geralmente quando se tenta alongar artificialmente a passada, também levando a uma sobrecarga na patela.

A condromalácia da patela é certamente a principal causa de dor no joelho do corredor, sendo também reconhecida pela denominação de “joelho do corredor”. Ela decorre do aumento da pressão de contato entre a patela e a tróclea, um sulco localizado na parte da frente do fêmur, onde ela está apoiada.

Isso pode ser causado, entre outras coisas, por:

  • fraquezas e desequilíbrios na musculatura ao redor do quadril, responsável por manter o alinhamento da perna durante os movimentos;
  • Fraqueza do quadríceps, a musculatura anterior da coxa que se prende na patela;
  • Encurtamento muscular e contraturas miofasciais no quadríceps.
Felizmente, a condromalácia da patela tende a ter uma ótima resposta a um trabalho de correção na técnica de corrida, fortalecimento muscular e correção do movimento.

A tendinite patelar se caracteriza pela dor proveniente do tendão patelar. É comum em corredores, principalmente a partir dos 40 anos. Ainda que todo o tendão possa ser acometido, o mais comum é que ocorra no ponto onde ele se prende na patela.

O atrito da banda iliotibial provoca uma dor na face externa do joelho, sendo comum em corredores e ciclistas. Está associada a um encurtamento do trato iliotibial (uma fascia localizada ao longo de toda a face externa da coxa) e a um mau alinhamento dos membros inferiores durante a corrida.

A fraqueza da musculatura glútea (principalmente o glúteo médio) leva a uma “queda” da pelve na fase de contato do pé ao solo, com aumento da tensão sobre o trato iliotibial. Habitualmente o corredor inicia a corrida bem, e a dor aparece após uma determinada distância de treino.

Entre os corredores mais velhos, a artrose do joelho passa a ser uma causa frequente de dor. A dor ocorre principalmente no início e após a corrida, e pode estar associada a um rangido no joelho. Ainda que leve muitos atletas a abandonarem a corrida, alguns corredores com artrose relativamente avançada são capazes de manter suas rotinas esportivas com relativo conforto. Assim, um bom trabalho paralelo de preparação física é fundamental para o corredor com artrose.

A fratura por estresse deve ser considerada sempre que houver o relato de um aumento significativo na carga de treino de corrida. Pode acontecer no caso de pessoas que iniciam a prática de corrida sem um preparo prévio para isso, ou um atleta de alto rendimento que aumenta seus treinos nas vésperas de competições.

Como regra geral, os principais problemas observados no joelho do corredor estão associados a um aumento no volume total de treino, não ao aumento da intensidade.

Pé e tornozelo

Corredores são frequentemente acometidos pela fascite plantar e pela tendinite de Aquiles. Ambos os problemas são mais comuns em corredores de meia idade e estão associados a fraqueza e encurtamento da musculatura da panturrilha.

O aumento na intensidade dos treinos, principalmente com a inclusão de treinos intervalados e fortleks, é um fator de risco. Na fasceite plantar, a dor será sentida na sola do pé, enquanto a tendinite de Aquiles a dor se localiza na parte de trás do tornozelo.

O pé e o tornozelo são também locais frequentes de ocorrência de fraturas por estresse. Da mesma forma que discutido para as fraturas por estresse no joelho, este diagnóstico deve ser considerado sempre que houver o relato de dor que se inicia após um aumento significativo na carga de treino de corrida.

Prevenção de lesões na corrida

Estudos reportam que até 80% dos corredores se machucam a cada ano, com perda de ao menos um dia de treino devido a lesões. Por outro lado, a corrida é um esporte bastante previsível em termos de exigência física, de forma que, uma vez que o atleta esteja fisicamente bem equilibrado, a técnica de corrida seja boa e que a carga de treino seja ajustada, o risco de lesões é relativamente baixo, comparado com esportes como o futebol.

Em uma rápida pesquisa na internet, facilmente encontramos tutoriais com títulos atrativos, como “5 exercícios para reduzir as lesões na corrida”. A prevenção de lesões, porém, deve envolver ações que vão muito além de um conjunto de exercícios. Para uma corrida saudável e com baixo risco de lesões, devemos considerar, principalmente:

  • Carga de treino
  • Fortalecimento muscular
  • Recuperação pós treino
  • Técnica de corrida
  • Calçado esportivo
  • Superfície de treino
  • Controle de peso e composição corporal
  • Todos estes fatores são discutidos em um artigo a parte, sobre prevenção de lesões na corrida, o qual eu recomendo a leitura.
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