Joelho valgo na criança

O joelho valgo (pernas em tesoura) é um dos principais motivos que levam os pais a procurarem atendimento ortopédico para seus filhos. Nesta forma de desalinhamento, os joelhos se aproximam um do outro, enquanto os pés se afastam.

O joelho valgo deve ser diferenciado do joelho varo (pernas arqueadas), em que os pés se encostam um no outro e os joelhos se afastam.

Felizmente, a maior parte dos joelhos valgos infantis encontra-se dentro dos parâmetros de normalidade e tende a se corrigir com o crescimento. O alinhamento das pernas vai se alterando ao longo do crescimento:

  • Entre os 6 e os 12 meses, a criança atinge o máximo do alinhamento em varo;
  • O alinhamento torna-se neutro por volta dos 18 aos 24 meses de idade (quando o bebê começa a ficar de pé e andar);
  • Em seguida, o joelho torna-se valgo, com máximo de valgo por volta dos 3-4 anos de idade;
  • Por fim, o joelho assume um alinhamento próximo ao que terá na idade adulta por volta dos 7 anos de idade.

O alinhamento em valgo menor de 10°, ou com distância intermaleolar menor do que 8cm, é, ainda, considerado dentro da normalidade e pode persistir mesmo na idade adulta sem que a pessoa tenha qualquer tipo de queixa além da estética. Crianças obesas apresentam risco cinco vezes maior de apresentarem alinhamento em valgo excessivo.

No caso de angulações maiores do que essa, o valgo do joelho pode ter suas consequências:

A imagem (A) demonstra um joelho valgo fisiológico, simétrico de uma perna em relação à outra. A imagem (B) demonstra um joelho valgo patológico, em que o alinhamento de uma perna é diferente da outra.

  • A parte externa do joelho, exposta a forças mais elevadas, se desgasta mais rapidamente e torna-se dolorido;
  • Os ligamentos podem ficar alongados na parte interna do joelho (ligamento colateral medial) e encurtados na parte externa (ligamento colateral lateral);
  • A função muscular fica alterada, o que tem consequências sobre o movimento e a estabilidade do joelho;
  • Pode alterar a distribuição de forças em outras articulações do membro inferior e na parte inferior das costas, que podem se tornar sintomáticas.

Correção cirúrgica do joelho valgo na criança

A cirurgia é a única forma de se intervir no alinhamento das pernas, ainda que isso seja indicado na ínfima minoria dos casos. A principal técnica cirúrgica é a hemiepifisiodese, procedimento que consiste em bloquear o crescimento ósseo no lado interno do joelho, esperando que a deformidade seja gradativamente corrigida com o crescimento do lado oposto.

Dependendo da técnica utilizada, o crescimento pode ou não ser retomado com a retirada do implante. O procedimento é, geralmente, indicado após os oito anos de idade, que é quando, normalmente, o osso assume o alinhamento que terá na idade adulta.

Mau alinhamento do joelho

Para que se obtenha o efeito desejado da hemiepifisiodese, é necessário que a criança ainda tenha potencial para crescimento. Quando a expectativa de crescimento ósseo for de menos de dois anos, a probabilidade de correção do joelho valgo com esta técnica torna-se mais limitada.

Dependendo das características anatômicas individuais, o bloqueio da placa de crescimento pode ser feito no fêmur (osso da coxa), na tíbia (osso da perna), ou até mesmo em ambos os ossos. A correção deve ser feita sempre no osso que está provocando o desalinhamento.

Para determinar isso, é importante que seja realizada uma radiografia panorâmica dos membros inferiores, onde o alinhamento, em cada região dos ossos, poderá ser analisado. Diferentes técnicas podem ser utilizadas de acordo com a necessidade de cada caso.

Estas técnicas podem ser divididas em dois grupos:

  • Métodos irreversíveis: promovem a destruição local da placa de crescimento. A interrupção do crescimento local passa a ser irreversível, ou seja, o osso para de crescer definitivamente.
  • Métodos reversíveis: o crescimento é bloqueado por meio de implantes específicos (placas, parafusos). Caso o implante seja retirado, o crescimento no local volta a acontecer. O paciente é acompanhado regularmente (geralmente a cada três ou quatro meses) e, ao se obter o alinhamento desejado, os implantes são retirados.

A hemiepifisiodese é uma cirurgia relativamente pouco agressiva, feita com pequenas incisões na pele (três a cinco centímetros) e permite que a criança reassuma suas atividades escolares após uma a duas semanas.

Após a parada do crescimento, as opções para correção cirúrgica da perna torta são mais agressivas, como as osteotomias do joelho, procedimentos que consistem em “quebrar” parte do osso e fazer a correção, seguido de fixação do osso, seja com o uso de placa e parafusos, seja com fixador externo.
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