Lesões no Futebol

O futebol é um dos poucos esportes que “aceitam” praticantes com as mais variadas características físicas: mesmo no esporte de elite, existem jogadores altos e baixos, jogadores mais fortes e outros mais rápidos. A demanda física no futebol é diferente de acordo com a posição em campo, o modelo tático adotado pelo treinador e as características de jogo individuais, mas é fato que o alto rendimento não tem mais espaço para aqueles que ficam “assistindo o jogo” esperando a bola chegar até eles.

Mesmo os goleiros, que nos jogos aparentam não serem tão exigidos do ponto de vista físico, realizam treinos bastante extenuantes – muitas vezes até mais extenuantes do que o restante da equipe.


Se décadas atrás os clubes treinavam por horas seguidas, às vezes em dois períodos por dia, hoje os treinos duram não mais do que uma a duas horas, de forma a priorizar a intensidade. Os jogos são igualmente cada vez mais intensos. Os atletas realizam suas atividades até o limite de suas capacidades físicas, para depois terem um tempo limitado de recuperação até o treino ou jogo seguinte.

As viagens frequentes é mais um fator a atrapalhar a recuperação no futebol profissional. O manejo da dor muscular pós atividade física exige bastante experiência e equilíbrio por parte dos médicos do futebol, para saber até onde dá para levar e qual o momento em que é necessário parar.

O esgotamento físico e mental não apenas afeta o desempenho esportivo, mas também aumenta o risco de lesões. As lesões no futebol predominam no final de cada tempo e, principalmente, no final do segundo tempo, em decorrência da fadiga.

Lesões musculares e cãimbras estão diretamente relacionadas ao esgotamento tecidual. Lesões traumáticas como a do Ligamento Cruzado Anterior e o entorse do tornozelo também sobrem influência da fadiga, uma vez que o atleta perde o controle normal dos movimentos.

A maior intensidade do futebol moderno faz com que os contatos físicos entre os jogadores sejam mais frequentes e mais intensos, aumentando o risco de lesões. A concussão, que é uma lesão cerebral decorrente do trauma na cabeça, tem sido cada vez mais reconhecido entre jogadores de futebol.


Lesões mais frequentes no futebol

Lesões musculares: Representam aproximadamente 45% das lesões no futebol e são a causa da perda de, ao menos, um treino ou jogo ao ano para cerca de 40% dos jogadores.

Entorses do tornozelo: Representam a segunda causa entre as lesões traumáticas no futebol. Na maioria dos casos, os entorses do tornozelo são leves, permitindo o retorno em até 1 ou 2 semanas. Casos mais graves podem levar a 2 ou 3 meses de afastamento.

Entorses do joelho: Responsáveis por lesões ligamentares como a Lesão do Ligamento Cruzado Anterior, que é a principal causa de cirurgia entre jogadores de futebol, ou do Ligamento Colateral Medial, que ainda que possam ser tratadas adequadamente sem cirurgia na maior parte dos pacientes, são bastante comuns e responsáveis por significativo número de afastamento de jogadores de suas atividades.

Pubalgia: uma das causas mais frequentes de dores por lesões não traumáticas em jogadores de futebol. Caracteriza-se por dor na região do púbis (parte da frente da bacia), podendo irradiar para a musculatura adutora (musculatura interna da coxa) ou sobre o reto abdominal (musculatura da parte da frente do abdome).

Concussão: trauma cerebral decorrente de traumas na cabeça. Cada vez mais reconhecidos no futebol, são lesões que podem deixar sequelas a longo prazo quando não forem adequadamente identificadas e tratadas.

Fatores de risco para lesões

As lesões têm influência direta no desempenho esportivo e financeiro dos clubes. Um único jogo perdido por um jogador de primeira linha pode representar um prejuízo na casa de milhões. Isso justifica os altos investimentos de clubes e federações em seus departamentos médicos. A identificação dos fatores de risco é fundamental no planejamento de uma estratégia de prevenção. Estão envolvidos no risco para lesões no futebol:

Condicionamento físico: é o principal fator de risco modificável pelo treinamento. As lesões são mais frequentes no final de cada tempo (principalmente do segundo tempo), justamente quando o atleta perde o controle normal dos movimentos em função da fadiga. Programas de preparação física com foco no futebol demonstram significativa redução no número de lesões, tanto no esporte profissional como no recreacional.

Chuteiras: As travas da chuteira foram desenvolvidas para aumentarem a aderência do calçado ao solo. Quando excessiva, porém, pode fazer com que o pé se prenda ao solo e o atleta gire o corpo sobre o tornozelo ou joelho, aumentando o risco de lesões ligamentares.

Superfície de jogo: A principal diferença entre os gramados naturais ou sintéticos está relacionado à aderência da chuteira ao solo. Quanto maior a aderência, menor o risco de entorses do tornozelo ou joelho e menor o risco para as graves lesões do Ligamento Cruzado Anterior. Recentemente, gramados sintéticos têm sido projetados para oferecer menor aderência ao calçado, reduzindo assim o risco de lesões. Além disso, uma menor absorção do impacto pode levar ao aumento nas lesões por sobrecarga. A grama sintética tem maior risco para lesões pr abrasão e ferimentos de pele em geral.

Condições climáticas: As lesões são mais frequentes no final de cada tempo, quando os jogadores já estão mais fadigados.  Altas temperaturas, maior umidade do ar e maior altitude fazem com que o corpo se fadigue mais rapidamente, aumentando tanto o risco de lesões como de problemas médicos não ortopédicos (respiratórios, cardiológicos).

Períodos prolongados de seca fazem com que o campo fique mais duro, aumentando também o risco de lesões. A FIFA passou a adotar uma parada para reidratação durante partidas realizadas sob calor intenso, acima de 31 graus.


Prevenção de lesões

Idealmente, a prevenção de lesões no futebol deve ser individualizada com base nas necessidades individuais de cada atleta observados a partir de uma avaliação sistematizada e voltada para as lesões mais comuns no futebol. Esta é uma realidade já bem estabelecida nos grandes clubes e também está disponível para atletas recreativos em clínicas especializadas, mas não é uma realidade para a maior parte dos clubes de segundo escalão que não conseguem manter um departamento médico na beira do campo.

Frente a isso, a FIFA desenvolveu o programa FIFA 11+, que é uma série de exercícios que buscam corrigir as deficiências físicas mais comuns entre jogadores de futebol. O programa foi desenhado para substituir os exercícios comumente realizados durante o aquecimento, de forma que não agregam tempo extra da rotina dos atletas. Estudos demonstram redução significativa no número de lesões com o programa.


Futebol feminino

Ainda que tudo o que foi discutido até aqui seja válido tanto para o futebol masculino como para o feminino, ao se avaliar uma jogadora devemos levar em consideração alguns aspectos próprios da mulher, como a influência do ciclo menstrual e do eventual uso de anticoncepcionais sobre o desempenho das atletas. O risco de lesões é diferente, tanto em decorrência das características intrínsecas do corpo feminino como das diferenças nas características do jogo e da estrutura oferecida para as mulheres em comparação aos homens. Saiba mais sobre as lesões no futebol feminino.
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