Lesões no Futebol

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Lesões no Futebol

O futebol é praticado por aproximadamente 4% da população mundial sendo o esporte mais praticado no mundo. O Brasil, conhecido como “o país do futebol”, contribui em muito para esta casuística. Em função do interesse que desperta na população e do dinheiro que movimenta é sem dúvida a modalidade esportiva em que as lesões são melhor estudadas e compreendidas.

Um único jogo de ausência de um jogador de destaque pode significar um prejuízo na casa dos milhões, daí a importância das medidas preventivas. Jogadores recreativos também se lesionam frequentemente com efeito igualmente ruim em suas rotinas diárias.

Atualmente, o futebol profissional exige um preparo físico maior do que no passado. Os jogadores deslocam-se de dez a 12 quilômetros por partida, ao passo que corriam apenas 8,5 km há 20 anos.

Ainda que seja um esporte predominantemente aeróbio, a cada 6 segundos em média o jogador realiza um movimento brusco. É um esporte de bastante contato físico, com mudanças de direção freqüentes, chutes, saltos e cabeçadas, o que coloca os atletas sob risco constante de lesões. Mesmo no futebol amador ou recreativo, o preparo físico é fundamental para aqueles que pretendem melhorar o rendimento.

O treinamento para o futebol também mudou muito. Uma vez que os jogos são feitos em intensidade cada vez maior, os treinos precisam ser igualmente intensos. Atualmente os treinos tendem a ter duração limitada a não mais do que 60 a 90 minutos em 1 ou 2 sessões diárias.

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Dr João Hollanda durante suas atividades como médico da Seleção Brasileira de futebol feminino.

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Dr João Hollanda durante suas atividades como médico da Seleção Brasileira de futebol feminino.


Lesões mais freqüentes

Jogadores de futebol estão sob risco tanto para lesões traumáticas como lesões por esforço repetitivo.

As lesões musculares representam aproximadamente 45% das lesões no futebol e aproximadamente 40% dos jogadores perdem ao menos 01 treino ou jogo no ano devido às mesmas. Acometem os 4 principais grupos musculares dos membros inferiores: quadríceps, posteriores da coxa, adutores e panturrilha. Ocorrem principalmente na parte final do primeiro ou segundo tempo em decorrência da fadiga dos jogadores e levam a um  tempo de afastamento médio é de 18 dias.

Entorses do tornozelo São a segunda causa entre as lesões traumáticas no futebol, ainda que na maioria dos casos sejam relativamente leves permitindo o  retorno em até 1 ou 2 semanas. Casos mais graves, porém, podem levar a 2 ou 3 meses de afastamento. Grande parte dos jogadores utilizam-se bandagens para a prevenção de entorses do tornozelo, ainda que o efeito protetor seja controverso.

Os entorses do joelho também preocupam. A lesão mais freqüente decorrente destes entorses é a lesão do Ligamento Colateral Medial, mas as lesões do Ligamento Cruzado Anterior são a principal indicação para cirurgia em jogadores de futebol.

A pubalgia é uma das causas mais freqüentes de dores por lesões não traumáticas em jogadores de futebol. Caracteriza-se por dor na região do púbis (parte da frente da bacia), podendo-se irradiar para  a musculatura adutora (musculatura interna da coxa) ou sobre o reto abdominal (musculatura da parte da frente do abdome).

A musculatura adutora se prende na parte de baixo do púbis, enquanto que o reto abdominal se prende na parte de cima. São musculaturas com funções opostas e, quando ocorre um desbalanço entre elas, o paciente passa a desenvolver dor. Este desbalanço é frequente em jogadores de futebol, que costumam ter uma musculatura adutora forte e uma musculatura abdominal fraca. É um problema pouco frequente em pessoas que não jogam futebol.

Fatores de risco para lesões

São fatores envolvidos com o risco de lesões o tipo de campo (grama natural ou sintética), o tamanho do campo, fatores climáticos como temperatura e umidade do ar, o tipo de cravos das chuteiras, o condicionamento físico dos jogadores, a idade, o gênero (masculino ou feminino) entre outros.

Grama natural X sintética

Estudos dos anos 80 e 90 demonstravam maior risco de lesões em jogos realizados em grama sintética. Foi observado que a grama sintética permitia maior aderência entre a chuteira e a grama, de forma que durante movimentos torcionais o pé ficava fixo ao solo e o estresse se distribuía todo nas articulações, principalmente tornozelos e joelhos, causando entorses com lesões ligamentares.

A partir destes estudos, produtores de grama sintética fizeram modificações visando reduzir a aderência entre o piso e a chuteira, e estudos mais atuais já não mostram mais esta desvantagem.

Tamanho do campo

Quanto maior o campo maior a velocidade com que os jogadores correm e os contatos físicos tendem a ser mais violentos. Além disso, exigem mais do jogador do ponto de vista físico e atletas com pior condicionamento tendem a sofrer mais.

Jogos em campos reduzidos, por outro lado, tendem a ser mais pegados, com contato mais freqüente entre os jogadores e maior número de movimentos bruscos. Isso faz com que tanto jogos em campos grandes como em campos reduzidos possuem risco considerável, porém com características diferentes de lesões.

Condições climáticas

As lesões são mais freqüentes no final de cada tempo, quando os jogadores já estão mais fadigados.  Altas temperaturas, maior umidade do ar e maior altitude fazem com que o corpo se fadigue mais rapidamente, aumentando tanto o risco para lesões como de problemas médicos não ortopédicos (respiratórios, cardiológicos).

Períodos prolongados de seca fazem com que o campo fique mais duro, aumentando também o risco de lesões.

A FIFA passou a adotar durante partidas realizadas sob calor intenso, acima de 31 graus, uma parada para rehidratação.

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Chuteiras

As chuteiras possuem travas com a função de darem aderência entre o campo e o pé do jogador, o que depende do material, tamanho e distribuição das travas. A chuteira ideal para cada atleta depende de suas características de jogo, porte físico, condições do gramado e eventual chuva, além de ser uma preferência individual.

Chuteiras com as travas redondas passaram a ser substituídas por exemplares com as travas quadradas (conhecidas também como longitudinais ou dente de tubarão) com a intenção de prover maior aderência. Teoricamente a maior aderência destas chuteiras poderia aumentar o risco de algumas lesões, principalmente os entorses do joelho. A comprovação disso cientificamente não é fácil, de forma que existe bastante controversa a respeito.

Gênero

Diferenças anatômicas, hormonais e de controle neuromuscular fazem com que mulheres tenham um risco de lesões ligamentares do joelho e de lesões musculares maior do que em homens. Estudos demonstram risco até oito vezes maior de uma mulher sofrer uma lesão do Ligamento Cruzado Anterior do joelho em um jogo de futebol quando comparado com homens da mesma idade e nível esportivo.

Prevenção de lesões

Entre os fatores de risco para lesões no futebol, diversos deles podem ser controlados por meio de regras específicas ou treinamento. Buscando reduzir a incidência de lesões em jogadores de futebol, o Departamento Médico da FIFA desenvolveu um programa de exercícios visando a prevenção das lesões mais frequentemente observadas no esporte, denominado de FIFA 11+.

Este programa caracteriza-se por uma série de exercícios que substituiriam aqueles que a maior parte dos atletas fazem durante o aquecimento pré-jogo ou pré-treino. Estudos demonstram uma redução significativa de lesões com estes exercícios, ainda que estes resultados devam ser vistos com cautela devido ao grande conflito de interesse envolvido. Maiores informações a respeito do FIFA 11+ podem ser obtidas no site oficial da FIFA.

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