Prevenção de lesões musculares

A lesão muscular é o principal motivo para perda de treino em esportes que envolvem movimentos explosivos, como o futebol e o atletismo. Entre as lesões esportivas, a lesão muscular é, sem dúvidas, a que mais está relacionada a eventuais desequilíbrios de força, fadiga e cargas excessivas de treinamento.

Entre os fatores de risco para lesões musculares, devemos considerar:

  • Desequilíbrios e fraquezas musculares: Quando existe um desequilíbrio significativo de força entre grupos musculares que realizam movimentos opostos, a musculatura mais fraca fica predisposta a lesões.

    Numa analogia, seria como um cabo de guerra, no qual as pessoas de um lado são muito mais fortes do que as pessoas do outro lado.
  • Encurtamentos musculares: Toda musculatura que é esticada para além de seus limites acaba se rompendo. Quando existe um encurtamento muscular, o músculo trabalha muito próximo desses limites, aumentando o risco de lesões.
  • Carga de treino: A maior parte das lesões ocorre nos minutos finais das atividades físicas, devido à fadiga. Quando não forem mais capazes de resistirem à ação de seus antagonistas, o músculo pode ser alongado além de sua capacidade e se romper.

    Da mesma forma, o retorno esportivo após um período de afastamento, seja por férias ou lesão, é um momento em que o atleta está especialmente vulnerável à ocorrência de lesões.
  • Idade: Atletas adultos apresentam maior risco de lesão muscular, principalmente entre os 20 e os 50 anos. Isso porque a musculatura nesta idade é o ponto mais frágil do conjunto músculo - tendão - osso.

    Em atletas adolescentes com esqueleto imaturo, o osso é o ponto mais frágil, favorecendo as fraturas por avulsão ao invés das lesões musculares; já nos atletas mais velhos, o tendão se torna o ponto mais frágil deste conjunto de estruturas, de forma que ele tende a se romper antes da musculatura.
  • Lesões prévias: As lesões musculares cicatrizam pela formação de fibrose, um tecido diferente da musculatura original e que não possui a mesma elasticidade nem contratilidade. Isso torna a musculatura mais predisposta a novas lesões. Até 16% das lesões musculares no futebol são recidivas de lesões prévias.
  • Características do treino: As lesões musculares estão diretamente relacionadas ao tipo de treino que o atleta realiza. Em corredores, treinos em descida apresentam risco elevado de lesão, devido à forte contração na musculatura do quadríceps para tentar frear o joelho.

    No futebol, treinos em campo longo exigem mais movimentos de aceleração e desaceleração com velocidade máxima, aumentando o risco de lesões.

Medidas preventivas

Entre os fatores de risco listados acima, idade e lesões prévias estão entre os mais importantes. Ainda que sejam fatores não modificáveis, a identificação de atletas em maior risco é importante para que se assuma um perfil mais conservador quanto à carga de treino, evitando-se colocar estes atletas para atuarem “no sacrifício”.

Por outro lado, fraquezas e desequilíbrios musculares e carga de treino são fatores modificáveis e passíveis de intervenção por meio de um programa de prevenção de lesões.

Fraquezas e desequilíbrios musculares são problemas comuns mesmo entre atletas de elite. Uma musculatura de quadríceps muito mais forte do que os isquiotibiais (musculatura posterior da coxa), por exemplo, fará com que os isquiotibiais não mais consigam se opor ao movimento do quadríceps, favorecendo a ocorrência de lesão.

Estes desequilíbrios devem ser pesquisados com certa regularidade nos atletas por meio de testes como a dinamometria manual ou isocinética e poderão ser corrigidos por meio no ajuste dos exercícios de força.

O ajuste na carga de treino é, provavelmente, o fator mais relevante na prevenção de lesões musculares. Quando a musculatura está fadigada, ela não mais consegue se opor à contração de seus antagonistas e se rompe.

No início da temporada, é comum que treinadores fiquem afoitos por colocarem seus atletas em condições de jogo após um período de afastamento esportivo.

Estudos mostram que um aumento de carga maior do que 15% por semana aumenta o risco para lesões musculares. Isso é válido também no retorno após uma lesão.

Sinais de fadiga podem ser avaliados subjetivamente, por meio de escalas de fadiga, ou objetivamente, através da avaliação da frequência cardíaca ou de testes bioquímicos. Treinadores devem estar sempre avaliando estes sinais de “overtraining” em seus atletas e fazerem ajustes na planilha de treino quando necessário.
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