Atividade física para pessoas com dor crônica

Hérnia de disco, condromalácia, artrose, tendinite ou bursite são todos problemas que têm como queixa principal a dor de longa duração. Diversos problemas não ortopédicos, como o diabetes ou as enxaquecas, também são causas de dor crônica.

A dor crônica afeta o corpo e a mente dos indivíduos de diversas maneiras, independentemente da causa original da dor. Assim, um paciente com artrose do joelho apresenta problemas que estão relacionados à artrose propriamente dita, e também problemas relacionados à dor crônica.

A fraqueza muscular e outras deficiências relacionadas ao movimento são problemas comuns a maior parte dos pacientes com dor crônica. Não é à toa que o tratamento mais prescrito para estas doenças seja, justamente, a prática de atividades físicas.

A atividade física é indicada para qualquer pessoa e em qualquer idade, mas é muito mais importante no paciente com dor crônica. Se, por um lado, a dor leva a uma deficiência muscular, a deficiência muscular faz com que a dor piore ainda mais. Assim, fecha-se um ciclo que, se não for quebrado, tornará qualquer outra forma de tratamento infrutífero.

Dor e fraqueza muscular

Dor e fraqueza muscular são problemas que costumam andar juntos. A fraqueza acontece por dois motivos:

• Atrofia muscular:pacientes com dor tendem a reduzir as atividades físicas, seja como atividade recreativa, seja como parte de sua rotina diária. Ao invés de ir caminhando para a padaria, vai de carro. Ao invés de subir a escada, usa o elevador. O desuso leva a uma atrofia e perda de força muscular;

• Inibição muscular: a dor provoca um processo de inibição muscular. É como se o cérebro “desligasse” a musculatura, fazendo com que ela fique dormente. A musculatura continua lá, mas simplesmente não funciona.

Os músculos funcionam como o motor de um carro: quando ficam fracos, o funcionamento do carro (ou das articulações) será comprometido como um todo. Sem força para sustentar as articulações, estas serão sobrecarregadas, dando início aos quadros de dor. Bursites e tendinites muitas vezes se desenvolvem em decorrência desta sobrecarga.

Fortalecimento muscular

Infelizmente, existe muita desinformação e desconhecimento quando se fala em fortalecimento de pacientes com dor. É comum os pacientes saírem da consulta médica com receitas de medicamentos por escrito, que indicam o nome da medicação, a dose, a frequência e por quanto tempo ela deverá ser tomada.

Já em relação a atividades físicas, os pacientes apenas são orientados a realizá-las, mas sem que se fale no tipo de atividade, na frequência e na duração do tratamento.

O exercício deve ser prescrito de forma individualizada e sempre respeitando-se as características da dor e as eventuais limitações físicas. Ainda assim, mesmo nos casos mais graves de dor crônica, sempre haverá uma forma de se estimular a musculatura ao mesmo tempo em que se protege a articulação dolorida.

Fisioterapia ou preparação física

Uma das dúvidas mais frequentes de pacientes que buscam iniciar a prática de atividade física como parte do tratamento de uma dor crônica é se devem procurar o fisioterapeuta ou um educador físico.

A fisioterapia e a educação física são duas áreas distintas e com atribuições específicas:

• A fisioterapia busca reabilitar o paciente, permitindo que ele se recupere de uma lesão ou de uma deficiência física. Pacientes que tenham dor para realizar um exercício ou que tenham uma inibição muscular significativa (geralmente com déficits de força acima de 30%) devem iniciar sua recuperação sob a supervisão do fisioterapeuta, antes de partir para a prática de uma atividade física mais regular.

• A educação física busca habilitar o indivíduo, melhorando sua capacidade de realizar as atividades do dia a dia e atividades esportivas. Será indicada para pacientes que já estejam sem dor no dia a dia e que busquem melhorar sua capacidade física para atividades esportivas ou não esportivas.

Na prática, porém, as duas áreas se sobrepõem em diversas situações e, de fato, existem muitos pacientes que podem se beneficiar tanto do trabalho do fisioterapeuta como do educador físico.

Fisioterapia

Mesmo pacientes com dores bastante incapacitantes podem se beneficiar de um trabalho específico de fisioterapia. Inicialmente, o fisioterapeuta poderá lançar mão de recursos de eletrotermofototerapia com o objetivo de analgesia e controle da dor. O tratamento, porém, não deverá se resumir a isso.

Exercícios isométricos, exercícios sob oclusão vascular e exercícios no meio aquático são algumas das formas de se estimular a musculatura minimizando-se o estresse sobre as articulações.

As técnicas manipulativas poderão ajudar na recuperação da mobilidade articular e liberação de eventuais contraturas e espasmos musculares.

Habitualmente, o paciente com dor mais intensa apresenta não apenas uma atrofia muscular, mas uma significativa inibição muscular. Quando a musculatura está inibida, não adianta realizar os exercícios tradicionais, porque a musculatura simplesmente estará “desligada”. Nestes casos, o fisioterapeuta poderá fazer os exercícios associados a uma estimulação elétrica, buscando reativar a musculatura para que, gradativamente, ela consiga funcionar independente destes estímulos externos.

Preparação física

A preparação física para o paciente com dor deve seguir os mesmos preceitos do que a preparação física em pacientes sem dor. A evolução dos exercícios, porém, deverá ser condizente com suas condições.

Muitos pacientes procuram a clínica relatando dores que só acontecem com determinados movimentos e com determinadas atividades físicas. Este paciente poderá adequar sua rotina de exercícios dentro dos limites da dor, e a preparação física deverá gradativamente preparar o indivíduo para que consiga realizar suas atividades previas agora sem dor.
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