COMPOSIÇÃO CORPORAL NO ATLETA

A manutenção de um peso corporal total adequado é fundamental para o bom desempenho esportivo. Atletas mais leves são capazes de saltar mais alto, o que é importante em esportes como a ginástica, vôlei, basquete e atletismo.

Além disso, a energia gasta para correr e se deslocar na horizontal será menor, sendo isso primordial nas corridas de longa distância, triathlon, ciclismo e hipismo. O peso corporal total também é importante nas modalidades divididas por categoria de peso, como o remo e muitas das modalidades de luta.

A busca por um corpo mais leve, porém, tem limites. Não adianta em nada ter um corpo mais leve e não ter força suficiente para realizar o gesto esportivo com precisão. A busca pela perda de peso a qualquer custo acaba por levar a uma perda não apenas de gordura, mas também de massa muscular, comprometendo o desempenho esportivo. Desta forma, mais importante do que controlar o peso corporal total é buscar um equilíbrio entre a quantidade de musculatura e a quantidade de gordura. A isso denominamos de composição corporal.
A composição corporal deve ser vista de forma individualizada e sempre considerando o esporte em questão, uma vez que os objetivos podem ser diferentes de acordo com a modalidade:

Esportes como a corrida de longa distância, ginástica ou ballet exigem uma baixa quantidade de gordura corporal;

Esportes como o futebol, basquete e vôlei também se beneficiam de baixos índices de gordura corporal, mas deve-se ter um maior cuidado para não comprometer a força;

No Levantamento de Peso Olímpico, o ganho de massa muscular deve ser visto de forma prioritária frente a necessidade de perda de gordura;

Esportes como a maratona aquática se beneficiam de uma quantidade maior de gordura, uma vez que esta auxilia na manutenção da flutuabilidade e da temperatura corporal.

QUAL A COMPOSIÇÃO CORPORAL IDEAL?

Ainda que muitos testes para a avaliação da composição corporal venham com valores de referência do que seria uma composição ótima, boa, regular ou ruim, esta determinação não é tão simples, ainda mais para um atleta profissional nos quais os limites entre o ótimo e o ruim estão relativamente próximos.

Entre as limitações para o uso da composição corporal, devemos considerar:

Todos os métodos de aferição da composição corporal fazem isso de forma indireta, ou seja, são apenas estimativas. Mesmo quando tecnicamente bem aplicados, existe uma variação de ao menos 2 a 3% para mais ou para menos, a depender da técnica. Isso significa que uma atleta na qual o teste indicou 13% de gordura pode ter, de fato, entre 10% e 16%. Em um dos extremos, isso pode ser considerado ótimo; no outro, ruim.

Como discutido acima, a composição corporal ideal varia de acordo com a modalidade. O que para um nadador de longa distância é bom, para um ginasta será péssimo. O contrário também é válido.

A composição ideal também varia de acordo com as características físicas do atleta: se possui pernas mais curtas ou mais longas, bacias estreitas ou largas e assim por diante.

Nas mulheres, a composição sofre variação de acordo com as diferentes fases do ciclo menstrual;

Atletas de diferentes raças (negros, brancos, orientais) também possuem diferentes composições corporais.

Infelizmente, não é incomum que estas limitações sejam ignoradas por treinadores e equipe técnica, que acabam assumindo valores de referência pré-determinados de forma arbitrária. Muitas vezes, colocam metas não realísticas para seus atletas, que na busca por uma perda de peso a qualquer custo acabam por desenvolverem distúrbios alimentares, competindo em piores condições e ficando mais vulneráveis a lesões.

A avaliação da composição corporal é também primordial no acompanhamento de eventuais dietas que o atleta esteja fazendo, seja para ganho ou perda de peso. Assim, será possível saber se ele está perdendo ou ganhando gordura e se está ganhando ou perdendo músculo.

Um atleta de 70kg, que esteja fazendo uma dieta para perda de gordura, deve se dar por satisfeito se mantiver os 70kg, porém com 2kg a mais de músculo e 2 kg a menos de gordura. Por outro lado, deverá rever a dieta se estiver com 68kg, tendo perdido 2kg de musculatura.

Métodos para aferição da composição corporal

Diversos métodos foram desenvolvidos para a aferição da composição corporal, cada um com suas vantagens e desvantagens. Vale aqui mais uma vez salientar que todos os métodos disponíveis oferecem apenas estimativas da composição, mas todos têm alguma margem de erro que costumam variar entre 2 e 3% para mais ou para menos.

Pregas cutâneas

É um método muito utilizado, já que depende apenas de um equipamento portátil e simples (paquímetro), o que facilita o transporte e sua utilização “na beira do campo”. Pelo mesmo motivo, ele é adequado para a aferição sequencial, quando as medidas são feitas com uma certa regularidade. Como desvantagem, devemos considerar que a aferição de pregas cutâneas é um método examinador dependente, sujeito a erros significativos nas mãos de avaliadores menos experientes.

Bioimpedância

A aferição é feita com um aparelho parecido com uma balança, o qual emite uma corrente elétrica e estima a composição corporal com base na resistência que esta corrente sofre para atravessar os diferentes tecidos do corpo.
A bioimedância é um método rápido de ser feito e que envolve poucos custos, fazendo dele um dos preferidos dos nutricionistas. Por outro lado, é um método bastante sensível e com uma série de fatores que podem comprometer o resultado, principalmente o estado de hidratação do paciente. Para o atleta, no qual o controle da hidratação envolve um desafio a parte e no qual pequenas variações no resultado do exame podem fazer toda a diferença, este é um método a ser questionado.

Densitometria por emissão de raios x de dupla energia (DXA)

A Densitometria por emissão de raios x de dupla energia (DXA) é considerada o método padrão ouro para avaliação da composição corporal. É um exame rápido (dura entre 10 e 20 minutos) e com alta precisão.
Além disso, tem a vantagem de poder avaliar a composição em cada segmento do corpo (tórax, abdome, pelve), de forma a não apenas mostrar qual a quantidade de gordura e músculo no corpo, mas também como cada um destes tecidos está distribuído nos diferentes segmentos corporais. Ainda que o exame envolva radiação, a quantidade de radiação é mínima.

A principal desvantagem é a necessidade de utilização de um aparelho específico, geralmente disponível apenas nos grandes laboratórios especializados. Médicos, nutricionistas e treinadores físicos não têm o exame prontamente disponíveis, o que pode dificultar a mensuração frequente, tornando o método inadequado para atletas que necessitam de um acompanhamento regular.

Algumas considerações devem ser feitas no acompanhamento do atleta:

Aferições feitas com diferentes métodos não devem ser comparados entre sí, pela margem de erro dos testes. Assim, um atleta que tenha 15% de gordura em um teste de bioimpedância e em um segundo momento um teste que demonstre 12% de gordura por um teste de pregas cutâneas, não necessariamente terá perdido 3% de gordura;

A margem de erro de um teste tende a ser mantida em aferições subsequentes com o mesmo teste. Assim, se o atleta teve uma aferição de 15% de gordura pelas pregas cutâneas e um segundo teste com 12%, pelo mesmo método (preferencialmente com o teste realizado pela mesma pessoa), esta perda de 3% deve ser valorizada.
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