Lombalgia (dor nas costas)

A dor nas costas, também chamada lombalgia, é uma das queixas mais comuns em consultórios médicos. Acomete jovens e idosos, pessoas sedentárias e atletas. 80% da população global tem ou terá dor nas costas limitante para suas atividades diárias em algum momento da vida, incluindo a prática esportiva.

No futebol, 30% dos jogadores profissionais perdem ao menos um treino ou jogo ao longo de uma temporada devido a dores nas costas. Na ginástica, 79% dos atletas em nível profissional sofrem com dor lombar crônica, em maior ou menor intensidade.

Causas da lombalgia

Aproximadamente 90% dos casos de lombalgia estão associados a uma sobrecarga mecânica, sem uma lesão estrutural que justifique a dor. São, desta forma, denominadas de Lombalgias de origem mecânica. Fraqueza da musculatura ao redor da coluna, desequilíbrios posturais e obesidade são fatores que contribuem para esta sobrecarga.

A sobrecarga leva ao desenvolvimento de alterações degenerativas tanto nas vértebras como nos discos intervertebrais, sendo estas alterações comuns principalmente após os 30 anos. A doença discal degenerativa está relacionada ao processo de desgaste do disco intervertebral, enquanto a artrose fascetária está relacionada ao desgaste na articulação das facetas de duas vértebras adjacentes.

Alguns pacientes referem ter realizado esforço físico além habitual que desencadeou o quadro de dor lombar, como uma viagem longa, uma mudança de casa ou uma atividade esportiva nova. Muitos são incapazes de reconhecer qualquer fator desencadeante.

Cerca de 10% dos pacientes apresentam alguma alteração estrutural que justifique a queixa.

A hérnia de disco é o diagnóstico mais comum entre estes pacientes. Ocorre principalmente entre os 30 e os 50 anos de idade (idade média de 37 anos) e acomete tanto atletas como não atletas. Além da dor na coluna, estes pacientes apresentam uma marcante irradiação para uma das pernas, que piora com movimentos de flexão do tronco, como ao amarrar um calçado.

A espondilolise é uma fratura por estresse que ocorre no arco posterior das vértebras. É a causa estrutural mais frequente de dor nas costas em atletas jovens, abaixo dos 30 anos de idade. A dor ocorre principalmente com movimentos de hiperextensão da coluna (movimento da coluna para trás) e é mais comum em atletas envolvidos com esportes que realizem estes movimentos com frequência, como o ballet ou a ginástica.

Diagnóstico da lombalgia

Lombalgia aguda

A maior parte dos pacientes com lombalgia aguda pode ser adequadamente tratada com base na avaliação clínica, sem a realização de exames de imagem. Os exames não são recomendados para a avaliação rotineira da dor lombar aguda não traumática, a menos que um achado da história e do exame clínico suscite preocupação.

Durante a consulta, o médico deve buscar alguns indicativos tanto na história clínica como no exame físico que gerem preocupação com uma causa secundária de dor lombar, ao que chamamos de “bandeiras vermelhas”. Nestes casos, será indicada a realização de tomografia ou ressonância magnética.

Entre estes, devemos considerar:

• Idade menor do que 20 anos ou maior do que 50 anos;

• Uso prolongado de corticoides ou esteroides anabolizantes;

• Dor que é aumentada ou não aliviada pelo repouso;

• Febre ;

• Trauma significativo;

• Incontinência da bexiga ou intestino;

• Fraqueza motora maior nas extremidades inferiores;

• História Câncer;

• Perda de peso inexplicável;

• Doenças imunossupressoras (como AIDS).

Lombalgia crônica

A história clínica e o exame físico trazem informações valiosas para o paciente com dor lombar crônica, ainda que exames de imagem (geralmente a ressonância magnética) sejam usualmente solicitados para uma melhor compreensão diagnóstica.

O resultado destes exames, porém, deve ser analisado com cautela. Alterações degenerativas dos discos são muito comuns a partir dos 30 anos de idade, mesmo em pessoas sem qualquer queixa de dor. Pacientes com hérnia de disco ou espondilolise também podem se tornarem assintomáticos com o tempo, ainda que estas lesões continuem a ser vistas nos exames de imagem.

Para caracterizar a origem da dor nas costas, desta forma, é imperativo que se correlacione os achados dos exames de imagem com a história clínica e com aquilo que se observa ao examinar o paciente.

Tratamento da lombalgia

Lombalgia aguda

A maioria dos pacientes necessita apenas de tratamento sintomático para as dores lombares de origem recente. As atividades devem ser continuadas dentro dos limites permitidos pela dor. Fisioterapia manipulativa se mostra benéfica em muitos pacientes.

Os medicamentos comumente usados ​​para o tratamento da dor lombar aguda incluem os analgésicos, os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) e, eventualmente, relaxantes musculares. Os opioides possuem uma potente ação analgésica na fase aguda, mas não permitem o retorno ao trabalho mais precocemente do que com o uso de anti-inflamatórios e analgésicos simples.

Cerca de 60% dos pacientes com dor lombar aguda relatam melhora completa em sete dias com a terapia conservadora e 90% apresentam melhora em até 4 semanas. Apenas 2 a 7% evoluirão para sua forma crônica.

Dor lombar crônica

A maior parte dos pacientes com dor lombar crônica apresentam uma sobrecarga mecânica decorrente de fraquezas e desequilíbrios musculares específicos além de uma postura inadequada. Uma vez descartados outros problemas na coluna, principalmente a dor ciática, a correção destas deficiências é fundamental para o sucesso do tratamento.

Ainda que o exercício físico não leve à recuperação do desgaste que já existe na coluna, a dor pode melhorar muito. Não é incomum que atletas mesmo no alto rendimento sejam capazes de manter uma intensa rotina de atividades físicas, apesar dos problemas na coluna. O objetivo do tratamento, desta forma, é reduzir a sobrecarga que existe na coluna para que o paciente consiga fazer mais esforço antes de chegar no ponto de dor.
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