Atividade física para pessoas obesas

A obesidade é apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Está relacionada a um excesso de tecido adiposo (gordura) decorrente de um desequilíbrio entre a energia consumida por meio da alimentação e a energia gasta nas atividades do dia a dia.

A adoção de hábitos sedentários associado a alimentação farta baseada em produtos industrializados de alto valor calórico são problemas comuns no mundo moderno. Em consequência disso, o acúmulo de tecido adiposo (gordura) e a perda progressiva da massa muscular são, também, cada vez mais comuns.

Tanto a obesidade como o sedentarismo contribuem para o desenvolvimento de diversos outros problemas de saúde, como pressão alta, diabetes, problemas cardiovasculares e artrose. Junto com o acúmulo de gordura, a falta de atividade física pode levar a uma perda generalizada de musculatura, também conhecida como sarcopenia.

O excesso de peso, associado a uma musculatura deficiente, acaba por levar a uma sobrecarga nas articulações que suportam o peso do corpo, principalmente coluna, quadris e joelhos. Esta sobrecarga pode dar origem a dores e ao desgaste das articulações (artrose). Por outro lado, a dor faz com que a pessoa reduza ainda mais suas atividades, agravando o acúmulo de peso.

A obesidade é, desta forma, apenas a parte mais visível de um problema de saúde que costuma ser muito mais amplo. A abordagem do paciente obeso será infrutífera caso não sejam avaliados e tratados todos os fatores associados.

Médicos ortopedistas são frequentemente procurados para o tratamento da dor em pacientes obesos. Exames de imagem muitas vezes demonstram graus variados de desgaste articular / artrose. A curto prazo, o tratamento da artrose pode até trazer algum alívio. Se nada for feito, porém, para abordar a obesidade e outros problemas eventualmente associados, principalmente o sedentarismo e a sarcopenia, o tratamento da artrose será cada vez mais frustrante.

Avaliação da composição corporal

A avaliação da composição corporal é, desta forma, muito mais importante do que a avaliação do peso total do paciente obeso. Existem diversos métodos para a avaliação da composição corporal, cada um com suas vantagens e desvantagens. Esta avaliação busca caracterizar qual a quantidade total de gordura e qual a quantidade total de musculatura que a pessoa tem. O paciente obeso deve buscar não apenas uma redução do seu peso total, mas sim a perda de gordura associado a um ganho de massa muscular, e isso não será possível de se avaliar pela simples mensuração do peso total do individuo.

Abordagem do paciente obeso

Ainda que certas pessoas tenham uma propensão para o desenvolvimento da obesidade, ela está invariavelmente associada a um estilo de vida que não é saudável. O combate a obesidade, desta forma, deve ser encarado por meio de uma mudança de estilo de vida, que deve ser permanente e progressiva.

Tratamentos imediatistas que prometem perdas excessivas de peso por meio de métodos pouco ortodoxos e que não serão sustentáveis a longo prazo podem até levar a uma perda de peso em um primeiro momento, mas esta perda não será sustentável.

A melhora da qualidade alimentar é, sem dúvidas, o ponto principal do tratamento. Isso não significa, porém, uma privação alimentar a qualquer custo. O organismo tem mecanismos para se proteger de uma eventual falta de alimentos por meio de uma maior economia energética, o que significa que, se a restrição alimentar for severa, ele diminui o gasto energético e a perda de peso tende a ser menos eficaz.

Uma destas formas de “se proteger” é produzindo energia através do tecido muscular, ao invés da gordura. Não é incomum que pacientes submetidos a dietas severas percam musculatura, mesmo diante de uma rotina regular de atividades físicas.

Ainda que a prática de atividades físicas produza resultados menos imediatistas na perda de peso quando comparado às dietas, a longo prazo ela será fundamental.

Neste ponto, é preciso considerar que o músculo é o tecido que mais consome energia no organismo. Quando a musculatura é deficiente, o consumo energético também será baixo, independentemente da prática de atividades físicas. Assim, as dietas produzirão resultados mais eficazes em uma pessoa atleticamente ativa e com uma boa musculatura quando comparado a pessoas sedentárias.

Atividade física para o paciente obeso

O paciente obeso deve realizar uma combinação de atividades que incluam exercícios aeróbicos, de força, de equilíbrio e de flexibilidade.

• Atividades aeróbicas caracterizam-se pelo uso repetitivo de grandes grupos musculares, levando a um aumento prolongado na frequência cardíaca. caminhada, corrida, dança, ciclismo, e natação são alguns exemplos. Estes exercícios levam a um grande gasto energético e são, desta forma, os mais eficazes para a perda de peso a curto prazo;

• Exercícios de força são aqueles que buscam vencer uma resistência. A resistência pode ser criada utilizando-se de faixas elásticas, pesos livres, aparelhos de musculação ou o peso corporal do paciente. Ainda que não levem a uma perda de peso significativo no curto prazo, o ganho de massa muscular faz com que o gasto energético basal aumente e, assim, serão importantes na manutenção da perda de peso a longo prazo. São efetivos, também, para a melhora de dores, muito comuns entre os idosos;

• Exercícios de equilíbrio: a falta de equilíbrio intrínseco é muito comum entre pessoas obesas, principalmente quando associada a obesidade, e deverá ser treinada por meio de exercícios específicos;

• Exercícios de flexibilidade: a perda de flexibilidade das articulações é comumente associada à obesidade, ao sedentarismo e ao imobilismo. Recuperar a flexibilidade é importante tanto na prevenção como no tratamento de lesões ortopédicas, de forma que isso deve ser pesquisado e, quando necessário, tratado no paciente obeso.

Frequência e intensidade das atividades

A Organização Mundial da Saúde recomenda um mínimo de 150 minutos de atividades físicas aeróbicas de intensidade moderada, 75 minutos de atividade vigorosa ou uma combinação equivalente de atividades moderadas e vigorosas. Atividade moderada é aquela em que se consegue manter uma conversa regular com pausas frequentes para respirar, e atividades vigorosas são aquelas em que se consegue apenas uma comunicação breve.

Além disso, os treinos de força devem ser incluídos em ao menos dois dias na semana. Esta é uma recomendação mínima, ainda que frequências maiores de exercícios possam levar a um ganho extra.

Os exercícios devem ser iniciados de forma progressiva e sempre respeitando eventuais queixas de dores. Querer “desafiar” a dor não costuma ser uma boa estratégia, uma vez que levará a uma inibição muscular e o resultado pode ser o oposto do desejado, com perda de força ao invés de ganho. O médico especialista saberá orientar o paciente na busca da atividade mais apropriada para ele, de acordo com seu condicionamento físico e eventuais problemas associados de saúde.

Cirurgia bariátrica

Idealmente a perda de peso deve ser feita com base em uma dieta hipocalórica associado à prática de atividades físicas. Nos super-obesos, porém, esta é uma tarefa difícil e demorada. Eventualmente, a cirurgia bariátrica pode ser indicada. Muitos pacientes com obesidade mórbida apresentam artrose nos joelhos ou outras articulações, e é esperado uma melhora significativa da dor.

Infelizmente, a persistência ou até a piora da dor após uma cirurgia bariátrica não é tão incomum, principalmente em decorrência de uma significativa perda de massa muscular.

As Implicações ortopédicas da cirurgia bariátrica são discutidas em artigo a parte.
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