Prótese de joelho (artroplastia)


Veja no vídeo as explicações do Dr João Hollanda a respeito de Prótese de Joelho:

A cirurgia chamada artroplastia consiste na colocação de próteses no joelho. Ela pode ser indicada a pacientes com dor que não melhora com tratamento clínico, decorrente da artrose avançada, ou seja, de um processo de degeneração da cartilagem do joelho. O joelho é formado por três compartimentos: o medial (parte interna do joelho), o lateral (parte externa do joelho) e o patelofemoral (parte da frente do joelho). As artroplastias podem substituir um ou, como ocorre mais frequentemente, os três compartimentos com a colocação de próteses nos espaços onde os ossos estão desgastados.

Quem precisa colocar prótese de joelho?

Veja no vídeo as explicações do Dr João Hollanda a respeito:

As próteses são indicadas aos pacientes com dor intensa decorrente de artrose e que não melhora com tratamento não cirúrgico, mas que querem manter uma vida relativamente ativa, fazendo caminhadas, saindo para passear, indo a restaurantes ou participando de atividades recreativas com um mínimo de dor. Não existe um momento exato para se determinar a substituição do tratamento não cirúrgico pelo cirúrgico, com indicação da artroplastia. Ela deve ser feita de forma individualizada, considerando a queixa clínica do paciente, seus exames e os tratamentos realizados até o momento. Mesmo pacientes com artrose grave podem, eventualmente, manter uma vida bastante ativa e com dor razoavelmente controlada.

Nesses casos, não há por que indicar uma prótese. É importante que o ortopedista especialista em joelho certifique-se de que as opções de tratamento não cirúrgico já tenham sido adequadamente exploradas. Mas, a decisão final deve envolver tanto o médico como o paciente e sua família.

Como são feitas as próteses de joelho?

Veja no vídeo as explicações do Dr João Hollanda a respeito:

A artroplastia de joelho foi realizada pela primeira vez em 1968. Desde então, as melhorias nas técnicas, no desenho e nos materiais de fabricação dos implantes cirúrgicos vêm progressivamente aumentando sua efetividade. Atualmente, a maior parte das próteses é feita com componentes femoral e tibial produzidos com uma liga metálica de cromo-cobalto, além de um espaçador de polietileno colocado entre eles. A substituição da cartilagem da patela (rótula) pode ou não ser realizada.

Há cinco etapas básicas no procedimento de artroplastia do joelho:

Resultados da prótese do joelho

A cirurgia para a colocação de prótese no joelho tem como objetivos principais a melhora da dor, do arco de movimento, da estabilidade e, por fim, a melhora da capacidade funcional para participação nas atividades do dia a dia, trabalho e recreação.

Para cerca de 80% dos pacientes que sofrem com artrose avançada no joelho, os resultados são surpreendentes, com melhora significativa. Ainda assim, a cirurgia está longe de deixar o joelho normal. Um estudo realizado com pacientes dois anos após a cirurgia demonstrou que:

  • Os pacientes subestimaram o tempo de recuperação;
  • 85% deles acreditavam que ficariam completamente sem dor, o que ocorreu em apenas 43% dos casos;
  • 52% pensavam que não haveria limitação funcional para as atividades usuais, o que foi possível a apenas 20% deles;
  • Ainda assim, estudos demonstram que dois anos após a cirurgia, entre 80 e 85% dos pacientes sentem-se satisfeitos com a cirurgia realizada.

Dor pós prótese de joelho

Apesar dos bons resultados para a maior parte dos pacientes, aproximadamente 20% persistem com dor significativa após a cirurgia, mesmo sem uma explicação clara para a dor. O joelho pode ter um arco de movimento bom, uma avaliação objetiva perfeita, radiografias demostrando boa posição dos implantes e, ainda assim, o paciente continua com dor.

Diversos fatores podem estar associados a essas dores, que não devem ser consideradas “sem explicação” até que uma extensa investigação tenha sido realizada.

A avaliação das causas da dor deve ser feita de uma maneira sistematizada, abordando quatro pontos importantes. São eles:

  1. Avaliação clínica;
  2. Investigação laboratorial;
  3. Avaliação por imagens;
  4. Análise microbiológica.

O tratamento só deve ser instituído após a completa investigação, uma vez que a troca da prótese sem um diagnóstico preciso da causa da dor costuma ser bem sucedida em apenas 17% dos casos.

Mobilidade pós prótese de joelho

A obtenção de um bom arco de movimento após a colocação da prótese é crucial para o sucesso da cirurgia. Esse arco varia de acordo com a atividade realizada, e quanto mais próxima do normal for a mobilidade do joelho, melhor será o resultado funcional da cirurgia:

  • Para caminhar sem mancar, é preciso dobrar o joelho 65 graus;
  • Para subir escadas, é preciso um arco de 75 graus;
  • Para descer escadas, 85 graus;
  • E, com 90 graus, o paciente é capaz de realizar a maior parte das atividades diárias de forma minimamente satisfatória.

A artrose avançada reduz o movimento do joelho. Mas existem outros fatores, como encurtamentos musculares e retrações capsulares ou ligamentares, que também contribuem para a rigidez e não costumam ser completamente corrigidos com a cirurgia.

Por isso, dizemos que a mobilidade pós-operatória tem relação direta com a mobilidade apresentada antes da cirurgia. Além disso, pacientes com maior rigidez devem ser alertados de que a prótese não deixará o movimento normal.

Melhora funcional

A artrose faz com que o paciente apresente dor cada vez mais intensa e piora progressiva na capacidade de realizar as atividades corriqueiras. Para a maioria dos pacientes, a colocação da prótese permite recuperar parte dessa função, ainda que não deixe o joelho normal.

Grande parte dos pacientes retornam satisfatoriamente para atividades como caminhar, sentar e levantar, subir escadas ou mesmo andar de bicicleta, fazer musculação ou atividades aquáticas. Já atividades mais intensas e que exijam maior equilíbrio ou destreza do joelho apresentam menores índices de retorno.

Por essa razão, é muito importante alinhar as expectativas de melhora do paciente com as expectativas do cirurgião, já que uma das principais causas de insatisfação após a cirurgia é uma expectativa irrealista de melhora.

Durabilidade pós prótese de joelho

A durabilidade da prótese tem sido cada vez maior. A necessidade de substituição da prótese dez anos após a cirurgia caiu consideravelmente nos últimos anos. Estudos recentes demonstram que apenas de 5 a 8% dos pacientes chegam a substituir a prótese. Na década de 1990, os estudos apontavam uma taxa de substituição que variava de 10 a 30%.

Esse aumento da durabilidade da prótese decorre do desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas e, principalmente, da melhora na qualidade dos implantes, que tem significado um menor desgaste do polietileno e também um menor índice de soltura da prótese.

Atualmente, acredita-se que aproximadamente 10% das pessoas terão indicação de colocação de prótese no joelho ao longo da vida. A boa notícia é que 85% das próteses colocadas não exigirão trocas. Mas é preciso ir com calma. Diante dos bons resultados, a indicação cirúrgica tem sido expandida para pacientes mais jovens e ativos. Isso aumenta a preocupação com o desgaste, já que 15% dos pacientes com menos de 55 anos precisarão realizar a troca em um período de dez anos, enquanto que apenas 2% dos pacientes maiores de 75 anos precisam trocar a prótese no mesmo período. Isso acontece devido ao maior nível de atividade do paciente.

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