Prótese de joelho

As próteses são indicadas aos pacientes com dor intensa decorrente de artrose e que não melhora com tratamento não cirúrgico, mas que querem manter uma vida relativamente ativa, fazendo caminhadas, saindo para passear, indo a restaurantes ou participando de atividades recreativas com um mínimo de dor. Não existe um momento exato para se determinar a substituição do tratamento não cirúrgico pelo cirúrgico, com indicação da artroplastia.

Ela deve ser feita de forma individualizada, considerando a queixa clínica do paciente, seus exames e os tratamentos realizados até o momento. Mesmo pacientes com artrose grave podem, eventualmente, manter uma vida bastante ativa e com dor razoavelmente controlada.

Nesses casos, não há por que indicar uma prótese. É importante que o ortopedista especialista em joelho certifique-se de que as opções de tratamento não cirúrgico já tenham sido adequadamente exploradas. Mas, a decisão final deve envolver tanto o médico como o paciente e sua família.

Quem precisa colocar prótese de joelho?

Veja no vídeo as explicações do Dr João Hollanda a respeito:

A indicação para a colocação de prótese no joelho deve levar em consideração as queixas do paciente, o que se observa no seu exame clínico e nos exames de imagem, a saúde geral, eventuais doenças associadas, a resposta aos diversos tipos de tratamento não cirúrgico e, por fim, a idade do paciente.
Os critérios para a indicação da cirurgia, porém, mudaram bastante nos últimos anos. Até pouco tempo atrás, era vista como o último recurso para o tratamento da dor associado à artrose do joelho. Uma referência muito utilizada era de que o paciente não deveria ser capaz de andar mais do que um quarteirão na maior parte dos dias.

A preocupação principal era com o risco de soltura e desgaste em decorrência do uso excessivo. Quanto mais velho e inativo o paciente, menor o risco destas complicações.

Adiar a prótese a qualquer custo, porém, tem suas consequências:

• A dor faz com que os pacientes fiquem cada vez mais restritos em suas atividades. Isso leva a uma piora de outras doenças associadas ao sedentarismo, como hipertensão arterial, diabetes, obesidade e osteoporose, o que pode comprometer ainda mais a saúde e a qualidade de vida do paciente.

• A falta de atividade também leva a uma perda progressiva da musculatura e da mobilidade do joelho, o que é muito difícil de se recuperar em uma população idosa, mesmo após a cirurgia para a colocação de prótese.

Com as melhorias das técnicas cirúrgicas e dos implantes, soltura e desgaste são complicações cada vez mais incomuns. Com isso, a tendência é de se indicar a prótese de forma mais precoce, não mais como “o fim da linha”, e sim como um método de se evitar a deterioração progressiva das condições físicas e do estado de saúde do paciente.

O tratamento não cirúrgico continua sempre sendo a primeira opção. Antes de se pensar na prótese, sugiro a leitura do texto sobre artrose do joelho, onde discutimos sobre todas as opções de tratamento não cirúrgico.

De fato, não faz sentido pensar na cirurgia antes de se certificar de que todas estas medidas tenham se demonstrado insuficientes. Mas, em última análise, a indicação para a colocação de prótese tem muito mais relação com dor e a incapacidade de se tratar esta dor, do que com a idade do paciente ou a gravidade do desgaste.

A artroplastia de joelho foi realizada pela primeira vez em 1968. Desde então, as melhorias nas técnicas, no desenho e nos materiais de fabricação dos implantes cirúrgicos vêm progressivamente aumentando sua efetividade. Atualmente, a maior parte das próteses é feita com componentes femoral e tibial produzidos com uma liga metálica de cromo-cobalto, além de um espaçador de polietileno colocado entre eles. A substituição da cartilagem da patela (rótula) pode ou não ser realizada.

Há cinco etapas básicas no procedimento de artroplastia do joelho:

Resultados da prótese do joelho

A cirurgia para a colocação de prótese no joelho tem como objetivos principais a melhora da dor, do arco de movimento, da estabilidade e, por fim, a melhora da capacidade funcional para participação nas atividades do dia a dia, trabalho e recreação.

Para cerca de 80% dos pacientes que sofrem com artrose avançada no joelho, os resultados são surpreendentes, com melhora significativa. Ainda assim, a cirurgia está longe de deixar o joelho normal. Um estudo realizado com pacientes dois anos após a cirurgia demonstrou que:

  • Os pacientes subestimaram o tempo de recuperação;
  • 85% deles acreditavam que ficariam completamente sem dor, o que ocorreu em apenas 43% dos casos;
  • 52% pensavam que não haveria limitação funcional para as atividades usuais, o que foi possível a apenas 20% deles;
  • Ainda assim, estudos demonstram que dois anos após a cirurgia, entre 80 e 85% dos pacientes sentem-se satisfeitos com a cirurgia realizada.

Dor pós prótese de joelho

Apesar dos bons resultados para a maior parte dos pacientes, aproximadamente 20% persistem com dor significativa após a cirurgia, mesmo sem uma explicação clara para a dor. O joelho pode ter um arco de movimento bom, uma avaliação objetiva perfeita, radiografias demostrando boa posição dos implantes e, ainda assim, o paciente continua com dor.

Diversos fatores podem estar associados a essas dores, que não devem ser consideradas “sem explicação” até que uma extensa investigação tenha sido realizada.

A avaliação das causas da dor deve ser feita de uma maneira sistematizada, abordando quatro pontos importantes. São eles:

  1. Avaliação clínica;
  2. Investigação laboratorial;
  3. Avaliação por imagens;
  4. Análise microbiológica.

O tratamento só deve ser instituído após a completa investigação, uma vez que a troca da prótese sem um diagnóstico preciso da causa da dor costuma ser bem sucedida em apenas 17% dos casos.

Mobilidade pós prótese de joelho

A obtenção de um bom arco de movimento após a colocação da prótese é crucial para o sucesso da cirurgia. Esse arco varia de acordo com a atividade realizada, e quanto mais próxima do normal for a mobilidade do joelho, melhor será o resultado funcional da cirurgia:

  • Para caminhar sem mancar, é preciso dobrar o joelho 65 graus;
  • Para subir escadas, é preciso um arco de 75 graus;
  • Para descer escadas, 85 graus;
  • E, com 90 graus, o paciente é capaz de realizar a maior parte das atividades diárias de forma minimamente satisfatória.

A artrose avançada reduz o movimento do joelho. Mas existem outros fatores, como encurtamentos musculares e retrações capsulares ou ligamentares, que também contribuem para a rigidez e não costumam ser completamente corrigidos com a cirurgia.

Por isso, dizemos que a mobilidade pós-operatória tem relação direta com a mobilidade apresentada antes da cirurgia. Além disso, pacientes com maior rigidez devem ser alertados de que a prótese não deixará o movimento normal.

Melhora funcional

A artrose faz com que o paciente apresente dor cada vez mais intensa e piora progressiva na capacidade de realizar as atividades corriqueiras. Para a maioria dos pacientes, a colocação da prótese permite recuperar parte dessa função, ainda que não deixe o joelho normal.

Grande parte dos pacientes retornam satisfatoriamente para atividades como caminhar, sentar e levantar, subir escadas ou mesmo andar de bicicleta, fazer musculação ou atividades aquáticas. Já atividades mais intensas e que exijam maior equilíbrio ou destreza do joelho apresentam menores índices de retorno.

Por essa razão, é muito importante alinhar as expectativas de melhora do paciente com as expectativas do cirurgião, já que uma das principais causas de insatisfação após a cirurgia é uma expectativa irrealista de melhora.

Durabilidade pós prótese de joelho

A durabilidade da prótese tem sido cada vez maior. A necessidade de substituição da prótese dez anos após a cirurgia caiu consideravelmente nos últimos anos. Estudos recentes demonstram que apenas de 5 a 8% dos pacientes chegam a substituir a prótese. Na década de 1990, os estudos apontavam uma taxa de substituição que variava de 10 a 30%.

Esse aumento da durabilidade da prótese decorre do desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas e, principalmente, da melhora na qualidade dos implantes, que tem significado um menor desgaste do polietileno e também um menor índice de soltura da prótese.

Atualmente, acredita-se que aproximadamente 10% das pessoas terão indicação de colocação de prótese no joelho ao longo da vida. A boa notícia é que 85% das próteses colocadas não exigirão trocas. Mas é preciso ir com calma. Diante dos bons resultados, a indicação cirúrgica tem sido expandida para pacientes mais jovens e ativos. Isso aumenta a preocupação com o desgaste, já que 15% dos pacientes com menos de 55 anos precisarão realizar a troca em um período de dez anos, enquanto que apenas 2% dos pacientes maiores de 75 anos precisam trocar a prótese no mesmo período. Isso acontece devido ao maior nível de atividade do paciente.

O Dr João é ortopedista especialista em joelho e médico da Seleção Brasileira de futebol Feminino. Tem especial interesse e larga experiência com a cirurgia de Prótese de Joelho. O processo de reabilitação pós-operatória é fundamental para o resultado final da cirurgia, e o Dr João já conduziu diversos atletas profissionais / olímpicos neste processo. Tem uma lesão de Prótese de Joelho e precisa de uma segunda opinião? Agende uma consulta com o Dr João, ou envie uma mensagem para ele.
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