Epicondilite lateral (cotovelo do tenista)

A epicondilite lateral, também conhecida como “cotovelo do tenista”, é uma condição dolorosa que ocorre quando os tendões que se fixam no epicôndilo lateral (proeminência na face externa do cotovelo) estão inflamados. Isso ocorre em decorrência de uma sobrecarga, geralmente por movimentos repetitivos destes tendões, os quais têm a função de levantarem a mão e o punho.

Apesar do nome, a condição está ligada à prática do tênis em menos de 5% dos casos.

Muitos movimentos comuns do braço, não relacionados ao esporte, podem levar a esta sobrecarga e desencadear a epicondilite lateral,, incluindo:

• Uso de ferramentas;

• Pintura;

• Cortar alimentos, particularmente a carne;

• Uso repetitivo do mouse do computador;

• Segurar um copo ou panela;

• Apertar as mãos ou fechar o punho;

• Girar a maçaneta da porta.

Pessoas que têm empregos que envolvem movimentos repetitivos do punho e do braço, incluindo encanadores, pintores, carpinteiros, açougueiros e cozinheiros, são mais propensos a desenvolverem a epicondilite lateral.

No tênis, estudos mostraram que até 50% dos atletas recreacionais desenvolverão sintomas característicos da epicondilite em algum momento. Geralmente afeta homens e mulheres entre 30 e 50 anos de idade.

A condição é mais comum entre atletas amadores, que tendem a fazer muita força na preensão da raquete. Tenistas que batem a esquerda (backhand) com uma mão e/ou slice e/ou aqueles que fazem muita força no saque e não pronam o antebraço estão mais vulneráveis ao desenvolvimento da epicondilite lateral.

Além disso, falta de condicionamento geral, incluindo força, equilíbrio e flexibilidade, também estão relacionados ao desenvolvimento do cotovelo do tenista. A raquete precisa ser avaliada: ela não deve ser leve e nem pesada, a média para um adulto deveria ser por volta de 300g. Tipo da corda, tensão da corda e frequência de troca da corda podem fazer toda a diferença no tenista com epicondilite lateral.

Para entender melhor a relação da epicondilite lateral com falhas na técnica ou nos equipamentos do tênis, fiz um artigo específico sobre isso junto com o fisioterapeuta especializado em lesões no tênis Ricardo Takahashi.

Para ler o artigo, clique aqui.

Diagnóstico da epicondilite lateral

O principal achado no exame físico é a dor com pressão digital da área afetada ou para mover o cotovelo, punho e dedos. Na maior parte das vezes a história médica e o exame físico serão suficientes para fechar o diagnóstico do cotovelo do tenista.

O diagnóstico deve ser sempre feito após a avaliação com o ortopedista, uma vez que outras condições podem causar sintomas que imitam o cotovelo de tenista e precisam ser descartados. Isso inclui artrite do cotovelo, lesões ligamentares, irradiação proveniente de problemas no pescoço e aprisionamento de nervos. Exames de imagem poderão ser solicitados para descartar estes outros problemas.

Tratamento da epicondilite lateral

A maioria dos casos é autolimitada e resolve-se com o afastamento da atividade desencadeante e medidas como o gelo e o uso pontual de medicamentos anti-inflamatórios.

• Principalmente nos casos crônicos, a fraqueza relativa dos músculos extensores do punho precisará ser corrigida por meio de fisioterapia. Eventualmente, o uso de órteses específicas para o tratamento do cotovelo do tenista pode ser indicado.

• Quando os sintomas estão relacionados ao tênis, o ortopedista poderá sugerir que especialistas avaliem sua técnica de tênis, principalmente para o backhand, e sua raquete. Correção da técnica e a escolha de uma boa raquete, com grip e encordoamento adequados, é fundamental. Para saber mais sobre a epicondilite e outras lesões relacionadas ao tênis, clique aqui.

• Infiltração: A infiltração com corticoides costuma ter resultado satisfatório para muitos pacientes, ainda que não deva ser feita regularmente pelo risco de rompimento dos tendões. O agulhamento a seco - em que uma agulha perfura o tendão danificado em muitos lugares - também pode ser útil. O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é descrito como tendo bons resultados, mas não está liberado pela ANVISA para uso clínico no Brasil.

• Terapia por ondas de choque: É geralmente usado para a epicondilite lateral crônica que não respondeu a tratamentos mais conservadores. Os estudos são controversos quanto ao resultado, mas aparentemente diferentes pacientes apresentam respostas diversas ao tratamento.

Cirurgia

Indicada para a menor parte dos pacientes, quando os sintomas não melhoraram após seis a 12 meses de tratamento não cirúrgico adequadamente instituído.

O procedimento mais indicado para isso é a liberação dos tendões extensores sobre o epicôndilo lateral. Os tendões são cortados e deixados para cicatrizar em uma posição de menor tensão.

No inicio, o paciente é imobilizado com uma órtese removível, retirando a mesma para a mobilização do cotovelo. A fisioterapia é mantida por dois a três meses, sendo que o retorno esportivo é permitido geralmente após quatro a seis meses.
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