Reabilitação do Ligamento Cruzado Anterior

A reabilitação pós reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior é tão ou mais importante do que a cirurgia em si para o resultado final da cirurgia, devendo ser conduzida em conjunto pelo fisioterapeuta e pelo ortopedista especialista em joelho.

A musculatura tem uma função primordial para a estabilização do joelho. Após a lesão do ligamento, o quadro de dor e edema leva a uma inibição da musculatura, que perde temporariamente sua função, como se estivesse “desligada”. Aos poucos, a musculatura passa também a atrofiar, e é comum que poucos dias após a cirurgia a perna com o ligamento rompido esteja visivelmente mais fina do que a outra.

Passada a fase aguda da lesão, a cirurgia leva a uma nova agressão ao joelho e a deficiência muscular tende a se acentuar ainda mais.

Mais do que isso, o Ligamento Cruzado Anterior normal fornece informações importantes ao cérebro que ajudam no controle do equilíbrio e dos movimentos do joelho, processo ao qual denominamos de propriocepção, e isso é perdido com a lesão.

O objetivo da reabilitação, desta forma, é recuperar a mobilidade, a força, a propriocepção e a função da musculatura. Sem isso, o novo ligamento será sobrecarregado e, mais do que “sentir que o joelho não está bom”, o risco para uma nova lesão, principalmente com o retorno da prática esportiva, será muito maior.

Quanto tempo dura a reabilitação?

A reabilitação se inicia antes da cirurgia, continua de imediato após a cirurgia e segue até que o paciente seja capaz de retornar à sua atividade esportiva previa. Mais do que seguir prazos pré-determinados, é importante observar parâmetros clínicos a serem respeitados para a progressão de exercícios, desde o período pré-operatório até o completo retorno esportivo. Diversos fatores interferem na velocidade do processo de reabilitação:

  • Como está a musculatura e a função do joelho antes da cirurgia;
  • Técnica cirúrgica utilizada;
  • Qualidade e intensidade da reabilitação;
  • Resposta individual ao procedimento cirúrgico e à reabilitação.

Quais são as fases da reabilitação?

Apresentaremos a seguir as cinco fases de reabilitação do ligamento cruzado anterior. Este processo pode ser alterado, porém, em decorrência da preferência do cirurgião, de eventuais lesões associadas e da evolução individual de cada paciente. Cada caso deverá ser sempre discutido individualmente entre o paciente e o ortopedista especialista em joelhos responsável pela cirurgia.

  1. Fase pré-operatória:

    busca deixar o paciente na melhor condição possível antes da cirurgia;
  2. Fase inicial:

    busca recuperar a mobilidade normal do joelho e permitir que o paciente volte a andar normalmente;
  3. Fase de recuperação muscular:

    busca recuperar a força, a função e o controle neuromuscular;
  4. Fase de treinamento funcional:

    busca reintroduzir o gesto esportivo da atividade do paciente;
  5. Retorno ao esporte:

    busca acompanhar o paciente na retomada de suas atividades esportivas.

Fase 1: Reabilitação pré-operatória

Antes da cirurgia, é desejável manter atividades físicas para fortalecimento muscular, evitando-se apenas os esportes que envolvem contato físico, mudanças de direção frequentes, saltos, acelerações e desacelerações.

Quanto melhor estiver a musculatura no momento da cirurgia, maior a “reserva” que o paciente terá para suportar a perda esperada com o procedimento e melhor será a recuperação pós-operatória. Este é também um bom momento para entender melhor o processo de recuperação e se preparar para o pós-operatório. Aprender a usar muletas é um exemplo disso, já que é mais fácil descobrir como lidar com elas enquanto o joelho está sem dor e com a mobilidade preservada do que fazer isso logo após a cirurgia.

Fase 2: Reabilitação pós-operatória inicial (0 a 6 semanas)

A reabilitação pós-operatória se inicia ainda no hospital, com medidas para a melhora da dor e do edema, reativação da musculatura e a recuperação da mobilidade do joelho.

Reabilitação do Ligamento Cruzado Anterior
  • O uso de gelo (30 minutos a cada duas horas) é uma prioridade;
  • O paciente deverá apoiar o peso do corpo cada vez mais na perna e menos na muleta, até que tenha conforto o suficiente para largar as muletas. Não se deve, porém, ter pressa para isso: largar as muletas precocemente e ficar mancando sobrecarregaria os joelhos e atrasaria a recuperação. Vale lembrar também que eventuais procedimentos associados, como uma sutura do menisco, podem exigir restrição da mobilidade ou do apoio do peso no joelho operado, de forma que o paciente deverá sempre questionar e seguir as orientações do médico cirurgião.
  • Assim que o paciente tiver mobilidade suficiente, a bicicleta é uma ótima opção. Inicialmente, deve ser feita sem carga, apenas para estimular o movimento e, à medida que o joelho fica mais confortável, a carga vai sendo adicionada gradativamente;
  • A hidroterapia poderá ser introduzida a partir da terceira semana, quando os pontos serão retirados;
  • Quando o joelho operado for o esquerdo, o paciente poderá dirigir carros automáticos a partir da segunda semana, e mecânicos a partir da quinta semana. No caso do joelho direito, deve-se dirigir apenas após a quinta semana. Esses cuidados são indicados para que o paciente tenha segurança em uma reação mais rápida, evitando acidentes;
  • O retorno ao trabalho depende da atividade profissional de cada paciente e deve ser discutido com o médico.

Fase 3: Recuperação muscular (a partir do segundo mês)

A medida em que a dor, o inchaço e a mobilidade do joelho melhoram, são introduzidos exercícios de fortalecimento muscular com carga e complexidade crescente. Principalmente até o terceiro mês, período em que existe maior preocupação com um ligamento ainda fraco, os exercícios devem ser feitos sempre sob a supervisão do fisioterapeuta, usando-se ângulos de proteção que evitam maior sobrecarga sobre o ligamento operado. Este processo perdura até que se atinja um bom equilíbrio de força, o que exige um tempo bastante variado de paciente para paciente.

Reabilitação do Ligamento Cruzado Anterior

Por volta de quatro a cinco meses após a cirurgia, poderá ser indicada a realização de um exame de dinamometria (manual ou isocinética), para avaliar eventuais fraquezas e desequilíbrios musculares que já não são mais tão perceptíveis clinicamente. O exame ajudará a direcionar a reabilitação na correção de eventuais deficiências.

Fase 4: Treinamento funcional / gesto esportivo

Esta fase se inicia quando o paciente tem uma musculatura razoavelmente bem recuperada, uma mobilidade completa do joelho e na ausência de dor com a realização dos exercícios. Isso não significa uma musculatura completamente recuperada, de forma que os exercícios de fortalecimento da segunda fase devem ser mantidos.

Reabilitação do Ligamento Cruzado Anterior

Primeiramente, será introduzido o trote em linha reta, alternando com períodos de caminhada. A duração e a intensidade da corrida são aumentadas conforme tolerado. Gradativamente, pode-se introduzir corridas com aceleração e desaceleração, deslocamentos laterais e para trás e mudanças de direção.

Quando a musculatura estiver com menos de 20% de perda comparado ao joelho sadio e o paciente apresentar boa evolução com a corrida, exercícios específicos do esporte do paciente passarão a ser introduzidos gradativamente. No caso do futebol, estamos falando de chutes curtos e longos, chutes ao gol, dribles em velocidade, saltos e cabeceios. No início, os exercícios devem ser controlados e sem contato com outros atletas, progredindo até que se consiga participar dos treinos regulares com o restante da equipe.

Durante essa fase, é importante que o atleta se dedique também a recuperar o condicionamento físico, para suportar a carga de treino e competição necessários para o seu esporte. Avaliações de composição corporal e eventuais ajustes na parte nutricional podem ser necessários, para que se tenha não apenas um joelho recuperado, mas a parte física como um todo preparada para o retorno.

Fase 5: Retorno ao esporte

O retorno esportivo deve respeitar a critérios tanto clínicos como temporais. Estudos demonstram que a maior parte dos pacientes estarão aptos para isso após aproximadamente 9 a 12 meses, o que não significa que um atleta que tenha passado por todos os critérios pré-estabelecidos após 7 ou 8 meses não possa retornar mais precocemente.

Reabilitação do Ligamento Cruzado Anterior

Uma vez decidido pelo retorno, este deve ser feito de forma progressiva. No futebol, a maior parte das lesões ligamentares do joelho acontecem nos últimos 15 minutos de cada tempo, em função da fadiga muscular. Em um paciente que esteja voltando de cirurgia, esse risco será ainda maior, o que justifica o retorno de forma gradativa. É um período no qual ele ganhará mais confiança e ritmo de jogo, além de recuperar o condicionamento físico.

Inicialmente, o atleta participará de jogos treinos com a própria equipe, onde poderá dosar melhor a intensidade, contando com a ajuda dos colegas para evitar um contato mais violento. Uma vez que se tenha confiança, poderá participar de parte dos jogos, até que seja capaz de participar de uma partida completa.

SAIBA MAIS: Critérios para o retorno esportivo após uma cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior.

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