Falha da Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior

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Falha da Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior

O resultado da cirurgia para reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior é bastante satisfatório em relação ao retorno ao esporte. O risco de falha é de aproximadamente 10%, semelhante ao risco de lesão do outro joelho, que nunca teve a lesão. Isso mostra que o enxerto utilizado para refazer o ligamento é capaz de recuperar a resistência do ligamento original, mas o fato é que o risco ainda é bem maior do que para uma pessoa que nunca tenha rompido o ligamento. Isso acontece porque existem fatores que predispõem o atleta a romper o ligamento, ou seja normalmente quem rompeu o ligamento tem uma certa predisposição para isso, o que é válido tanto antes como após a cirurgia.

Mulheres estão sob risco de uma nova lesão ainda maior, da mesma forma que os jovens. Estudos mostram que nos esportes que envolvem contato físico, mudanças de direção e saltos, os riscos de nova lesão são de 17% entre os atletas jovens e de 25% entre as mulheres nestas condições.

Quais as principais causas de falha da reconstrução do LCA?
A reabilitação pós-operatória tem relação direta com o risco de nova lesão. Estudos mostram que apenas 15% dos pacientes apresentam os critérios para o retorno ao esporte, seis meses após a cirurgia. Além disso, desequilíbrios ainda são frequentes em pacientes com mais de um ano de cirurgia. Assim, uma reabilitação não bem conduzida é o principal fator de risco para uma segunda lesão.

Outras possíveis causas de falha que também devem ser investigadas são: erros técnicos na primeira cirurgia, mau alinhamento dos membros inferiores e lesão associada de outros ligamentos. Ainda assim, lesão decorrente de um novo trauma é a principal causa de recidiva.

Como é feita a avaliação do paciente com suspeita de falha da reconstrução do LCA?
O método mais importante para diagnosticar um novo rompimento do ligamento já operado é o exame físico e a história clínica do paciente. Pacientes sem queixas de falseio e com o joelho estável de acordo com as manobras realizadas pelo médico examinador não precisam de exames de imagem para avaliar a integridade do enxerto. Mas, caso haja uma suspeita clínica de nova lesão, exames de imagem deverão ser solicitados:

Radiografia mostra com clareza o tipo de fixação utilizada na primeira cirurgia, além da eventual presença de desgaste articular e o alinhamento da perna;
Ressonância magnética demonstra como está o LCA e também eventuais lesões associadas nos meniscos, cartilagem ou outros ligamentos do joelho;
Tomografia pode ser solicitada para avaliar um eventual alargamento dos túneis ósseos realizados na primeira cirurgia e que possam interferir na nova cirurgia.

Como é a técnica cirúrgica em uma segunda intervenção?
Quando é confirmada uma lesão associada a um novo trauma, sem desalinhamento da perna e lesões associadas nos outros ligamentos do joelho, a técnica utilizada será muito parecida com a da primeira cirurgia. O que muda é a fonte do enxerto. Existem três tipos de enxerto mais utilizados para uma primeira cirurgia: tendões flexores, tendão patelar e tendão quadríceps. Em uma segunda cirurgia, podemos usar uma das opções que não fizeram parte da cirurgia primária.

Ligamento ântero-lateral
O ligamento ântero-lateral é uma banda fibrosa localizada na parte de fora (extra-articular) do joelho, que participa de sua estabilização rotacional. A lesão deste ligamento não é facilmente diagnosticada por meio de exames de imagem, mas pode levar a uma maior instabilidade rotatória, quando associada a lesões do Ligamento Cruzado Anterior.

Recentemente, tem sido discutida a reconstrução de ambos os ligamentos, para um maior controle da estabilidade rotatória, ao invés da reconstrução isolada do Ligamento Cruzado Anterior.
O assunto é fonte de controvérsias no meio médico e parece não ter indicação de rotina. Mas, pode ser sugerida em casos bastante selecionados, como quando o paciente apresenta uma instabilidade rotacional exacerbada, principalmente se falhou após uma primeira cirurgia.

Como é a reabilitação do LCA após uma segunda cirurgia?

A reabilitação após a reconstrução do LCA não difere muito do que é feito em uma primeira cirurgia. O retorno esportivo, porém, costuma ser ligeiramente mais retardado. Conheça mais sobre a reabilitação após a cirurgia da lesão do LCA neste link. [[inserir link para o artigo “Reabilitação do Ligamento Cruzado Anterior”]]

 

Quais as consequências de uma re-lesão?

Existe uma predisposição individual para as lesões do Ligamento Cruzado Anterior, mas, de modo geral, podemos dizer que:

 

  • Pacientes que apresentam a lesão possuem risco 15 vezes maior de uma segunda lesão, em comparação com pessoas sem a lesão e que participam das mesmas atividades esportivas;
  • Pelo mesmo motivo, pacientes que já tiveram a segunda lesão têm maior risco de uma terceira lesão, e assim por diante;
  • Enquanto o índice de re-lesão após uma primeira cirurgia é de aproximadamente 8%, após uma revisão o percentual chega a 15%;
  • O risco de artrose é maior após a segunda cirurgia;
  • O índice de retorno ao esporte no mesmo nível do que antes da lesão é menor do que após a primeira cirurgia.

 

Lembre-se: a lesão do LCA é a principal de indicação cirúrgica entre atletas de modalidades que envolvem mudanças de direção, saltos e movimentos de giro, como basquete, handebol, tênis e os esportes de inverno. Prevenir é sempre a melhor opção. Para conhecer mais sobre o assunto, sugerimos a leitura dos seguintes artigos em nosso site: 

Lesões do Ligamento Cruzado Anterior em Mulheres
Reabilitação – Ligamento Cruzado Anterior
Prevenção da Lesão do Ligamento Cruzado Anterior
Lesões do Ligamento Cruzado Anterior em Crianças
Lesão Parcial do Ligamento Cruzado Anterior

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