Dor pós cirurgia de menisco

A cirurgia para o tratamento de lesão do menisco é muitas vezes vista pelo paciente ou mesmo pelo cirurgião como um procedimento simples. Infelizmente, o resultado nem sempre corresponde às espectativas e, de fato, o índice de insatisfação com o procedimento costuma ser mais alto do que em relação a outros procedimentos ditos “mais complexos”. A principal causa para esta insatisfação é a dor persistente, a qual pode ter diversas causas:

  1. A cirurgia pode não ter abordado a causa da dor

    As lesões de menisco que vemos nas ressonâncias magnéticas nem sempre são a causa da dor. Se fizermos uma ressonância magnética em um número significativo de pessoas sem dor no joelho na faixa dos 50 ou 60 anos, encontraremos um bom número de lesões de menisco nelas. Isso significa que nem todas as lesões de menisco doem. Se estas pessoas passarem a apresentar dor por outros motivos, a dor pode ser “mal interpretada” como tendo origem nos meniscos. A cirurgia é indicada, o procedimento é avaliado inicialmente como bem sucedido, mas a dor não melhora, simplesmente porque o menisco não era a causa da dor.

  2. Artrose do joelho

    A principal doença que leva a este tipo de “mal interpretação” é a artrose do joelho. Nos casos em que tanto a artrose do joelho como a lesão do menisco estejam presentes, a retirada de um pedaço do menisco leva a uma pior distribuição de forças quando o paciente apoia o pé no chão. O osso sub-condral (osso logo abaixo da cartilagem), que já vinha sofrendo em decorrência da artrose, será ainda mais sobrecarregado, podendo levar até a uma piora da dor.

  3. Fratura por insuficiência

    A maior sobrecarga sobre o osso sub-condral pode provocar o que denominamos de fratura por insuficiência. São fatores de risco para isso a idade avançada, a presença de artrose, deformidades angulares (varo ou valgo), a obesidade, o sedentarismo e as ressecções de fragmentos extensos do menisco. Nestes pacientes, observa-se uma piora significativa da dor associado a uma imagem de ressonância magnética mostrando edema ósseo.

  4. Persistência da lesão

    Na presença de dor, devemos considerar a possibilidade de a cirurgia não ter tido sucesso em resolver o problema. No caso da meniscectomia, isso é menos frequente, já que o fragmento rompido é simplesmente retirado, não dependendo da cicatrização do mesmo. No caso da sutura do menisco, o procedimento busca trazer estabilidade para o menisco, mas dependerá da resposta biológica do paciente para uma adequada cicatrização. Caso não haja a cicatrização, o paciente tende a “perder” o reparo da sutura e apresentar recidiva da dor, que terá que ser abordada em um novo procedimento.

  5. Nova lesão

    A lesão do menisco ocorre mais frequentemente a partir dos 40 anos, quando o menisco já se encontra enfraquecido. Mesmo com a cirurgia, este não deixa de ser um “menisco em risco” para novas lesões.

Como vimos até aqui, a cirurgia para o tratamento da lesão no menisco não é tão simples como muitas vezes se fala, e deve sempre que possível ser realizada pelo ortopedista especialista em joelho. É um procedimento que tem sim suas consequências, de forma que a indicação deve ser bastante criteriosa. Ainda assim, respeitando-se os critérios de indicação e os aspectos técnicos da cirurgia, o procedimento tende a ser bem sucedido na maior parte dos pacientes.
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