Lesões do Ligamento
Cruzado Posterior (LCP)

Anatomia e função

O Ligamento Cruzado Posterior (LCP) é um dos ligamentos centrais do joelho. Ele conecta o fêmur (osso da coxa) à tíbia (osso da perna) e ajuda na estabilização do joelho, impedindo que a tíbia se desloque para trás em relação ao fêmur. Além disso, o LCP ajuda na estabilização do joelho durante movimentos de torção.

Por ser mais espesso e mais forte do que o Ligamento Cruzado Anterior, o Ligamento Cruzado Posterior apresenta lesões muito menos frequentes e, geralmente, associadas a traumas de maior energia.

Como ocorrem as lesões do LCP?

O principal mecanismo de lesão é o trauma na parte da frente da perna, forçando a mesma para trás em relação à coxa. Isso pode ocorrer, por exemplo, nas seguintes situações:

  • Ao bater o joelho contra o painel do carro durante um acidente automobilístico;
  • Na prática esportiva, pelo choque frontal de um oponente contra a perna (ainda que este tipo de choque seja mais comum em esportes pouco praticados no Brasil, como o rugby e o futebol americano);
  • Pela queda ao solo em acidentes motociclísticos (atualmente, a causa mais frequente das lesões do LCP no país);
  • Pela hiperflexão do joelho, com o indivíduo caindo sentado sobre o pé, flexionando totalmente o joelho.

O que o paciente sente?

No momento da lesão, o paciente sente dor e, pouco depois, seu joelho incha, em intensidades que dependem da extensão da lesão (parcial ou completa). Nas lesões completas, o paciente pode não ser capaz de apoiar o pé no chão e tem dor intensa mesmo com um movimento leve do joelho.

Em lesões menores, é capaz de caminhar com alguma dor e o edema é menos exuberante. Após algumas semanas, a dor melhora e o joelho desincha. O paciente larga as muletas e consegue andar normalmente. Atividades esportivas, como a corrida e o futebol, podem ser gradualmente reassumidas.

Em lesões maiores, o paciente pode persistir com algum grau de instabilidade e falta de confiança no joelho. Também pode apresentar dor na parte da frente do joelho e dificuldades para subir e descer escadas.

Como é feito o diagnóstico da lesão
do Ligamento Cruzado Posterior?

O exame físico feito por um ortopedista especialista em joelho é a melhor maneira de se fazer o diagnóstico.

No momento da lesão, o paciente sente dor e, pouco depois, seu joelho incha, em intensidades que dependem da extensão da lesão (parcial ou completa). Nas lesões completas, o paciente pode não ser capaz de apoiar o pé no chão e tem dor intensa mesmo com um movimento leve do joelho. Neste momento, o médico não será capaz de realizar uma avaliação mais minuciosa, mas deverá suspeitar da lesão em um joelho com dor e edema após um trauma sugestivo. Instabilidades mais grosseiras já poderão ser detectadas com leve manipulação.

Em lesões parciais isoladas do Ligamento Cruzado Posterior, o paciente pode ser capaz de caminhar com alguma dor e o edema é menos exuberante.

Após algumas semanas, a dor melhora e o joelho desincha. O paciente larga as muletas e consegue andar normalmente. Testes específicos deverão ser realizados para avaliar a estabilidade do joelho poderão identificar mais facilmente a lesão do Ligamento Cruzado Posterior, bem como eventuais lesões associadas em outros ligamentos.

Os testes clínicos servem também para classificar a extensão da lesão, de acordo com o grau de posteriorização da tíbia em relação ao fêmur com o joelho flexionado a 90 graus. Quanto maior a posteriorização, mais instável o joelho e maior o dano ao LCP, que pode ser classificado em três graus diferentes:

  • Lesão grau I: translação até 0,5cm;
  • Lesão grau II: translação até 1cm;
  • Lesão grau III: translação acima de 1cm.

Diagnóstico por imagem.

O diagnóstico deve ser feito por um ortopedista especialista em joelho. O exame físico minucioso é a melhor maneira de se fazer o diagnóstico. Nos primeiros dias após a lesão, o joelho dói e apresenta edema.

O médico não será capaz de realizar um exame mais minucioso, mas deverá suspeitar da lesão em um joelho com dor e edema após um trauma sugestivo. Instabilidades mais grosseiras já poderão ser detectadas com leve manipulação.

Passada a fase aguda, testes específicos para avaliar a estabilidade do joelho poderão identificar mais facilmente a lesão do LCP, bem como eventuais lesões associadas em outros ligamentos.

Os testes clínicos servem também para classificar a extensão da lesão, de acordo com o grau de posteriorização da tíbia em relação ao fêmur com o joelho flexionado a 90 graus. Quanto maior a posteriorização, mais instável o joelho e maior o dano ao LCP, que pode ser classificado em três graus diferentes:

  • Lesão grau I: translação até 0,5cm;
  • Lesão grau II: translação até 1cm;
  • Lesão grau III: translação acima de 1cm.

Exames de imagem

Na fase aguda, as radiografias são importantes para que se possa descartar uma fratura por avulsão, que é quando o ligamento lesionado arranca um fragmento do osso no local em que está preso.

A ressonância magnética é o exame utilizado em casos de suspeita de lesões do LCP. Ela também ajuda a detectar eventuais lesões associadas. Porém, em lesões antigas, o ligamento pode estar cicatrizado e, assim, não ser detectado na ressonância. Ainda assim, caso o ligamento não tenha recuperado a tensão original, ele terá sua função comprometida, como se ainda estivesse rompido. Nestes casos, o exame físico será muito mais importante do que os exames de imagem.

Tratamento

1- Tratamento não cirúrgico

Diferentemente do Ligamento Cruzado Anterior, o LCP, quando lesionado, tem uma boa capacidade de cicatrização. Isso torna possível recuperar total ou parcialmente a estabilidade do joelho com o tratamento não cirúrgico, que é indicado com mais frequência. O risco de complicações e a menor previsibilidade do resultado com a cirurgia são outros fatores que tornam o tratamento não cirúrgico mais aconselhável.

Como regra geral, as lesões de grau I e grau II são tratadas sem cirurgia. Já as lesões de grau III, dependendo dos sintomas e da atividade do paciente, podem levar à indicação cirúrgica, especialmente quando ocorrem lesões associadas de outros ligamentos. Portanto, a decisão deve ser discutida caso a caso com o ortopedista especialista em joelho.

O tratamento consiste em manter o joelho imobilizado em extensão, por quatro a seis semanas, com uso de muletas e carga parcial (parte do peso na perna, parte nas muletas). Após esse período, é preciso trabalhar o fortalecimento muscular com ênfase no quadríceps, e, a seguir, iniciar o treino de equilíbrio e gesto esportivo.

Quando o paciente apresentar força semelhante nos dois joelhos, bom equilíbrio e for capaz de fazer os deslocamentos específicos do seu esporte, ele poderá retornar à prática esportiva. O tempo necessário para isso dependerá da extensão da lesão.

2- Tratamento cirúrgico

As cirurgias para reconstrução do LCP são realizadas, com mais frequência, por artroscopia (guiadas por vídeo). Na cirurgia, o ligamento rompido é substituído por um enxerto. Existem diversas opções de enxerto, como tendão patelar, tendões flexores, tendão quadriceptal, fáscia lata e enxerto de cadáver.

Na cirurgia, são realizados furos no osso (túneis), nos lugares onde o ligamento original ficava preso. Em seguida, o enxerto é passado por dentro destes túneis e fixado no fêmur e na tíbia, por meio de pinos específicos.

Pós-operatório

A realização de fisioterapia é essencial e deve começar já nos primeiros dias do pós-operatório, sempre sob a supervisão do fisioterapeuta e do ortopedista especialista em joelho responsável pela cirurgia. No período de integração do enxerto, alguns exercícios são permitidos; outros, não. Com o passar das semanas, novos exercícios vão sendo introduzidos.

O paciente deve fazer uso de um imobilizador longo de joelho por quatro semanas, mantendo o joelho esticado. No início e sob orientação do fisioterapeuta, ele será retirado algumas vezes ao dia para mobilização.

O objetivo inicial é a recuperação da mobilidade do joelho, analgesia e ativação da musculatura da coxa (quadríceps). Os exercícios são intensificados após o segundo mês, mas o retorno pleno ao esporte ocorrerá apenas após um período de sete a nove meses.

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