Atividade física para o idoso diabético

Não restam dúvidas de que a atividade física é uma excelente maneira de se evitar o diabetes. Naqueles que já possuem o diagnóstico, o exercício ajuda a controlar o peso, a melhorar a sensibilidade à insulina e os níveis de glicose no sangue, que é a base da doença.

Ao controlar a evolução da doença, a atividade física ajuda a reduzir o risco das temidas complicações, como a neuropatia diabética, a nefropatia diabética, a retinopatia diabética e as complicações cardiovasculares.

Por outro lado, a atividade física em diabéticos exige certos cuidados que não devem ser ignorados:

  • Necessidade de um controle rigoroso da glicemia
  • Cuidados com a falta de sensibilidade e risco de feridas
  • Cuidados com lesões em órgãos alvos
  • Risco de complicações cardiovasculares

Para o diabético com a doença bem controlada, os benefícios da atividade física superam e muito os eventuais riscos de complicação.

O monitoramento das condições acima é fundamental, e o diabético não deve iniciar a atividade física sem uma boa conversa sobre isso com o médico e sem que se tenha a clareza de que a mensagem foi compreendida.

Caso se julgue que o idoso não será capaz de realizar o monitoramento da forma indicada e não possa ter alguém capaz de fazer este monitoramento ao seu lado, o exercício não deve ser realizado. Além disso, o acompanhamento e a orientação do endocrinologista com experiência no esporte é fundamental para o diabético que pretende se manter ativo.

Monitoramento da glicemia

O excesso da glicose no sangue (hiperglicemia) ou sua falta (hipoglicemia) são os fatores de maior preocupação no atleta diabético. Os níveis de glicose devem ser monitorados antes, durante e após os exercícios para determinar a melhor maneira de alcançar um controle glicêmico saudável.

Se antes do exercício a glicemia estiver acima de 250mg/dL ou abaixo de 70mg/dL, o exercício está contraindicado até que os níveis glicêmicos sejam corrigidos.

O endocrinologista poderá ajudar o atleta diabético a tirar o máximo de proveito de medidas farmacológicas (insulina, outros medicamentos) e não farmacológicas (alimentação, hidratação) para que este consiga otimizar o controle glicêmico.

São situações que podem dificultar este controle:

  • Exercícios de longa duração
  • Exercícios de alta intensidade, especialmente os esportes competitivos
  • Exercícios realizados em condições climáticas extremas, principalmente de calor
  • Ainda assim, idosos que tenham um conhecimento profundo do seu esporte, da sua doença, do monitoramento da glicemia e das maneiras para corrigí-la, não deverão ser desencorajados a seguir com a sua prática.

O diabético deve ficar alerta para os sinais de hiperglicemia (inquietação, nervosismo, sede, cãibras, visão turva, náuseas, dor abdominal e aumento de diurese) ou hipoglicemia (suor excessivo, palpitações, tremores, confusão, sonolência, falta de coordenação, náuseas e dor de cabeça) e interromper a atividade imediatamente nestas condições.

Neuropatia perférica

Aproximadamente 60 a 70% das pessoas com diabetes possuem algum tipo de neuropatia. A neuropatia periférica, que acomete pés e mãos, é a forma mais comum. Algumas pessoas podem não ter qualquer sintoma, outras podem experimentar dor, formigamento ou perda de sensibilidade principalmente nas mãos, braços, pés e pernas.

A neuropatia pode levar também a uma perda na sensibilidade dolorosa, o que pode ser perigoso para os atletas. O atrito dos pés nos calçados pode levar à formação de feridas, e como o individuo não sente dor, continuará traumatizando o local, aumentando a ferida.

Para piorar a situação, a neuropatia costuma estar acompanhada de uma doença na vascularização local, e isso faz com que a cicatrização de feridas torne-se muito mais difícil. Alguns casos podem chegar ao ponto de uma amputação.

Outro risco da neuropatia diabética é o desenvolvimento de uma articulação de Charcot, caracterizada por uma destruição progressiva, mas rápida, das articulações. Isso ocorre em decorrência de traumas repetitivos em uma articulação já doente e insensível.

Desta forma, pacientes com neuropatia periférica devem dar preferência para atividades de baixo impacto.

Para evitar o problema, use meias e calçados adequados e confortáveis, principalmente durante a atividade física, e olhe bem seus pés diariamente. Inspecione o pé após a atividade física, caso não vá retornar para casa após o exercício.

Assim, qualquer lesão pode ser identificada e tratada precocemente. Evite a atividade física na presença destas feridas.

Lesões em órgãos alvo

Uma das principais características da diabetes é o comprometimento dos pequenos vasos que irrigam as mais diversas estruturas ao redor do corpo. A isso se denomina de vasculopatia diabética. A vasculopatia diabética está por detrás de muitas das lesões típicas da doença, como a neuropatia (acometimento dos nervos), a nefropatia (acometimento dos rins) e retinopatina (acometimento da visão).

Estas alterações caracterizam o que chamamos de lesões em órgãos alvo.

A nefropatia diabética se caracteriza pelo comprometimento de vasos sanguíneos dos rins. A função renal é perdida gradativamente e leva a perda de proteína (albumina) na urina. Um dos problemas da perda da função renal é o edema pelo corpo.

Em casos muito graves, pode ser necessário a diálise. A atividade física pode aumentar agudamente a excreção de proteínas na urina, o que pode ser prejudicial para o paciente com nefropatia diabética.

Assim, é fundamental que o paciente diabético com função renal alterada siga as orientações de seu médico quanto a prática de atividade física. No caso da retinopatia diabética, exercícios resistidos podem desencadear hemorragia vítrea ou descolamento da retina, o que pode comprometer ainda mais a visão.

Como regra geral, a atividade físic vigorosa é contraindicada nos casos de retinopatia proliferativa ou nas não proliferativas graves, mas isso deve sempre seguir uma avaliação e prescrição médica.

Risco cardiovascular

A diabetes (principalmente quando não for bem controlada) é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de eventos cardiovasculares agudos, como o Infarto agudo do Miocárdio (IAM) ou o Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Este risco aumenta momentaneamente com a atividade física, de forma que o exercício deve sempre considerar também o risco cardiovascular do paciente diabético. Outras doenças comuns tanto ao diabetes como à doença cardiovascular, como a pressão alta, o aumento do colesterol, a obesidade e o tabagismo também devem ser levados em consideração para caracterizar este risco.

Maiores informações são descritas no artigo sobre o risco cardiovascular do atleta idoso.

Por outro lado, a atividade física se mostra tão ou mais eficaz no controle de todos estes problemas do que as medicações específicas. Ainda que o risco destes eventos cardiovasculares possa aumentar no curto prazo com o exercício, os benefícios no longo prazo superam em muito os eventuais riscos.
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