Tratamento por laser

O laser é uma forma de tratamento utilizado na ortopedia com o objetivo de acelerar o reparo tecidual e também para o controle de diversos tipos de dor. Isso acontece por meio de diferentes mecanismos:

  • Bioestimulação: geração de energia celular a partir da luz
  • Acústico: efeito mecânico gerado a partir de pulsos rápidos e frequentes
  • Efeito térmico: parte da energia absorvida pelas células é transformada em energia térmica, levando a um aquecimento dos tecidos.

Bioestimulação

Por muito tempo, acreditou-se que as plantas eram os únicos seres vivos capazes transformar energia solar em energia celular. Hoje, sabemos que diversas células do corpo humano e de outros animais também produzem energia a partir da luz. A diferença está na eficiência em fazer isso e na quantidade de energia que é capaz de ser produzida desta forma.

Os raios luminosos podem ser diferenciados de acordo com o comprimento de onda, sendo que diferentes comprimentos de onda produzem efeitos diferentes no corpo:

  • Infravermelho: comprimento acima de 750nm. Neste comprimento, a luz provoca aquecimento tecidual que, quando excessivo, torna-se lesivo aos tecidos. Corresponde a 53% dos raios solares.
  • Luz visível: comprimento de 450 a 750nm. Este é o espectro de comprimento usado para tratamento; corresponde a 42% dos raios solares.
  • Ultravioleta: comprimento menor do que 450nm. Pode causar destruição do DNA celular. Corresponde a 4% dos raios solares.

Podemos dizer, desta forma, que nem todos os raios solares são benéficos para o corpo. A vantagem do tratamento com o laser é que ele permite a oferta de grande quantidade de energia nos comprimentos de onda que interessam no tratamento, sem a associação dos efeitos negativos de determinados comprimentos de onda luminosa.

Efeito acústico

A passagem da luz pelos tecidos gera uma pressão sobre o tecido que, por sua vez, desencadeia um efeito acústico / mecânico. O efeito acústico é potencializado quando se usa o laser pulsátil, com pulsos de alta intensidade, alta frequência e curta duração. O efeito acústico é um dos principais mecanismos associados ao efeito analgésico do laser.

Efeito térmico

Quando o laser atinge a superfície corporal em tratamento, parte dela é refletida, parte é absorvida pelas células e parte atravessa para a próxima camada de células. Em relação à energia absorvida pela célula, parte virá a formar ATP, aumentando o estoque energético da célula, e parte será liberada na forma de calor.

Ondas de maior comprimento (vermelho / infravermelho) geram maior quantidade de calor. O efeito térmico pode ser mais ou menos desejado de acordo com o objetivo do tratamento. O calor local ajuda na recuperação de espasmos musculares e na liberação de pontos gatilho, ajudando a relaxar a musculatura.

Por outro lado, o aquecimento tecidual não pode ser excessivo e este pode ser um fator limitante quando o objetivo principal é o reparo tecidual (efeito fotobiológico).

Indicações do laser em ortopedia

Tratamento de lesões

A aceleração do reparo tecidual é um dos principais motivos para o uso do laser em ortopedia. Ao gerar mais energia celular, o laser aumenta o metabolismo e acelera o processo de cicatrização.

Na fase aguda de lesões de maior gravidade, a atividade metabólica celular excessiva associada a uma deficiência na oxigenação tecidual pode levar à produção de radicais livres que, por sua vez, podem piorar ainda mais a lesão inicial. Medidas que aumentam o metabolismo celular, como o laser, não são indicados neste momento.

A medida em que o processo inflamatório diminui e a oxigenação tecidual melhora, o laser passa a ser indicado. O tecido precisa de um maior aporte energético para o reparo da lesão, e é a partir desta demanda que o laser é capaz de acelerar a reparação tecidual.

Cicatrização de feridas

O laser promove uma maior produção de colágeno, que é uma proteína fundamental para a cicatrização de feridas. Além de acelerar a cicatrização, o laser ajuda a melhorar o aspecto / coloração da ferida. Feridas mais difíceis de se fecharem, como no caso de pacientes diabéticos, são especialmente beneficiadas pelo laser.

Alívio da dor:

O Laser atua no controle da dor por diferentes mecanismos. Quando se busca um efeito analgésico, o laser é usado na forma pulsátil em alta frequência, alta intensidade e curta duração. Com esta configuração, ele tem a capacidade de criar ondas acústicas que transferem pressão real sobre os tecidos e estimulam mecanicamente as terminações nervosas livres. Estas mesmas terminações nervosas são responsáveis pela transmissão do estímulo doloroso.

As ondas acústicas “ocupam” os nervos, que deixam de transmitir a sensação dolorosa. O laser pode ajudar no controle da dor em decorrência também de seu efeito térmico, com relaxamento dos pontos em gatilho. Finalmente, o laser ajuda a regular a entrada e saída de substâncias das células e aumenta a liberação de endorfinas, uma substância analgésica produzida naturalmente pelo corpo.

Anti-inflamatório: O laser aumenta a circulação sanguínea no local da lesão, aumentando a absorção dos restos das células danificadas e melhorando a drenagem do edema

Relaxamento muscular

A energia transferida pela emissão contínua do Laser de Alta Intensidade ao tecido provoca aumento da temperatura e, consequentemente, vasodilatação na área tratada. À medida em que aumenta a circulação de sangue no local, os músculos relaxam. Em indicações dolorosas relacionadas aos músculos, como pontos de gatilho ou espasmos musculares, o paciente sente alívio imediato da dor causada pelo alívio da tensão muscular e aumento imediato da amplitude de movimento.

Diferentes tipos de laser

O tratamento por laser pode ser classificado como de baixa ou alta potência. Uma potência de saída inferior a 0,5 Watts é classificada como baixa potência (classe III nos EUA). Esta energia é insuficiente para gerar aquecimento significativo na pele, de forma que o tratamento é também conhecido como “laser frio”.

Tratamentos com potência de saída maior que 0,5 Watts são denominados de terapia a laser de alta potência (lasers de classe IV nos EUA) e são capazes de criar calor na superfície da pele devido `a maior potência energética.

A maioria das condições neuro-musculoesqueléticas respondem melhor a uma potência e dosagem mais altas. Os melhores resultados serão obtidos com um laser de 30 watts ou mais de potência.

Um tratamento de 10 minutos com um laser de 30 watts pode chegar a produzir 18.000 joules, o que proporciona um significativo efeito de alívio da dor, antiinflamatório e cicatrizante. No caso do laser de baixa potência, seria necessário um tempo ao menos 60 vezes maior para fornecer a mesma energia.

Com o laser de baixa potência, podem ser necessárias várias sessões para que os resultados completos ocorram. Um paciente normalmente passa por uma série de sessões antes que a dor seja aliviada e, para que funcione corretamente, é necessário realizar 2 a 4 sessões por semana. Neste sentido, o laser de alta potência é b
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