Metatarsalgia

Metatarsalgia é o nome que se dá para as dores que acometem a parte da frente dos pés, no local em que apoiamos o pé ao chão, logo antes dos dedos. O nome significa, ao pé da letra, uma dor sobre os metatarsos, que são os ossos que temos nesta região.

O que causa a metatarsalgia?

A metatarsalgia está, na maior parte das vezes, associada a uma sobrecarga mecànica, sendo que diversos fatores podem estar relacionados a esta sobrecarga. Às vezes, um único fator pode levar à metatarsalgia.

Mais frequentemente, vários fatores estão envolvidos, incluindo:

  • Esforço repetitivo decorrente da prática esportiva, principalmente em esportes que envolvem impacto, saltos e mudanças de direção frequentes;
  • Uso de calçados de salto alto. Sapatos muito apertados ou com pouco amortecimento (como as sapatilhas) também podem desencadear a metatarsalgia;
  • Sobrepeso ou obesidade;
  • Aumento do arco do pé (pes cavos);
  • Deformidades nos dedos do pé, tanto no dedão (hálux valgo / joanete) como nos dedos menores (dedo em martelo, dedo em garra);

Além disso, existem doenças específicas que se desenvolvem geralmente em decorrência desta sobrecarga, levando a alterações estruturais na região dos metatarsos e à dor característica da metatarsalgia.

As principais delas são:

  • Neuromas de morton
  • Fraturas por estresse
  • Doença de Friberg

Abordaremos cada uma destas três doenças mais à frente.

Metatarsalgia em atletas

Treinamento ou atividade intensa em esportes que envolvem corrida, saltos e mudanças de direção contribuem para o desenvolvimento da metatarsalgia. No caso de atletas, além de todos os fatores listados acima é importante que se avalie e corrija eventuais erros na técnica de corrida, que podem levar a uma absorção de carga inadequada e, consequentemente, a uma maior sobrecarga.

O que o paciente sente?

O paciente com metatarsalgia apresenta como principal sintoma a dor na parte da frente do pé. Em alguns casos, a dor é bem pontual; em outros, é mais difusa, não tão bem localizada. Alguns pacientes referem a sensação de que se tem uma pedra dento do sapato. A dor piora ao ficar muito tempo em pé, correr ou ao caminhar com os pés descalços em uma superfície muito dura. Por outro lado, a dor tende a melhorar com o descanso.

Diagnóstico da metatarsalgia

A avaliação do médico deve buscar identificar todos os fatores que podem estar contribuindo para a metatarsalgia. História clínica e exame físico são essenciais para isso. Radiografias, ressonância magnética e baropodometria (teste de pisada) podem ser solicitados para ajudarem a identificar as possíveis causas da metatarsalgia.

Como é o tratamento da metatarsalgia?

O tratamento deve buscar a correção de todos os fatores discutidos acima e que estejam contribuindo para a ocorrência da metatarsalgia. Dependendo das causas, pode ser cirúrgico ou não cirúrgico.

Tratamento não cirúrgico

Envolve medidas para aliviar a sobrecarga sobre os metatarsos, incluindo:

  • Calçados mais confortáveis e adaptados, com espaço para os dedos se movimentarem. Saltos e sapatos apertados devem ser evitados, especialmente na parte dianteira do pé;
  • Palmilhas para melhorar a distribuição do peso durante a fase de apoio do pé;
  • Limitar atividades de alto impacto, como corridas e saltos;
  • Fisioterapia, com exercícios que visem melhorar o apoio e a mobilidade dos pés, bem como treinar força e equilíbrio e corrigir a pisada;

Medicamentos anti-inflamatórios podem ser indicados em alguns casos.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é indicado quando as medidas de tratamento não cirúrgico discutidas acima não surtirem o efeito esperado. A cirurgia busca corrigir deformidades e desalinhamentos que estejam contribuindo com a dor do paciente.

Doenças associadas à metatarsalgia

A principal causa para a metatarsalgia é a sobrecarga no local da dor. Em alguns casos, porém, esta sobrecarga pode levar a lesões estruturadas no local. As principais delas, e que discutiremos aqui, incluem o neuroma de Morton, as fraturas por estresse dos ossos do metatarso e a doença de Freiberg.

Neuroma de Morton

O neuroma de Morton trata-se de uma tumoração benigna do nervo interdigital. Além da dor, produz a sensação de formigamento, queimação ou choque na sola do pé e dedos adjacentes.

O neuroma é mais comum no espaço entre o terceiro e o quarto dedo, seguido pelo espaço entre o segundo e o terceiro dedo. Esta "irritação" está geralmente associada a uma sobrecarga mecânica no local que, por sua vez, pode estar relacionada a deformidades ósseas, joanete ou outros problemas intrínsecos do pé.

As mulheres têm quatro vezes mais chances de desenvolver o neuroma de Morton do que os homens. Isso provavelmente está relacionado ao calçado: salto alto e bico fino levam a uma maior pressão no arco frontal do pé, aumentando o risco de desenvolver o neuroma. No caso dos homens, é mais comumente associado à prática de atividades físicas de impacto.

Sintomas

Habitualmente, os doentes queixam-se de uma dor intensa na “bola do pé”, que piora com a caminhada e com o uso de calçados apertados. Caminhar descalço tende a ser menos doloroso. Formigamento ou adormecimento dos dedos pode estar presente.

Diagnóstico

Perante uma suspeita clínica, o diagnóstico pode ser conformado por meio de exame de Ressonância Magnética (RM).

Tratamento

Nos estágios iniciais, o neuroma de Morton geralmente pode ser tratado de forma não cirúrgica, por meio de calçados adequados e palmilhas. Quando este tratamento não for bem-sucedido, a cirurgia é uma opção. Neuromas menores que 0,8 cm podem ser submetidos a uma liberação do nervo (neurólise). Nos casos mais graves, o nervo precisará ser removido (neurectomia).

Ainda que a cirurgia costume ser eficaz no alívio da dor, ela leva a uma perda parcial de sensibilidade nos dedos envolvidos. Lesões associadas, como a joanete ou deformidades dos dedos menores podem ser tratadas no mesmo tempo cirúrgico, principalmente ao se considerar que estas deformidades estejam envolvidas com o desenvolvimento do neuroma.

Vale considerar que muitas pessoas apresentam o neuroma sem que tenham qualquer queixa. Nestes casos, ele não precisa ser operado. Também é importante que se tenha estabelecido com confiança que o nervo ou neuroma espessado é realmente a causa da dor.

Alguns relatos sugerem que até 20% dos pacientes submetidos a essa cirurgia estão insatisfeitos com o resultado, e um dos principais motivos para isso é quando o neuroma não é, de fato, o motivo principal da dor.

Fratura por estresse

A fratura por estresse é um diagnóstico a ser pensado em pessoas que desenvolvem a metatarsalgia após um aumento repentino do esforço físico em atividades de impacto, seja uma atividade física formal ou uma atividade rotineira, como uma caminhada longa.

Tanto atletas de alto rendimento como pessoas que estão buscando largar o sedentarismo podem ser acometidos pela fratura por estresse, desde que aumentem subitamente sua carga habitual de esforço. Acometem geralmente o segundo ou o terceiro metatarso.

Na fase aguda de dor, as radiografias costumam ser normais. Assim, diante da suspeita clínica deste tipo de fratura, o ideal é realizar uma ressonância magnética. Os primeiros sinais radiográficos da fratura costumam aparecer apenas após a segunda semana.

A maior parte dos pacientes é adequadamente tratada de forma não cirúrgica. Na fase aguda de dor, o paciente deve caminhar com o auxílio de muletas e deve ser imobilizado com uma bota de gesso ou imobilizadores rígidos. Mas, à medida em que a dor melhora, estas imobilizações podem ser substituídas por uma sandália específica (sandália de Baruk), que concentra o peso na região do calcanhar.

O tempo total de imobilização é de cerca de 6 a 8 semanas. Já o tempo total de afastamento esportivo é maior, de aproximadamente três meses.

Doença de Freiberg

A doença de Freiberg é uma causa comum de metatarsalgia. Consiste em uma necrose avascular da cabeça do osso metatarso, sendo o 2º metatarso a mais frequentemente acometida.

Acomete predominantemente meninas adolescentes e pessoas que têm o segundo dedo mais longo do que o primeiro. Assim como com as outras causas de metatarsalgia, atividades que pressionam repetidamente essa articulação, como dançar, pular ou correr, levam a uma piora da dor.

O diagnóstico da doença de Freiberg é confirmado por meio de ressonância magnética ou, eventualmente, de radiografias.

Nos quadros agudos, pode ser indicado o uso de botas ortopédicas ou sapatos especiais, como a sandalha de Baruk, para evitar que o peso do corpo seja descarregado sobre o osso doente. Passada esta fase inicial, pode ser indicado o uso de calçados ou palmilhas específicas, além do afastamento de atividades físicas de impacto.
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