Lesões no Menisco

Home / Lesões no Menisco

Lesões no Menisco

Veja no vídeo as explicações do Dr João Hollanda a respeito de Lesões no Menisco:

Anatomia e função

O menisco é uma cartilagem que fica dentro do joelho. Cada joelho tem dois meniscos, um medial, na parte interna e um lateral, na parte externa. Eles têm a função de ajudar no encaixe do fêmur (osso da coxa) sobre a tíbia (osso da perna) e  funciona ainda como um amortecedor para o joelho.

Lesão do menisco

A maior parte das lesões ocorrem a partir dos 40 anos, idade essa em que já é esperado que haja algum grau de desgaste nos meniscos, tornando-os mais frágeis. Em idades mais jovens, ocorrem geralmente associadas a outras lesões, principalmente do Ligamento Cruzado Anterior.

Deve-se inicialmente diferenciar as lesões traumáticas das lesões degenerativas. Nas lesões traumáticas os pacientes apresentam dor de inicio súbito após um trauma, frequentemente associado a um estalido. Apresentam queixa pontual, e conseguem indicar com o dedo o local da dor, coincidente com o local da lesão observada nos exames. Apresentam ainda dor característica durante certos testes que devem ser realizados pelo médico. Em alguns casos, principalmente naquelas com lesões denominadas em Alça de Balde, o fragmento deslocado do menisco pode bloquear o joelho e fazer com que o mesmo perca o movimento normal.

As lesões degenerativas estão associadas ao desgaste que ocorre no joelho. O joelho inteiro sofre com o desgaste, que pouco a pouco vai fragilizando os meniscos até que, com um esforço mínimo, se rompem. Muitas vezes os pacientes apresentam diversos pequenos pontos de lesão. O inicio da dor não é bem definido, e o paciente não sabe dizer ao certo quando o joelho começou a doer. A dor não é bem localizada, todo o joelho dói. Os testes específicos podem até levar ao desencadeamento da dor, mas novamente uma dor difusa e não localizada. As radiografias muitas vezes demonstram algum grau de osteoartrose, podendo este ser mais ou menos avançado.

A maior parte das lesões, porém, ficam em um espectro intermediário, com características tanto de uma lesão traumática como de uma lesão degenerativa. O exame de ressonância magnética pode ajudar na diferenciação, uma vez que tanto as lesões traumáticas como as degenerativas apresentam características sugestivas neste exame.

Tratamento

As lesões traumáticas tendem a ser tratadas cirurgicamente, enquanto que lesões degenerativas tendem a ser tratadas sem cirurgia. Na dúvida, o médico deve iniciar o tratamento de forma não cirúrgica e ver qual a resposta do paciente; se a dor melhorar mantém a indicação não cirúrgica e, se não houver melhora, o tratamento cirúrgico pode então ser indicado.

Tratamento não cirúrgico

A dor decorrente de uma lesão de menisco decorre de uma instabilidade mecânica no local da lesão. Quando certos movimentos do joelho levam ao deslocamento do fragmento de menisco lesionado, isso desencadeia a dor. Muitas pessoas apresentam lesão do menisco sem que exista instabilidade, ou seja, em que o menisco permanece no lugar mesmo com a lesão, e nestes casos não apresentam dor. A lesão de menisco pode, desta forma, ser apenas um achado de exame, e não a causa principal da dor. Outras causas de dor, como lesões de cartilagem ou desequilíbrios musculares podem estar envolvidos, e este é que deve ser o foco do tratamento não cirúrgico, seja com o uso de medicamentos, infiltrações, fisioterapia ou outros métodos a ser decidido caso a caso. O tratamento não cirúrgico visa a melhora da dor no joelho, ainda que não leve a cicatrização dos meniscos rompidos.

Tratamento cirúrgico

As lesões de meniscos são usualmente tratadas através de artroscopia, procedimento que consiste na visualização das estruturas internas do joelho através de uma microcâmera introduzida no joelho através de pequena incisão na parte da frente do joelho. Outra pequena incisão é feita para a introdução dos instrumentais cirúrgicos. Nos casos das suturas de meniscos, outros cortes podem ser feitos a depender da técnica.

Demonstração de artroscopia do joelho, técnica em que se visualiza as estruturas internas do joelho através de uma microcâmera.[/caption]

As lesões podem ser tratadas cirurgicamente de duas formas: pela ressecção da lesão, procedimento denominado de meniscectomia, em que o fragmento rompido é cortado e retirado, de forma que o menisco fica com o tamanho reduzido, ou através de sutura do menisco, quando se dá pontos no local da lesão com o objetivo de estabilizar e permitir a cicatrização da mesma.

A ressecção da lesão, procedimento denominado de meniscectomia, é mais simples tecnicamente e permite um retorno mais precoce as atividades, porém tem a desvantagem de ficar com um menisco de tamanho reduzido, aumentando assim a sobrecarga de peso sobre a cartilagem articular e aumentando o risco de desenvolver artrose. Quanto maior e quanto mais periférica for a lesão maior o fragmento que precisa ser retirado, aumentando-se assim o risco futuro para artrose.

A decisão entre meniscectomia ou sutura do menisco depende de algumas características tanto da lesão como do paciente. Entre as características da lesão incluem-se a localização (qual a parte do menisco que está lesionado), o tempo de lesão (lesões mais antigas tendem a piorar as condições para sutura) e o aspecto da lesão nos exames de ressonância magnética e na artroscopia (se a lesão é horizontal, vertical, radial, com flap, complexa). Entre as características do paciente, deve-se levar em conta a idade (quanto mais velho, maiores a chance de falha na cicatrização e menor o risco para desenvolvimento futuro de osteoartrose), a atividade do paciente e a presença ou não de lesões associadas. A sutura deve ser o procedimento de escolha sempre que  possível.


Tratamento cirúrgico da lesão do menisco
(A) Menisco normal
(B) Meniscectomia
(C) Sutura do menisco
(D) Cortes na pele após a cirurgia de lesão do menisco.

Reabilitação

Quando é realizada a meniscectomia, a recuperação é geralmente 1 semana de apoio com muletas é suficiente. Quando é realizada a sutura do menisco, é necessário um período mais prolongado com muletas, entre 4 a 6 semanas, período para cicatrização da região suturada.

Quer saber mais ?

Leave a Reply

Your email address will not be published.

WhatsApp chat