Lesões do ombro no rugby

As lesões no ombro correspondem a 20% de todas as lesões no rugby, sendo a segunda articulação mais comumente lesada, após o joelho. 35% de todas as lesões no ombro são lesões recorrentes. Além disso, jogadores que tiveram uma lesão no ombro têm uma maior probabilidade de apresentarem lesão no outro ombro. O tackle é responsável por 49% das lesões no ombro do jogador de rugby.

Como acontecem as lesões?

Existem dois mecanismos comuns de lesões no rugby:

Quando o braço está afastado do corpo e é girado para fora – geralmente no tackle ou no try;

Impacto direto sobre o ombro durante o tackle ou quando o atleta cai no chão sobre o ombro, segurando a bola.

Os golpes que acontecem com o ombro sendo forçado para trás com o braço afastado do corpo têm o potencial de causarem uma luxação do ombro, que é quando ele “se desencaixa”. Estudos demonstram, porém, que esta é uma lesão relativamente incomum no rugby, provavelmente em decorrência do grande envelope muscular da maior parte dos jogadores.

Por outro lado, o número de lesões do labrum são elevadas, o que sugere uma subluxação subclínica, que é quando o ombro começa a se deslocar mas acaba retornando a sua posição original.

Lesões da clavícula

As lesões na clavícula decorrem do trauma direto na face lateral do ombro, seja contra um jogador oponente, seja contra o solo. Estes traumas podem resultar tanto em uma fratura da clavícula como em um deslocamento da clavícula em relação a uma proeminência óssea onde ela se prende (luxação acrômio clavicular). Estas lesões correspondem a 28% das lesões que acometem o ombro do jogador de rugby.

Além disso, os traumas repetitivos sobre a articulação acromioclavicular podem levar ao desenvolvimento de artrose e dor. Estes atletas passam a apresentar dor na parte superior do ombro (articulação acromiclavicular) que piora ao elevar o braço acima do nível da cabeça.

Prevenção de lesões

O ombro é uma articulação de grande mobilidade às custas de uma relativa instabilidade. Uma vez que a anatomia óssea não traz muita estabilidade, a articulação depende de uma boa musculatura para funcionar adequadamente. Fazer um trabalho paralelo ao rugby para fortalecimento e reequilíbrio muscular é fundamental para se evitar as lesões.

Assim como no joelho, o risco para lesões no ombro aumenta muito quando o nível dos jogadores é muito diferente. Isso ocorre porque o jogador mais fraco física e tecnicamente não será capaz de se defender adequadamente de um golpe muito bem aplicado por um adversário mais forte fisicamente. Jogar contra adversários muito mais fortes, desta forma, envolve mais do que simplesmente um mau resultado.

O Dr. João Hollanda é ortopedista especialista em joelho e lesões no esporte, e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.
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