Lesão do quadríceps(reto femoral)

Lesão do quadríceps(reto femoral)

O quadríceps é uma das maiores musculaturas do corpo, localizado na parte da frente da coxa. É formado por quatro músculos: vasto medial, vasto lateral, vasto intermédio e reto femoral. Estes músculos têm uma inserção em comum na patela, através do tendão patelar, e todos iniciam-se abaixo do quadril, exceto um deles: o reto femoral.

O reto femoral tem origem na pelve, de forma que cruza duas articulações: o quadril e o joelho.

Como ocorrem as lesões no quadríceps?

A lesão envolve, na absoluta maioria dos casos, o músculo reto femoral. Isso acontece pelo fato de ele ser o único dos quatro músculos do quadríceps que é biarticular, ou seja, que além de cruzar o joelho cruza também a articulação do quadril.

Os principais mecanismos de lesão são:

  • Hiperflexão: quando o atleta realiza a aterrizagem mal-executada de um salto, quando se cai com o joelho mais dobrado do que o habitual;
  • desaceleração brusca em uma corrida.
Atletas envolvidos com esportes de saltos, como a ginástica, o skate, o vôlei ou mesmo o futebol estão especialmente vulneráveis a estas lesões, principalmente aqueles com idade acima dos 40 anos.

O que o paciente sente após uma lesão do quadríceps?

A maior parte das lesões no quadríceps envolve o músculo reto femoral, com os demais músculos permanecendo íntegros. Assim, pode até ser observado um GAP (“buraco”) na musculatura, mas a função costuma permanecer relativamente bem preservada.

Como o reto femoral é uma musculatura biarticular, tanto a extensão do quadril como a flexão do joelho podem desencadear a dor. Em pacientes com lesão antiga, o defeito na musculatura pode até continuar visível, mas, como regra geral, a função é boa até mesmo para o esporte de alto rendimento.

A: Local da dor na lesão do quadríceps; B: GAP na musculatura no lugar da lesão; C: Área de equimose característica da lesão muscular; D: Teste usado para a avaliação do quadríceps, no qual a dor é provocada pela extensão do quadril e flexão do joelho.

Classificação das lesões do quadríceps

A lesão do quadríceps pode ser classificada em três tipos, de acordo com a quantidade de fibras musculares que é acometida:

  • Grau I: Lesão de até 5% das fibras musculares. São lesões de bom prognóstico, com pouca limitação funcional e rápida recuperação. Usualmente, o paciente não sente dor sem a realização de esforço físico;
  • Grau II: Rompimento de 5% a 50% das fibras musculares. Pode evoluir com equimose leve (mancha roxa na pele). A dor é mais intensa e pode levar a alguma dificuldade para caminhar nos primeiros dias;
  • Grau III: Distensão de mais de 50% das fibras musculares, com importante perda da função. Em pacientes mais magros, pode ser percebida a presença de um defeito palpável. A dor varia de moderada a muito intensa. O edema, a equimose e o hematoma são mais pronunciados.

    A equimose, que é a formação de áreas roxas na pele, ocorre durante o processo de absorção do sangue. Usualmente, aparece nos dias seguintes à lesão. Em função da força da gravidade, o sangue pode descer em direção ao pé e a equimose, da mesma forma, pode estar presente mesmo fora da área da lesão.

Tratamento da lesão do quadríceps

A maioria das lesões do quadríceps responde bem ao tratamento não cirúrgico, mesmo no caso de lesões completas (grau III) e em atletas profissionais. Fraturas por avulsão óssea é uma possível exceção a isso.

O tratamento é dividido em três fases:

Fase 1 (destruição)

É a fase inicial do tratamento da lesão, que idealmente deve se iniciar ainda dentro de campo. Esta fase se caracteriza pela formação de um hematoma a partir do sangramento no local da lesão. O tratamento deve envolver o uso de faixas compressivas, gelo e, eventualmente, muletas.

O gelo deve ser iniciado tão cedo quanto possível e aplicado por 20 a 30 minutos de cada vez, podendo ser repetido a cada duas horas. Menos que 20 minutos não levará ao resfriamento necessário; mais do que 30 minutos pode levar a um sofrimento da pele ou a um efeito rebote, inclusive com piora da dor. Além disso, o gelo não deve ser aplicado diretamente sobre a pele, mas sim protegido por um pano ou saco.

O uso de medicações anti-inflamatórias deve ser feito de forma criteriosa e por pouco tempo. A inflamação faz parte do processo de recuperação e cicatrização da lesão muscular e, até certo ponto, é desejável após uma lesão. Sem inflamação, o músculo não cicatriza adequadamente. A inflamação excessiva, por outro lado, leva a um aumento dos radicais livres e pode levar a um dano muscular secundário.

Assim, nas lesões mais significativas, os anti-inflamatórios, quando indicados, devem ser usados por curto período (dois a três dias) devendo ser descontinuado após este tempo. Nas lesões mais leves, o gelo pode ser suficiente, sem a necessidade de medicações anti-inflamatórias.

Fase 2 (reparo)

Nesta fase, o hematoma vai gradativamente sendo substituído por um tecido cicatricial/ de reparo. Recursos como o ultrassom e o laser ajudam a potencializar a reabsorção do hematoma, a reduzir a magnitude da inflamação e a reduzir o espasmo muscular. Exercícios de alongamento buscando recuperar a mobilidade normal das articulações são introduzidos de acordo com a tolerância de dor do paciente. Exercícios para fortalecimento são incluídos conforme tolerado.

Fase 3 (remodelação)

Nesta fase, o tecido de reparo vai se remodelando para assumir características mais próximas do tecido original, ainda que este reparo nunca recupere, de fato, o aspecto de uma musculatura normal.

Exercícios de fortalecimento e o gesto esportivo são gradualmente introduzidos para que, ao final desta fase, o atleta esteja em condições de reassumir sua prática esportiva habitual.

Retorno esportivo

O retorno esportivo será consequência de todo um processo de reabilitação, conforme descrito acima. Assim, depende mais da evolução individual do que de um tempo cronológico específico. Como referência, porém, podemos considerar os seguintes tempos:

  • Lesão Grau I: 1 a 2 semanas;
  • Lesão Grau II: 4 a 6 semanas;
  • Lesão Grau III: 2 a 3 meses.
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