Lesão SLAP

O termo SLAP deriva da língua inglesa, do termo “Superior Labrum Anterior and Posterior”. Em outras palavras, representa uma lesão na parte superior do labrum. O labrum é um anel de cartilagem de formato oval que envolve toda a borda da cavidade glenoidale ajuda na esestabilização do ombro.

Em sua parte superior, onde se localiza a lesão SLAP, o labrum serve de fixação para o tendão do bíceps, sendo que o bíceps pode ou não estar envolvido na lesão. A lesão SLAP corre para frente (anterior) ou para tras (posterior) do ponto de fixação do tendão do bíceps.

Como a lesão SLAP acontece?

Lesões no labrum superior podem ser causadas por trauma agudo ou por movimentos repetitivos do ombro. Uma lesão aguda por SLAP pode resultar de:

  • Trauma no ombro (acidente automobilístico, queda com o braço estendido etc.);
  • Nas luxações do ombro;
  • Por excesso de força, como ao carregar um objeto pesado;
  • Pessoas que praticam esportes que envolvem movimentos repetitivos com o braço acima do nível da cabeça, como os arremessadores ou levantadores de peso, podem sofrer lágrimas labiais como resultado destes esforços repetitivos. Muitas lágrimas SLAP, no entanto, são o resultado de um desgaste do labrum que ocorre lentamente ao longo do tempo. Em pacientes com mais de 30 a 40 anos de idade, a ruptura ou desgaste do labrum superior pode ser vista como um processo normal de envelhecimento.

Quais são os sintomas da lesão do lábio superior (lesão SLAP)?

De modo geral, os sintomas da lesão SLAP são semelhantes a outras alterações no ombro e incluem:

  • Estalos ou sensação de “travamento”;
  • Dor para realizar alguns movimentos do braço (erguer o braço acima da cabeça ou alcançar as costas com a mão, por exemplo) e ao carregar objetos;
  • Dor durante as atividades do dia a dia: lavar louça, varrer a casa, tomar banho (levantar o braço para lavar os cabelos), deitar sobre o ombro etc.;
  • Perda da força do ombro e, em atletas de modalidades que envolvem arremessos ou lançamentos, sensação de “braço morto”, como se ele não respondesse a estes movimentos;
  • Instabilidade no ombro e sensação de que vai “sair do lugar”.

Como é o diagnóstico da lesão SLAP?

O diagnóstico clínico da lesão SLAP é bastante impreciso e pode se confundir com outros tipos de lesão. Além disso, o fato de a lesão SLAP estar frequentemente associada a outras lesões no ombro (como lesões do manguito rotador e da cartilagem, por exemplo) pode dificultar o diagnóstico.

Por essa razão, é necessário um exame de ressonância magnética e, em alguns casos, com a injeção de contraste intra-articular para aumentar a sensibilidade do exame (artrorressonância magnética).

Quais são os tipos de lesão SLAP?

As lesões SLAP podem ser muito diferentes uma da outra, sendo que o tratamento e o prognóstico dependem das características de cada lesão. Assim, as lesões podem ser classificadas em quatro tipos:

  • Tipo I, é uma lesão degenerativa, sendo a mais comum das lesões SLAP e a menos grave. Acomete geralmente pacientes acima de 50 anos. Em jovens, acontece em associação com as lesões do manguito rotador. São lesões pouco sintomáticas, de forma que é preciso procurar outros motivos para a dor do paciente.
  • Tipo II, é o tipo de lesão SLAP mais comum em atletas. É também uma lesão degenerativa, mas desta vez com a desinserção completa do lábio superior junto com o bíceps, causando uma instabilidade;
  • Tipo III, caracteriza-se pela lesão em “alça de balde” do lábio superior, mas com o restante do lábio e mais a inserção do bíceps firmes;
  • Tipo IV: também é uma lesão em “alça de balde”, mas que se prolonga até o tendão do bíceps, com ambos entrando na articulação.

Como é o tratamento da lesão SLAP?

Pacientes diagnosticados com a lesão SLAP mas que não apresentam sintomas ou limitações, não é necessário nenhum tipo de tratamento. Em alguns pacientes, o médico poderá indicar o uso de gelo, medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios por um curto período e fisioterapia.

É importante dizer que a reabilitação não é capaz de corrigir a lesão do lábio superior, pois esta região não cicatriza sozinha. Mesmo assim, na maioria dos casos, ela é uma medida suficiente para reduzir a dor e os sintomas da lesão SLAP.

A cirurgia é indicada nos casos com instabilidade do bíceps e que não apresentem melhora com o tratamento não cirúrgico.

Como é o tratamento cirúrgico da lesão SLAP?

O tratamento cirúrgico é feito por artroscopia (vídeo). Existem vários tipos diferentes de lágrimas SLAP. Após a avaliação completa da lesão, em alguns casos é realizada apenas a retirada do pedaço solto do labrum; em alguns pacientes, o labrum é reparado por meio de sutura e, em outros, o tendão do bíceps é liberado para aliviar os sintomas dolorosos.

1- Reparo labral, realizado com a colocação de âncoras de sutura (pontos cirúrgicos) que “prendem” o lábrum em seu local de origem na cavidade glenoidal. Embora apresente resultados satisfatórios, o tempo de recuperação é prolongado e envolve um risco de rigidez, dor residual e limitação do movimento de rotação externa do ombro;

2- Tenodese do bíceps, técnica que vem sendo mais utilizada atualmente, por apresentar melhores resultados, especialmente em pessoas acima dos 35 anos. Nesta técnica cirúrgica, o tendão do bíceps é cortado do lábio superior da glenoide (seu local original) e reinserido no úmero através de âncoras ou pequenos parafusos.

Estudos recentes têm mostrado menor risco de rigidez, maior chance de melhora da dor e melhor restabelecimento do controle neuromuscular do ombro com a tenodese do bíceps, na comparação com a técnica do reparo labral. No entanto, nos pacientes que são atletas de alta performance, existe um risco pequeno de perda de potência no arremesso ou lançamento.

Como é a recuperação pós-cirúrgica da lesão SLAP?

A lesão SLAP muitas vezes é tratada em associação com outras lesões, principalmente dos tendões do manguito rotador. Nestes casos, deve-se considerar o protocolo de pós operatório para cada uma das lesões associadas.

No caso da lesão SLAP isolada, o uso de tipoia deverá ser feito por um curto período, estabelecido pelo médico. O controle do inchaço poderá ocorrer com aplicação de gelo. Depois, o paciente terá que iniciar a reabilitação, com retorno às atividades entre 3 e 7 meses, dependendo da evolução de cada paciente e de sua demanda física.

Numa primeira fase, o médico ou o fisioterapeuta devem esclarecer o paciente sobre movimentos a serem evitados de início, como trazer o braço lateralmente para trás ou rodá-lo para fora, por exemplo – para não prejudicar a correta cicatrização.

Além disso, o profissional responsável pela reabilitação também irá orientar o paciente sobre os exercícios de ganho de arco de movimento e de fortalecimento muscular. O acompanhamento profissional é fundamental na condução dos exercícios e na progressão das cargas, para garantir segurança ao processo de reabilitação.    
Contato