Impacto do tornozelo

O impacto no tornozelo caracteriza-se por uma dor decorrente do aprisionamento de estruturas na parte da frente (impacto anterior) ou na parte de trás do tornozelo (impacto posterior). A obstrução mecânica que provoca o impacto pode ser decorrente da presença de osteófitos (proeminências ósseas / “bico de papagaio”) e / ou aprisionamento de tecidos moles (gordura, cápsula sinovial) devido à inflamação, cicatrizes ou hipermobilidade.

Impacto Anterior do tornozelo

Popularmente conhecido como "tornozelo do atleta" ou "tornozelo do jogador de futebol", o impacto anterior do tornozelo é causado por traumas repetitivos com o pé flexionado (apontando para cima) ou por entorses de repetição. Isso leva a danos às estruturas anteriores, principalmente à cartilagem articular.

O impacto pode ser de três tipos:

• Ósseo: conflito entre as superfícies ósseas adjacentes;

• Partes moles: aprisionamento dos tecidos moles na parte da frente do tornozelo, resultando em inflamação crônica, sinovite e hipertrofia capsuloligamentar;

• Misto: Mais comum, quando tanto o osso como os tecidos moles estão envolvidos.

Além da dor, o paciente com impacto anterior do tornozelo refere uma "sensação de bloqueio" ao tentar flexionar o tornozelo. Pode também apresentar inchaço palpável no local. A mobilidade do tornozelo fica limitada e o paciente passa a apresentar dor com agachamento, corrida ou subida de escadas e ladeiras.

Localização da dor no paciente com impacto anterior do tornozelo

O diagnóstico é feito pelo ortopedista com base na história clínica e no exame físico. As radiografias podem demostrar as alterações ósseas características do impacto anterior do tornozelo, mas a ressonância magnética é um exame mais completo, uma vez que além de demonstrar o impacto ósseo também mostram as alterações de partes moles sugestivas do impacto.

A imagem da esquerda demonstra uma radiografia normal. A imagem da direita, uma radiografia com sinais de impacto anterior do tornozelo.

O tratamento com fisioterapia ajuda na melhora da dor e na recuperação da inflamação dos tecidos moles na região. Exercícios serão prescritos também com foco na estabilização do tornozelo.

O tratamento cirúrgico poderá ser recomendado na falha do tratamento não cirúrgico, ainda que atletas com quadro mais exuberante podem ter indicação cirúrgica precoce. A cirurgia envolve a ressecção ou desbridamento de lesões ósseas, lesões de tecidos moles ou ambas.

Impacto posterior do tornozelo

O impacto posterior do tornozelo é conhecido no meio médico como "calcanhar de dançarino", pela frequência com que acomete estes atletas / artistas. Eventualmente, acomete também outros atletas onde o movimento de extensão forçada do tornozelo esteja presente, como no futebol, basquete, vôlei e atletismo.

Localização da dor no paciente com impacto posterior do tornozelo

A anatomia da região posterior do tornozelo parece ser um fator chave no desenvolvimento do impacto posterior do tornozelo. Aproximadamente 7% da população possui um ossículo acessório na região denominado de Os Trigonum. A maior parte das pessoas que apresentam o os trigonum são completamente assintomáticas, mas a associação do os trigonum com a prática de esportes de risco é a principal causa para o impacto posterior do tornozelo.

A imagem da esquerda apresenta um tornozelo normal, sem sinais de impacto. A imagem da direita, um tornozelo com Os Trigonum e sinais de impacto posterior do tornozelo.

Bailarinos (mais especificamente as bailarinas) são, sem dúvidas, os mais acometidos pelo impacto posterior, devido aos exercícios realizados na ponta dos pés, com o tornozelo completamente extendido. Na corrida, o impacto acontece no momento do desprendimento do pé do solo e, no futebol, está relacionado ao chute com o peito do pé.

Os pacientes apresentam dor na região posterior do tornozelo intensificada quando se força o pé para baixo (posição de ponta dos pés). A mobilidade do tornozelo para baixo também fica limitada, com menos movimento do que no pé oposto.

O diagnóstico é feito pelo ortopedista com base na história clínica e no exame físico. As radiografias e a ressonância magnética poderão demonstrar o Os Trigonum. Além disso, a ressonância magnética pode demonstrar o comprometimento dos tecidos moles na região.

O tratamento com fisioterapia ajuda na melhora da dor e na recuperação da inflamação dos tecidos moles na região. Exercícios serão prescritos também com foco na estabilização do tornozelo. Para atletas que estejam perdendo o rendimento, porém, o resultado com o tratamento não cirúrgico acaba sendo limitado. Para estes pacientes, a intervenção cirúrgica poderá ser recomendada já no início do processo de tratamento.

A cirurgia envolve a ressecção ou desbridamento de lesões ósseas (os trigonum), lesões de tecidos moles ou ambas.
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