Fraturas em crianças

O aumento da prática esportiva entre as crianças tem levado também a um maior risco de trauma e, consequentemente, de fraturas. Os ossos das crianças apresentam características diferentes em relação aos ossos adultos, de forma que as fraturas também apresentam características próprias. Assim, o tratamento deve não apenas considerar as características da fratura, mas também o potencial de crescimento.

Diferenças entre o osso da criança e do adulto

São características do osso da criança:

  • Maior elasticidade e porosidade;
  • Periósteo mais resistente (membrana que envolve o osso;
  • Presença das cartilagens de crescimento (local onde o osso cresce).

Diferenças das fraturas na criança e no adulto

As características do osso infantil listadas acima influenciam diretamente nas características das fraturas que acontecem em crianças. De modo geral, as crianças tendem a apresentar fraturas incompletas. Já as fraturas cominutivas, nas quais o osso se quebra em vários pedaços, são incomuns.

O trauma necessário para provocar uma fratura na criança nem sempre é violento. Um tropeço seguido de queda ao chão pode ser suficiente.

Tipos de fraturas específicos das crianças

  1. Descolamento epifisário:

    são fraturas que atingem a placa de crescimento e, por isso, têm potencial para comprometer o crescimento da criança;

  2. Fratura em “galho verde”:

    É um tipo de fratura incompleta do osso, em que um lado dele permanece íntegro. Este tipo de fratura decorre da maior elasticidade do osso, que lembra o que acontece quando tentamos quebrar um galho verde. Em adultos, a fratura tende a ocorrer de forma similar à quebra de um galho seco, que se parte ao meio;

  3. Fratura em torus:

    Ao invés de se romper de um lado a outro, o que se observa é um “amassado” no osso. O periósseo permanece íntegro. São fraturas muito comuns no punho;

  4. Fratura por avulsão:

    Devido à apófise de crescimento do osso, este se torna o ponto mais frágil do conjunto músculo-tendão-osso. Se nos adultos as lesões nos músculos e tendões são mais comuns, nas crianças as avulsões (arranchamento) óssea tendem a acontecer antes que o músculo ou tendão se rompam.

Tratamento das fraturas em crianças

A maior parte das fraturas em crianças tende a ser tratada de forma não cirúrgica. Isso ocorre por diversos motivos:

  • O periósseo, sendo mais espesso e mais elástico, permanece íntegro ou parcialmente íntegro na maior parte das fraturas. Isso ajuda a recuperar o alinhamento adequado dos ossos e, uma vez obtido este bom alinhamento, também auxilia a preservá-lo durante o tratamento;
  • A maior parte das fraturas é simples ou incompleta;
  • O tempo para a fratura “colar” (consolidar) é menor;
  • Em alguns casos, pequenos desalinhamentos podem ser aceitos, pois tendem a ser corrigidos com o crescimento.

Algumas fraturas, porém, exigem tratamento cirúrgico. Por isso, toda fratura deve ser avaliada caso a caso. Fraturas com descolamento epifisário, quando não se consegue um alinhamento satisfatório, precisam ser operadas. Da mesma forma, as fraturas por avulsão também comumente exigem tratamento cirúrgico.

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