Ciclo menstrual na mulher atleta

O ciclo menstrual tem influência direta no corpo, na disposição e no desempenho da mulher atleta. Nada é mais irritante e estressante do que lidar com um período pesado ou doloroso quando se busca competir em alto nível. Alguns corredores podem até optar por pular seus períodos inteiramente quando estes se sobreporem a competições importantes.

Embora se pense que os contraceptivos orais estabilizem os hormônios e melhorem o desempenho atlético, este é um assunto bastante controverso, com alguns estudos demonstrando efeitos positivos e outros demonstrando efeitos negativos.

Recentemente, o tópico surgiu nas notícias de corrida quando a atleta Stephanie Bruce anunciou uma gravidez surpresa e disse ao “Runner's World” que ela nunca esteve no controle da natalidade porque os anticoncepcionais "tem muitos efeitos negativos na corrida".

A comprovação destes efeitos é muito difícil: cada mulher responde de forma bastante particular tanto ao ciclo menstrual como aos contraceptivos. Ainda que minoria, existem mulheres que até preferem competir “em seus dias”. Mais do que isso, existe uma grande variabilidade nos tipos e concentrações hormonais nas diferentes marcas de anticoncepcionais.

As mudanças hormonais relacionadas ao ciclo menstrual e às pílulas anticoncepcionais podem afetar várias partes do corpo, incluindo músculos, ossos, resistência, nível de energia e de atenção. Isso pode não apenas influenciar no desempenho mas, também, no risco de lesões. À medida que o estrogênio aumenta no corpo, os ligamentos e tendões se tornam mais frouxos, o que pode causar instabilidade no tornozelo ou joelho.

As lesões do Ligamento Cruzado Anterior são entre duas e seis vezes mais frequentes entre as mulheres quando comparado aos homens, e um dos motivos apontados para isso são as variações hormonais das mulheres.

Ainda que não existam “regras claras” que possam ser aplicadas a todas as mulheres, o acompanhamento por médicos ginecologistas com atuação na medicina do exporte é fundamental para aquelas que almejam o desempenho esportivo. É preciso que se entenda como o ciclo menstrual e como o eventual uso de contraceptivos funciona no corpo de cada atleta.

A prática de atividades esportivas e, mais especificamente, o esporte competitivo, tem aumentado recentemente. Classicamente, a mulher era protagonista em e atividades físicas que envolvem expressão corporal, como a ginástica artística e rítmica, o nado sincronizado e o ballet, mas a participação feminina em esportes tradicionalmente dominadas por homens, como as lutas ou o futebol, tem crescido.

O corpo do homem e da mulher respondem de forma diferente ao mesmo estímulo físico, e alguns pontos devem ser levados em consideração no tratamento médico da mulher atleta, principalmente relacionados ao ciclo menstrual. A tríade da mulher atleta é uma preocupação principalmente nos esportes que prezam por um corpo extremamente magro. Recentemente, é discutida a participação de atletas transgênero em competições femininas.
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