Artrose no Joelho

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ARTROSE NO JOELHO

Veja no vídeo as explicações do Dr João Hollanda a respeito da artrose do joelho:

Artrose do joelho

A artrose, também chamada de osteoartrose ou osteoartrite, é uma doença caracterizada pelo desgaste da cartilagem nas articulações e sua incidência aumenta com o avanço da idade, sendo bastante frequente na população idosa. Embora possa ocorrer em qualquer articulação, o desgaste é mais frequente naquelas que sustentam o peso do corpo, como os joelhos, os quadris e a coluna. 

Devido a extensão do assunto, dividiremos aqui a discussão sobre a artrose em quatro partes:

– Avaliação e diagnóstico

Artrose de Joelho – Tratamento não cirúrgico

Infiltração do joelho

Prótese de joelho Tratamento cirúrgico 

Artrose do joelho – Avaliação e diagnóstico

Como é feito o diagnóstico da artrose?

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é feito pelo ortopedista especialista em joelho, com base na história do paciente, exame físico e exames de imagem:

  • História clínica: o paciente relata dor no joelho, inicialmente de pouca relevância, inclusive durante a noite e em períodos de repouso, que causa, com frequência, dificuldade para encontrar uma boa posição para dormir. Eventualmente, acorda durante a noite devido à dor. Ao se levantar, sente rigidez e uma piora da dor, que demora alguns minutos para melhorar. A dor ocorre em crises, com períodos de melhora e de piora. Nos casos mais avançados, porém, ela estará sempre presente;
  • Exame físico: observa-se crepitação ou rangido com a movimentação da articulação envolvida, uma sensação de que se tem areia dentro do joelho. Pode-se observar aumento de volume no local (inchaço). Nos casos mais avançados, a articulação começa a entortar. Eventualmente, os ligamentos também são destruídos pelo processo degenerativo, podendo ocorrer instabilidade;
  • Exames de imagem: o melhor exame para o diagnóstico da artrose do joelho é a radiografia simples (raio-X), apesar de muitos pacientes e médicos considerarem este um exame simples e de menor importância. Além de ser rápido e de baixo custo, nos casos de artrose do joelho o exame fornece até mais informações do que exames complexos como a ressonância magnética. As radiografias devem ser feitas com o paciente em pé, sustentando o peso do corpo. Deve-se observar o espaço articular (entre um osso e outro), a presença de osteófitos (“bicos de papagaio”), escleroses (áreas de maior densidade óssea), cistos e eventuais deformidades.

Artrose: quais os fatores associados à doença?

Os seguintes fatores estão relacionados ao desenvolvimento da artrose:

  • Mecânicos: quando há uma sobrecarga na cartilagem articular, que pode estar ligada a esportes de alta intensidade, excesso de peso, deformidades e traumas;
  • Inflamatórios: quando ocorre um aumento do processo inflamatório na articulação, como na diabetes, doenças reumáticas, obesidade e envelhecimento;
  • Genéticos: quando há uma predisposição genética ou hereditária.

A dor no paciente com artrose costuma ter origem multifatorial. Isso quer dizer que, além do desgaste da cartilagem articular, diversos outros fatores podem contribuir para a dor e é preciso investigar outras causas da dor. De fato, enquanto alguns pacientes com artrose leve (do ponto de vista radiográfico) têm dificuldade para executar tarefas do dia a dia devido à dor, outros com artrose muito mais avançada conseguem até mesmo jogar futebol. 

Fatores como estado geral do paciente, fraqueza muscular, contratura articular, condicionamento físico, obesidade, problemas nutricionais, problemas hormonais, fadiga, problemas com o sono, depressão e doenças como fibromialgia, artrite reumatóide ou diabetes influem no tratamento de pacientes com dor articular e artrose.

Fraqueza muscular

Pacientes com dor articular, principalmente idosos, frequentemente apresentam fraqueza acentuada da musculatura. Esses pacientes podem ter déficit não apenas do volume muscular total, mas também da força e da função da musculatura. Essa redução progressiva e generalizada da musculatura, típica dos idosos, é denominada sarcopenia, diagnosticada a partir da redução em dois dos três critérios abaixo:

  • Massa muscular: quantidade de tecido muscular no corpo. Um adulto saudável deve possuir em torno de 60% de seu peso total composto por músculo;
  • Força muscular: tensão que o músculo é capaz de gerar em um determinado movimento. Depende não apenas da massa muscular, mas também de fatores como a inervação (distribuição de fibras nervosas) e o fornecimento de nutrientes para a musculatura, e costuma estar prejudicada nos idosos;
  • Função muscular: capacidade de produzir movimentos como levantar da cadeira e sair andando. Isso envolve não apenas a força, mas também a coordenação entre os diversos grupos musculares. Dependendo dessa coordenação, idosos com a mesma força podem ter função bastante diferentes.

Sedentarismo

A falta de atividades físicas é um problema em todas as faixas etárias, mas é muito mais perceptível no idoso. Pacientes idosos não têm uma reserva funcional para suportar eventuais perdas. Além disso, qualquer pequena perda de musculatura fará com que ele piore sua função. Quanto menos ativo for o idoso, mais rápida será sua piora funcional. 

Além da perda da massa muscular, o sedentarismo está relacionado ao desenvolvimento de obesidade, piora do condicionamento cardiovascular, aumento do processo inflamatório, desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão arterial e até mesmo certos tipos de câncer. O funcionamento adequado de praticamente todo tecido do corpo humano é impactado pelo sedentarismo, e tudo isso contribui para a dor do paciente com osteoartrose.

Envelhecimento

A osteoartrose é uma doença típica da população idosa e o processo de envelhecimento tem relação direta com a dor desses pacientes. A enorme evolução da medicina no último século fez a expectativa de vida no Brasil pular dos 45 anos em 1940 para 75 anos atualmente, sendo ainda maior em grupos populacionais específicos. 

As pessoas sobrevivem ao câncer, ao infarto e com insuficiência renal. Com isso, passam a viver mais tempo, mesmo que debilitadas por doenças típicas da população idosa. O prolongamento da expectativa de vida associado a um estilo de vida pouco saudável evidencia os efeitos do envelhecimento, como dor articular e artrose. O grande desafio da medicina nos próximos anos será fazer o idoso não apenas viver mais, mas viver melhor.

Alterações hormonais

Com o avanço da idade, a queda das taxas dos hormônios sexuais ocorre tanto nas mulheres (menopausa, entre 45 e 55 anos), como nos homens (andropausa, geralmente após os 50 anos). A menopausa ocorre quando há o término dos ciclos menstruais e ovulatórios, e a andropausa caracteriza-se pela redução na produção de testosterona. Tais alterações hormonais podem ter implicações na capacidade de ganho de massa muscular associado à prática de atividades físicas.

A deficiência dos hormônios tireoidianos, doença conhecida como hipotireoidismo, também deve ser investigada. O hipotireoidismo causa fadiga, ganho de peso, apatia, cansaço, fraqueza e, consequentemente, dor articular. Acomete de 14 a 20% das pessoas acima de 60 anos e seus sintomas são, com frequência, confundidos como parte do processo normal do envelhecimento.

Doença inflamatória

A inflamação crônica aumenta o risco de degradação da cartilagem articular e o desenvolvimento de osteoartrose. Pequenos aumentos nos níveis de marcadores inflamatórios em pacientes sem osteoartrose nos estágios iniciais da doença levam a uma piora progressiva do desgaste articular. Pacientes idosos, obesos, diabéticos ou com doenças reumatológicas tendem a ter aumento nos níveis desses marcadores.

Obesidade

Pacientes obesos tendem a desenvolver desgaste articular mais precocemente, em decorrência dos maiores níveis de estresse e sobrecarga da cartilagem articular. Além de terem maior quantidade de gordura, esses pacientes costumam apresentar pouca massa muscular, aumentando ainda mais a sobrecarga. Além disso, eles tendem a ter maiores níveis de marcadores inflamatórios, que também danificam as células da cartilagem.

Problemas relacionados ao sono

Frequentemente, pacientes idosos apresentam dificuldade para dormir ou outros problemas relacionados ao sono. Além disso, muitas vezes a osteoartrose provoca dor que piora com o imobilismo. Assim, os pacientes podem acordar durante a noite devido à dor e ter dificuldades para dormir novamente. O sono não reparador causará cansaço e um menor interesse em se manterem ativos. Com isso, a tensão muscular e a sensibilidade dolorosa tenderão a ser maiores.

Problemas psicossociais

A dor articular pode interferir significativamente na rotina diária. Pacientes deixam de realizar atividades que antes lhes davam prazer. No trabalho, vêm seu desempenho piorar, são cobrados por isso e não conseguem corresponder como gostariam. Com uma vida menos ativa, passam a ganhar peso, perdem a autoestima, sentem-se mais cansados e podem ter dificuldade para dormir à noite. Tudo isso contribui para a piora da dor e, portanto, para que os pacientes apresentem uma melhora, é fundamental observar esses fatores por meio de uma abordagem psicossocial da doença.

Como é a abordagem do paciente com dor articular?

O ortopedista especialista em joelho deve investigar mais a fundo o problema em cada paciente, para conhecer o grau do desgaste e seus fatores de origem. Assim, são competências do médico:

  • Submeter o paciente a uma avaliação musculoesquelética completa, envolvendo alinhamento e mobilidade das articulações, força e função muscular, postura e equilíbrio;
  • Avaliar a rotina do paciente, histórico recente e pregresso de atividades físicas e condicionamento físico geral;
  • Identificar outros fatores que possam ter influência na dor. Nessa lista estão obesidade, doenças como diabetes, hipertensão arterial ou artrite reumatóide, função cardiopulmonar, déficits hormonais relacionados à menopausa ou andropausa;
  • Saber do paciente sua rotina de sono, ocorrência de sensação de fadiga, bem como seu estado psíquico;
  • Deve questionar sobre tratamentos prévios e os resultados obtidos;
  • Por fim, pedir exames de imagem para identificar o grau do desgaste, local exato do acometimento e alinhamento articular.

Como é feita a avaliação musculoesquelética?

1- Avaliação da composição corporal
Pacientes com dor articular devem buscar um ganho de massa muscular total associado à perda de gordura, combinando exercícios físicos e dieta. Portanto, a aferição da composição corporal ajuda a traçar metas para os pacientes. Além disso, serve para avaliar a eficácia dos tratamentos instituídos, com exames de seguimento. Isso pode ser feito por meio da aferição de pregas cutâneas, medidas de circunferência, teste de bioimpedância ou cintilografia, entre outros.

2- Força e função muscular

Faz parte da avaliação musculoesquelética a avaliação da quantidade total de musculatura (composição corporal), a força capaz de ser produzida por grupos musculares específicos, bem como o adequado funcionamento dessa musculatura.

A força pode ser mensurada por meio de testes como a dinamometria, em que um aparelho específico é capaz de mensurar a força produzida em certos movimentos. Já a função muscular pode ser averiguada por meio de testes como o de caminhada de 6 minutos ou o TUG (Timed Up and Go). Essas avaliações fundamentais durante o acompanhamento do paciente, para avaliar a resposta ao tratamento.

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