Resultado da cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior

O resultado da cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior depende de fatores que vão muito além de um procedimento tecnicamente bem executado. Podemos dizer que a reabilitação pós reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior é tão importante quanto a cirurgia em sí para o resultado final, e não é incomum vermos pacientes com resultados insatisfatórios mesmo após uma cirurgia muito bem realizada, por não se dar a devida importância à reabilitação pós-cirúrgica.

O prognóstico depende também de fatores como a prática esportiva (esporte praticado e nível de prática esportiva), presença de lesões associadas (lesões de outros ligamentos, lesões da cartilagem articular, lesões nos meniscos) e idade do paciente.

Retorno esportivo após cirurgia de Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior

A cirurgia de Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior evoluiu muito nas últimas décadas, mas ainda assim não podemos dizer que o procedimento seja capaz de deixar o joelho como antes da lesão. Muitos estudos demonstram resultados “bons ou ótimos” na maioria dos pacientes, mas devemos levar em consideração o que é considerado um resultado “bom ou ótimo”: se até pouco tempo atrás a simples recuperação do joelho para as atividades do dia a dia já era considerada satisfatória, hoje a exigência é muito maior, buscando-se uma recuperação plena em termos de prática esportiva. Neste caso, vemos que os resultados não são tão bons assim: segundo uma revisão feita por Glogovac e colaboradores e publicado em 2019 na renomada revista “Arthroscopy”, a taxa de retorno ao esporte em qualquer nível variou de 56% a 100%, mas a taxa de retorno a esportes com maior exigência sobre o Ligamento Cruzado Anterior, no nível pré-lesão, variou de 13% a 69%. Este resultado é melhor em pacientes jovens e pior em atletas acima dos 30 ou 35 anos. Devemos levar em consideração, nestes casos, outros aspectos relacionados ao retorno esportivo além da lesão do ligamento: um atleta profissional nesta idade dificilmente retornará no mesmo nível esportivo depois de passar de 7 a 9 meses afastado do exporte, independente de ter ou não lesionado o ligamento.

Risco de nova lesão após a cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior

O paciente submetido à reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior apresenta risco relativamente semelhante de uma lesão secundária do ligamento operado ou de uma lesão no joelho não operado, o que mostra que a resistência do novo ligamento é comparável à do ligamento original. Existem, porém, fatores individuais que contribuem para um maior ou menor risco de lesão, de forma que um paciente que já teve uma lesão do Ligamento Cruzado Anterior tem uma probabilidade 15 vezes maior de apresentar uma lesão secundária, seja no ligamento operado, seja no joelho oposto, quando comparado com uma pessoa com o mesmo nível de atividade física mas com os ligamentos originais íntegros.

Segundo uma revisão feita por Wiggins e colaboradores, aproximadamente 15% dos pacientes submetidos a reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior terá uma nova lesão do ligamento, sendo 7% no joelho operado e 8% no joelho contralateral. Em menores de 25 anos, este risco aumenta para 21% (10% no joelho operado, 11% no joelho oposto). Entre pacientes que retornaram para esportes de alto risco, 23% apresentaram uma nova lesão (12% no joelho não operado). Ao se considerar pacientes menores de 20 anos e que retornam para esportes como o futebol, o risco passa dos 30%.

Artrose pós reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior

Pacientes submetidos à reconstrução do ligamento Cruzado Anterior apresentam risco 3 a 5 vezes maior de desenvolverem artrose do joelho comparado com pessoas sem histórico de lesão. Mesmo pacientes com a cartilagem íntegra no momento da cirurgia e que apresentam boa recuperação inicial após o procedimento apresentam risco aumentado para desgaste no joelho, e acredita-se que isso seja decorrente não da cirurgia, mas sim da força de impacção sobre a cartilagem no momento da lesão, podendo levar a morte celular com degeneração futura da cartilagem. A presença de lesões nos meniscos, principalmente em pacientes submetidos a uma meniscectomia, aumenta a sobrecarga sobre a articulação e o risco de desenvolvimento futuro de artrose no joelho.

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