Luxação da Patela

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Luxação da Patela

 

Veja no vídeo abaixo as explicações do Dr João Hollanda a respeito da Luxaçãoi da Patela:

O que é?

A luxação da patela caracteriza-se pelo deslocamento da rótula (patela) para o lado de fora do joelho.

Anatomia

A patela é um osso sesamóide que se articula com a tróclea, sulco localizado na parte da frente do fêmur. A anatomia da tróclea contribui para que a patela seja mantida no lugar, mas existe também um conjunto de músculos, tendões e ligamentos que contribuem para a estabilização da patela; os principais deles são os ligamentos patelofemoral medial e patelotibial medial.

O que o paciente sente?

Primeiro episódio de luxação

A primeira vez que a patela sai do lugar pode ser decorrente de um trauma de maior energia, mas frequentemente ocorre após pequenas torções. Usualmente o paciente tem a sensação de que a patela saiu e voltou imediatamente para sua posição. O joelho fica inchado e o paciente apresenta dor na parte da frente e de dentro do joelho.

Eventualmente a patela pode ficar presa na posição deslocada, e o próprio paciente a coloca de volta no lugar com a mão ou ao tentar esticar o joelho. Em alguns casos o paciente precisa que um médico, no hospital, coloque a patela no lugar.

Passadas as primeiras semanas, o joelho desincha e a dor melhora; alguns pacientes apresentam melhora completa e levam uma vida normal, mas eventualmente os ligamentos estabilizadores da patela cicatrizam mais frouxos e o paciente passa a desenvolver uma luxação recidivante (recorrente) da patela. Quanto mais jovem o paciente no momento da primeira luxação e quanto menor a energia do trauma que fez com que a luxação ocorresse, maior o risco de novas luxações.

Luxação recidivante (recorrente) da patela

A luxação recidivante da patela ocorre quando a patela já saiu do lugar duas ou mais vezes. Nestes casos, além de apresentar uma anatomia óssea que facilita o deslocamento, o paciente passa a apresentar uma insuficiência dos ligamentos que estabilizam a patela.

Cada vez que a patela se desloca, estes ligamentos tornam-se mais insuficientes e a energia necessária para fazer com que a patela se desloque torna-se cada vez menor. Os ligamentos patelofemoral medial e patelotibial medial tornam-se tão frouxos que não precisam mais se romper para que ocorra o deslocamento. Como o trauma aos ligamentos é minimizado, a dor também tende a ser menor e a recuperação mais rápida.

Durante o exame físico, a principal característica da luxação recidivante da patela se manifesta quando o médico reproduz o movimento que causa a luxação e o paciente demonstra grande apreensão com a sensação de que a patela irá se deslocar. Pode-se ainda observar o sinal do J invertido, quando o paciente, sentado, estica o joelho e, no final da extensão, ocorre um deslocamento lateral da patela.

Exames de imagem

As radiografias simples e a tomografia computadorizada devem ser solicitados para a avaliação dos fatores predisponentes para a luxação da patela. Ou seja, para avaliar o que está levando a patela a se deslocar.

A ressonância magnética ajuda na avaliação da cartilagem da patela e também do ligamento patelofemoral medial. Quando realizada pouco tempo depois de um episódio de luxação, pode apresentar um edema ósseo característico. Que ocorre tanto na patela como no fêmur, corroborando para o diagnóstico. Serve ainda para a avaliação de eventuais lesões associadas.

Porque a patela desloca?

Pacientes que apresentam luxação da patela costumam apresentar uma anatomia óssea que favorece esta luxação. Em casos nos quais a patela se desloca repetitivamente, é importante pesquisar quais fatores estão contribuindo para a instabilidade, já que é isso que guiará o tratamento.

Os principais fatores são:

1. Displasia da tróclea

O principal fator que predispõe uma pessoa a ter uma luxação da patela é a displasia da tróclea, ou seja, situação na qual a tróclea é mais rasa do que o habitual e a contenção óssea da patela é limitada. Pessoas que não possuem displasia dificilmente terão um episódio de luxação, já que nestes casos as fraturas ou rompimento dos ligamentos do joelho tendem a ocorrer antes da patela se deslocar.

Nem todos os pacientes com displasia de tróclea, porém, apresentam luxação da patela. Mesmo com a tróclea rasa, se os ligamentos patelofemoral medial e patelotibial medial estiverem firmes, a patela não irá se deslocar, de forma que muitas pessoas com displasia da tróclea têm uma vida normal e não fazem a menor ideia de que possuem a tróclea rasa.

 

2. Patela Alta

Pacientes com patela alta representam os poucos casos em que a luxação ocorre sem que exista uma displasia da tróclea. Já que nestes casos ela pode se desencaixar da extremidade superior da tróclea quando o joelho está esticado.

3. Tendão patelar lateralizado

Algumas pessoas possuem o tendão patelar mais lateralizado, gerando um vetor de força que puxa a patela para fora da tróclea. Isso facilitará a luxação quando associado aos outros fatores predisponentes descritos acima.

Tratamento

Primeiro episódio de luxação

Após o primeiro episódio de luxação, o tratamento, na maior parte dos casos, é não cirúrgico. O objetivo inicial deve ser a melhora da dor e do inchaço. A recuperação da mobilidade e permitir a adequada cicatrização dos ligamentos estabilizadores da patela.

Nos primeiros dias, deve-se fazer uso de medicações anti-inflamatórias, gelo e, eventualmente, imobilizadores.

A mobilização do joelho fora dos imobilizadores deve ser iniciada precocemente para evitar que o joelho perca mobilidade. Não se deve dobrar o joelho para além dos 90 graus (equivalente à posição sentada) durante o primeiro mês. De forma a permitir uma adequada cicatrização dos ligamentos.

O paciente frequentemente perde massa muscular durante esse período inicial. Eventualmente deve ser indicado um tratamento específico voltado para a recuperação desta musculatura e da função do joelho.

Luxação Recidivante

Em casos de luxação recidivante, o tratamento inicial deve ser o mesmo que foi descrito para o primeiro episódio de luxação. Com a diferença de que a recuperação tende a ser mais rápida. Não se deve, porém, esperar uma cicatrização completa dos ligamentos.

De forma que a tendência é que estas luxações ocorram com frequência cada vez maior e com menor energia de trauma, levando a cirurgia a ser indicada.

A técnica cirúrgica deve levar em consideração os fatores predisponentes observados nos exames de radiografia e tomografia computadorizada; o procedimento mais frequentemente realizado é a reconstrução dos ligamentos patelofemoral medial e patelofemoral medial. Com ou sem a medicalização da tuberosidade da tíbia.

Medialização da Tuberosidade da Tíbia

Em casos de patela alta, junto com a medialização pode-se proceder com o rebaixamento da Tuberosidade da Tibia. Porém, este é um procedimento bem menos frequente e geralmente feito após a falha de uma primeira cirurgia.

A displasia da tróclea pode em teoria ser corrigida através de um procedimento denominado de trocleoplastia. Devido à agressividade do procedimento ele é raramente indicado como procedimento cirúrgico inicial. A maior parte dos pacientes com displasia de tróclea pode ser adequadamente tratado através da reconstrução do Ligamento Patelofemoral Medial.

Reconstrução do Ligamento Patelofemoral Medial

 

 

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