Lesões no Tênis

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Lesões no Tênis

O tênis é um esporte bastante exigente do ponto de vista físico: envolve esforços repetitivos capazes de gerar lesões por sobrecarga e, ao mesmo tempo, exige deslocamentos rápidos e frequentes mudanças de direções, colocando o atleta sob risco de lesões traumáticas agudas.

Os esforços no tênis são assimétricos, já que os movimentos de saque ou de rebater a bola são feitos sempre com a mesma mão; isso tende a provocar desequilíbrios musculares, aumentando o risco de dores e lesões por sobrecarga.

Os diferentes tipos de quadra possuem exigências físicas específicas, de forma que as lesões também possuem características próprias.

Dois terços das lesões no tênis são devido ao uso excessivo, acometendo predominantemente os membros superiores (ombro, cotovelo e punho); eventualmente acometem também a coluna ou os joelhos. O outro terço das lesões acontece por trauma ou evento agudo, e predominam nos membros inferiores (tornozelo, joelho e quadril, por ordem de frequência).

As lesões por sobrecarga estão muitas vezes relacionadas a erros técnicos, e corrigir o gesto esportivo, a forma de segurar a raquete ou mesmo a troca da raquete ou da tensão do encordoamento pode ser tão ou mais importante do que tratar a lesão em sí. A epicondilite lateral, conhecida também como “cotovelo do tenista”, é a mais frequente destas lesões.

Já no caso de trauma, as lesões mais frequentes são a distensão da musculatura posterior da coxa e o entorse do tornozelo. Ainda que não seja possível eliminar totalmente o risco do trauma, estas duas lesões também têm relação direta com eventuais fraquezas ou desequilíbrios musculares, de forma que um bom preparo físico ajuda tanto a prevenir as lesões por esforços repetitivos como aquelas decorrentes de trauma.

Tipo de quadra

Existem vários tipos de piso para prática do tênis, mas eles podem ser divididos em três grupos: Grama, quadra dura (Lisonda, cimento, carpete) e Saibro; cada quadra tem características e exigências próprias, tanto tática como fisicamente, enquanto alguns tenistas conseguem manter bom rendimento em todos os pisos, outros apresentam clara preferencia por uma ou outra superfície.

Aqueles que almejam um bom ranqueamento, porém, terão obrigatoriamente que trocar de piso regularmente e precisarão ser competitivos em todas elas.

A principal diferença entre as quadras está no quique da bola e na possibilidade ou não de deslizamento do jogador na quadra. Na grama a bola não sobe muito e ganha velocidade após o quique, de forma que o jogo tende a ganhar em agressividade no saque e na devolução; no saibro o quique é mais alto e o jogo mais lento, o jogador tem mais tempo de preparação para os golpes, os deslocamentos laterais são mais frequentes e o pé desliza na quadra.

Em função de tudo isso, o numero de trocas de bola no fundo de quadra tende a ser maior e a força utilizada para a devolução da bola também é maior. Já a quadra dura apresenta uma combinação entre as características dos outros tipos de piso: o quique é intermediário, a velocidade da bola continua rápida, porém a quadra não permite o deslizamento do calçado, o que resulta em um maior trabalho corporal para realizar a freada.

Uma vez que as exigências físicas são diferentes, as lesões também diferem de uma quadra para a outra.

Estudos avaliaram o número de jogos interrompidos por lesões em partidas de Grand Slam e verificaram que os confrontos realizados em grama tiveram menores índices de interrupção, enquanto que os jogos em quadra rápida apresentaram maior número de partidas incompletas.

As quadras de saibro tendem a exigir mais dos membros superiores, uma vez que a troca de bolas é maior e a força utilizada nos golpes também é maior; pacientes que estejam retornando de uma lesão no ombro, cotovelo ou punho devem desta forma dar preferencia para o jogo em quadra rápida.

Os membros inferiores, por outro lado, são mais exigidos nas quadras duras, devido à maior velocidade e frequência das mudanças de direção. Atletas que estejam retornando de lesões nos membros inferiores (joelho, tornozelo) devem dar preferencia às quadras de saibro.

Lesões mais frequentes

Coluna

Dor na coluna é bastante comum entre os tenistas, principalmente após os 30 anos; aproximadamente 40% dos tenistas profissionais desistem de ao menos um torneio a cada temporada devido à dor lombar. Impacto repetitivo, frequentes acelerações e desacelerações e excesso de movimentos de tronco levam a uma sobrecarga na coluna, que com o tempo pode causar uma doença degenerativa dos discos intervertebrais.

O saque também merece atenção especial, já que a hiperextensão da coluna que ocorre na fase de armação para o saque pode levar ao desenvolvimento da espondilolise, um tipo de fratura por estresse que ocorre em atletas que fazem muito este movimento.

A imagem da esquerda demonstra o movimento de hiperextensão da coluna realizado durante o saque. Este movimento leva a um estresse sobre as estruturas posteriores da coluna e pode levar a um tipo característico de fratura por estresse, denominado de espondilolise, que é demonstrado na imagem da direita.

 

Ombro

Dor no ombro é uma queixa bastante comum entre tenistas, acometendo 25% dos atletas entre 12 e 19 anos e 50% daqueles com mais de 30 anos, estando associados principalmente aos movimentos repetitivos do esporte.

Durante a fase de desaceleração do ombro que ocorre no saque ou ao rebater a bola, a cápsula que estabiliza a parte de trás da articulação sofre com micro-lesões repetitivas; estas micro-lesões cicatrizam por meio de fibrose (tecido cicatricial), levando a uma retração (encurtamento) desta cápsula.

Com isso, o tenista perde parte do movimento de giro do ombro para dentro e seu eixo de rotação é alterado, levando a um impacto entre os ossos que se articulam no ombro. Isso ocorre principalmente ao utilizar a mão acima da altura da cabeça, como na armação para o saque ou no smash.

Este impacto pode levar à inflamação nos tendões que envolvem o ombro (manguito rotador) e ao desenvolvimento de dor; com o tempo, podem ocorrer degeneração e lesão destes tendões.

A principal característica no exame físico destes tenistas é a perda do movimento de giro do braço para dentro, que será diferente entre o membro dominante e o não dominante.

Esta limitação pode ser percebida antes mesmo que o atleta apresente dor, e neste caso o mesmo pode se beneficiar de um trabalho de alongamento da cápsula posterior, de forma a prevenir o desenvolvimento futuro de lesões. Nos pacientes que já apresentam dor, o alongamento da cápsula tende a levar a uma melhora significativa dos sintomas.

A imagem da esquerda demonstra o déficit de rotação interna do ombro frequentemente visto em tenistas. A imagem da direita mostra um tipo de exercício de alongamento bastante eficaz tanto na prevenção como na recuperação de lesões em tenistas que apresentam este déficit de rotação.

Outro problema na mecânica do ombro que pode ser observado em tenistas é a discinesia escapular, que literalmente significa “movimento errado da escápula”. A escápula é um osso que fica apoiado sobre as costelas e que auxilia no adequado posicionamento do ombro.

Existe um conjunto de músculos que atuam na estabilização da escápula sobre a caixa torácica, e quando estes músculos falham em prover esta estabilidade o ombro será sobrecarregado, podendo levar ao desenvolvimento de dores e lesões.

A discinesia pode ser observada olhando-se o atleta por trás com o tronco despido, ao solicitar que o mesmo levante repetitivamente ambos os braços; ao abaixar o braço, será possível observar o descolamento da escápula ou de parte dela em relação ao tórax.

A discinesia contribui para uma sobrecarga do ombro e eventual desenvolvimento de dores e lesões, e pode ser adequadamente tratada com um trabalho de reequilíbrio e fortalecimento muscular.

Video:

Cotovelo

A principal causa de dor no cotovelo de tenistas é a epicondilite lateral, problema conhecido no meio ortopédico como “cotovelo do tenista” devido à alta incidência entre os atletas da modalidade.

Caracteriza-se pela inflamação no epicôndilo lateral, proeminência óssea que fica na parte externa do cotovelo e de onde se originam os tendões que realizam a extensão do punho, os quais são bastante exigidos na prática do tênis.

Aproximadamente 40% dos tenistas apresentam queixas compatíveis com a epicondilite, sendo mais comum entre aqueles que estão entre os 30 e os 50 anos de idade.

Localização da dor em pacientes com epicondilite lateral do cotovelo.

Má técnica e gesto esportivo mal executado (principalmente no backhand)podem aumentar a sobrecarga sobre estes tendões e dar inicio à epicondilite.Tenistas que jogam o backhand somente com uma mão tem mais chances de apresentarem o problema do que aqueles que realizam o backhand com as duas mãos.

Raquetes pesadas, tensões altas na corda e empunhadura de tamanho incorreto também contribuem para a lesão, uma vez que ocorrem com maior frequência nos erros técnicos listados acima.

Afastamento temporário do tênis pode ser necessário, associado a um trabalho de fortalecimento e reequilíbrio muscular sob a orientação de um fisioterapeuta. Ao retornar ao tênis, é importante que se avaliem os eventuais erros técnicos ou de equipamentos descritos acima, e que se corrijam estes erros para evitar a persistência do problema.

A terapia por onda de choque é uma opção que tem se mostrado satisfatória em alguns pacientes que não respondem ao tratamento apenas com fisioterapia. Aproximadamente 2% dos pacientes persistirão com a dor e podem necessitar de tratamento cirúrgico.

Punho

Estudos antigos demonstravam que apenas 2 a 3% dos tenistas apresentavam dor no punho, mas os estudos mais recentes mostram incidência bem maior, de aproximadamente 10%. Este aumento está relacionado principalmente a mudanças nas raquetes e nos tipos de empunhadura.


A principal causa para as dores é a tendinite do tendão extensor ulnar do Carpo; este tendão localiza-se na face lateral do punho (próximo ao dedo mínimo), região que é bastante sobrecarregada principalmente nos tenistas que se utilizam da empunhadura do tipo Western ou Semi-western, já que estas empunhaduras fazem com que a força utilizada para a devolução seja transmitida predominantemente nesta área.

De fato, 90% dos tenistas com lesões no punho utilizam-se destes tipos de empunhadura.

Entre os atletas que utilizam empunhadura do tipo eastern, as lesões no polegar ou nos tendões na face radial (lado do polegar) são mais frequentes, mas o risco de lesões é menor nestes tenistas.

As dores no punho estão associadas também a erros técnicos que fazem com que a sobrecarga nestes tendões seja ainda maior. Jogadores menos experientes, portanto com técnica menos apurada, tendem a rebater a bola menos centralizada na raquete; isso causa maior vibração e maior sobrecarga no punho, facilitando o aparecimento de lesões.

Joelho

O joelho de tenistas está exposto ao risco tanto de lesões por uso excessivo como de lesões traumáticas. A patela e o tendão patelar são bastante solicitados em movimentos de aceleração, desaceleração e agachamentos, que são bastante frequentes no tênis.

Fraqueza e desequilíbrio muscular aumentam ainda mais a sobrecarga sobre estas estruturas, podendo levar a dor; caso o problema persista de forma prolongada, alterações na cartilagem da patela (condromalácia) ou no tendão patelar (tendinopatia patelar) podem se desenvolver.

As lesões traumáticas estão relacionadas às constantes mudanças de direção no tênis, com risco de torção do joelho. Estas torções podem provocar lesões dos meniscos, dos ligamentos colaterais e, as mais temidas delas, as lesões do Ligamento Cruzado Anterior.

Vale lembrar que a primeira estrutura a estabilizar o joelho não são os ligamentos, mas sim a musculatura; desta forma, manter uma musculatura forte e equilibrada, ainda que não evite totalmente as torções, reduzem bastante o risco. Diversos programas preventivos vêm sendo elaborados a fim de evitar que estas lesões ocorram.

Tornozelo

O principal problema relacionado ao tornozelo em tenistas são os entorses, devido às frequentes mudanças de direção. A maior parte dos entorses se resolvem bem com o tratamento não cirúrgico, mas o tempo de recuperação pode variar de poucos dias a até dois ou três meses.

Casos de maior gravidade em atletas de alto rendimento podem ter indicação cirúrgica, já que alguns pacientes evoluem com instabilidade residual e o tenista passa a apresentar entorses de repetição além de piora no desempenho esportivo.

Estes entorses acontecendo de forma repetitiva expõem o tornozelo a lesões secundárias, principalmente às lesões da cartilagem articular e eventualmente artrose. Para evitar estas torções, é importante que se desenvolva um bom trabalho de fortalecimento em paralelo à prática do tênis e que se utilize calçados apropriados.

A instabilidade crônica do tornozelo quanto prejudica o desempenho da prática esportiva tendem a ter indicação cirúrgica.

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