Lesões no Futebol Feminino

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Lesões no Futebol Feminino

O Brasil é reconhecido internacionalmente como o “país do futebol” graças ao sucesso de sua seleção nacional masculina, com 5 títulos mundiais, e ao grande número de jogadores que desde há muito tempo se destacam nos melhores clubes ao redor do mundo, tendo como sua referência máxima Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

A trajetória das mulheres no esporte é muito mais recente: o primeiro jogo oficial da seleção feminina do Brasil foi realizado apenas em 1986, quando foi derrotada pelos Estados Unidos por 2X1. 10 anos depois Marta Vieira da Silva receberia o primeiro de seus 6 prêmios de melhor jogadora do mundo no ano, e em 2007 a seleção conquistava seu melhor resultado até hoje nos jogos olímpicos, um segundo lugar.

Seleção Brasileira Feminina campeã da Copa América do Chile. Lucas Figueiredo/CBF

O campeonato Brasileiro de Futebol Feminino teve sua primeira edição apenas em 2013, e em 2017 passou a ser disputado em primeira e segunda divisão, ainda que com baixo nível de profissionalização.

Mais recentemente, porém, as jogadoras brasileiras também passaram a chamar a atenção dos principais clubes do planeta: enquanto no período preparatório para os jogos Olímpicos Rio 2016 poucas eram as jogadoras que atuavam fora do país, atualmente a maior parte do elenco está distribuída por clubes dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

O futebol feminino ainda hoje sofre com a falta de estrutura e de planejamento das equipes, não apenas no Brasil. As mudanças de clubes são muito mais frequentes e dificilmente as atletas têm um período adequado de pré-temporada onde se preparam fisicamente para suportarem o desgaste da temporada de jogos.

Quando lesionadas, o suporte médico e de fisioterapia é mais limitado e muitas vezes elas são forçadas a terem um retorno precoce, uma vez que os clubes não possuem peças suficientes nos elencos para uma substituição no mesmo nível. A falta de uma pré-temporada e de uma preparação física de manutenção durante a temporada aumenta muito o risco para certos tipos de lesões, e o tratamento incompleto faz com que a recorrência destas lesões seja maior.

Lesões em homens X mulheres

Além das diferenças nas características do jogo, os hormônios sexuais femininos e o ciclo menstrual atuam diretamente sobre a musculatura, tendões e ligamentos, podendo levar a um maior ou menor risco para cada tipo de lesão. Estudos mostram que o número total de lesões é aproximadamente 30% maior entre os homens, mas que as lesões graves são mais frequentes entre as mulheres, principalmente os entorses graves dos joelhos ou tornozelos.

A preocupação maior entre as mulheres são as lesões do Ligamento Cruzado Anterior, aproximadamente 6 vezes mais frequente do que entre os homens, sendo responsável por aproximadamente 40% dos dias perdidos de treino em equipes de futebol feminino. Fatores anatômicos, hormonais e neuromusculares estão relacionados a essa maior incidência.

Prevenção de lesão

Os programas de prevenção de lesões mais discutido no meio do futebol, principalmente o FIFA 11+, não são específicos para o futebol feminino mas já demonstraram ser um bom método de prevenção também entre as mulheres. A medida em que as lesões entre as mulheres são melhor estudadas, porém, tem sido observada a necessidade de programas específicos, uma vez que os fatores de risco são diferentes.

Mais do que isso, porém, a redução do número de lesões deve envolver necessariamente um maior esforço dos gestores de futebol na busca por medidas que comprometam os clubes com o suporte às atletas fora de temporada e ofereçam melhor suporte de equipes médicas e de fisioterapeutas.

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