Lesões do LCA em Crianças

Lesões do LCA em Crianças

Lesões do LCA em Crianças

Tradicionalmente, quando uma criança machucava o ligamento cruzado anterior (LCA) a cirurgia era protelada até que se atingisse a maturidade esquelética (cerca de 12-13 anos nas meninas ou 14-15 anos nos meninos), pelo risco de problemas com o crescimento da perna. A preocupação se justifica pelo fato de que na cirurgia são feitos túneis ósseos para a passagem do novo ligamento e estes túneis, nas crianças, cruzam a fise, estrutura responsável pelo crescimento dos ossos.

Técnicas extra-articulares não anatômicas e que não violam a fise foram desenvolvidas com o intuito de se evitar este risco, mas com resultados pouco satisfatórios a longo prazo.

Infelizmente, viu-se que adiar a cirurgia até a maturidade esquelética também não é uma boa alternativa: Ao se protelar a cirurgia por 5 a 12 meses, o risco de lesões nos meniscos será duas vezes maior e, após um ano, o risco será quatro vezes maior. Há também o risco de lesões na cartilagem articular, e tanto as lesões de menisco como as lesões de cartilagem têm prognóstico ruim para o futuro da criança.

Na prática, o que se observa é que o risco de problemas relacionado ao crescimento é bastante reduzido, enquanto que o risco de lesões associadas ao tratamento não cirúrgico é elevado. A tendência, assim, é de se indicar a cirurgia precocemente após a lesão.

Técnica cirúrgica

A reconstrução do LCA em crianças pode ser realizada com diferentes técnicas, sendo as principais delas a transfisária, muito parecida com o que é feito em adultos, e a extra-articular, não anatômica.

A escolha da técnica depende de qual o estágio de desenvolvimento esquelético da criança, e a principal referência para isso é a escala de Tunner. Esta escala varia de 1 a 4 e baseia-se em características sexuais como o tamanho das mamas, os órgãos genitais, o volume dos testículos e o desenvolvimento de pelos pubianos e axilares.

Escala de Tunner para avaliação da maturação sexual

Pacientes nos estágios 3 e 4 de Tunner apresentam risco bastante reduzido de apresentarem deformidades ósseas e, caso estas ocorram, tendem a ser pouco significativas e passiveis de correção; a esmagadora maioria das lesões ligamentares em atletas mirins envolvem crianças nestes estágios.

Pacientes nos estágios 1 e 2, ainda que também tenham baixo risco de deformidades, quando estas ocorrem as consequências podem ser bastante ruins, de forma que uma opção razoável é realizar a cirurgia extra-articular. Ainda que o risco de falha seja maior, caso isso aconteça a lesão poderá ser reabordada futuramente, quando os riscos de problemas relacionados ao crescimento ósseo serão menores.

Se você gosta de futebol ou outros esportes que envolvem mudanças de direção, saltos e movimentos de giro, como o basquete, o handebol, o tênis ou os esportes de inverno, certamente conhecerá alguém que já teve lesão do Ligamento Cruzado Anterior, que ´´a principal causa de indicação cirúrgica entre atletas.
Aqui você entenderá o que é a lesão, como elas acontecem, como é feito o diagnóstico, e o tratamento. Para entender melhor a lesão, sugerimos também que a leitura dos seguintes seguintes tópicos:

Lesões do LCA em Mulheres
Reabilitação – Ligamento Cruzado Anterior
Falha da Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior
Prevenção da Lesão do Ligamento Cruzado Anterior
Lesão Parcial do Ligamento Cruzado Anterior

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