Condromalácia

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Condromalácia

Veja no vídeo abaixo as explicações do Dr João Hollanda a respeito da Condromalácia:

Condromalácia

A condromalácia caracteriza-se pelo desgaste da cartilagem da patela. O problema é a principal causa das dores na parte da frente do joelho e uma das queixas mais comuns nos consultórios de ortopedia. A condromalácia também pode levar outras denominações, a saber:

  • Dor femoropatelar;
  • Hipertensão patelofemoral;
  • Condropatia patelar;
  • Síndrome patelofemoral.

Vamos entender a anatomia envolvida na condromalácia: a patela (ou rótula) é um osso localizado na parte da frente do joelho. Acima, ela está presa ao tendão do quadríceps e, abaixo, ao tendão patelar. A patela articula-se com o fêmur (osso da coxa) em um sulco denominado tróclea. As superfícies articulares da patela e da tróclea são revestidas por cartilagem, que protege e amortece as cargas que passam pelo joelho, permitindo um ótimo deslizamento entre os dois ossos. Quando há o desgaste dessas cartilagens, a pessoa sente dor.

Quais são as causas da condromalácia?

A cartilagem da patela é uma das mais espessas do organismo, justamente em função das altas cargas que passam pela articulação durante as atividades do dia a dia e, principalmente, com a prática esportiva de alto impacto. 

Para se ter uma ideia, ao subir e descer escadas, por exemplo, a força exercida equivale a três vezes o peso do corpo. Na corrida, ela chega a dez vezes o peso corporal. Assim, a integridade da cartilagem é fundamental para suportar essas cargas e também para o bom funcionamento do joelho.

Há ainda diversos problemas que podem estar associados a um aumento ainda maior da carga dissipada pela patela. Entre eles estão:

  • Perda da congruência entre a patela e a tróclea;
  • Fraqueza da musculatura ao redor do quadril ou joelho;
  • Vícios de movimento, quando o paciente não é capaz de manter um bom alinhamento dos membros inferiores com a movimentação.

Por que a patela dói?

A dor proveniente da patela está associada a um esforço além do que ela é capaz de suportar. Com certeza, a perda da integridade da cartilagem é um fator que contribui para isso, mas não deve ser visto de forma isolada. 

Eventualmente, pacientes com desgaste significativo da cartilagem, mas que apresentam boa congruência patelar, musculatura forte e equilibrada e bom alinhamento nos movimentos dos membros inferiores conseguem minimizar a sobrecarga a ponto de realizarem atividades vigorosas com um mínimo de dor. 

Por outro lado, pacientes com fraquezas e desequilíbrios musculares significativos exigem tanto da patela que, em alguns casos, apresentam dor com um esforço mínimo, apesar da cartilagem completamente normal.

O que o paciente sente?

O paciente apresenta dor na parte da frente do joelho. Eventualmente, o paciente pode sentir uma crepitação, ou rangido, na parte da frente do joelho, às vezes descrita como se estivesse com areia dentro do joelho. A dor costuma piorar nas seguintes situações:

  • Com a hiperflexão (agachamento);
  • Quando se sobe ou desce escadas: geralmente, a dor é pior para descer do que para subir);
  • Com o uso prolongado de calçados de salto alto;
  • Durante atividades esportivas de impacto, como corrida ou futebol;
  • Após longos períodos em posição sentada, que alivia ao se levantar e esticar o joelho por alguns minutos.

Exames de imagem

O quadro clínico da condromalácia é bastante característico e, inicialmente, muitos pacientes podem ser tratados sem exames de imagem, com base na história clínica e no exame físico do paciente. Mesmo que o ortopedista especialista em joelhos julgue adequado solicitar exames de imagem, não é necessário aguardar os resultados para iniciar o tratamento.

A ressonância magnética ajuda na avaliação da cartilagem articular. Deve ser solicitada para classificar a profundidade das lesões (se são mais superficiais ou mais profundas), o tamanho e a localização (local da patela que está acometido). Já as radiografias podem ajudar na avaliação dos casos mais avançados, quando o paciente já desenvolveu artrose.

É importante que se tenha um diagnóstico diferencial: a condromalácia deve ser diferenciada de outras causas de dor na parte da frente do joelho, como a tendinite patelar ou a Hoffite.

Como é o tratamento da condromalácia?

A condromalácia tem como causa principal a sobrecarga decorrente de fraquezas e desequilíbrios musculares e uma mecânica ruim nos movimentos dos membros inferiores. Por essa razão, nenhum tratamento será bem sucedido se não puder corrigir esses problemas. Assim, a fisioterapia é o ponto central do tratamento da condromalácia e pode ser dividida em três etapas:

Etapa 1 – Tratamento da dor: nesta fase, o mais importante é o alívio da dor e o controle do processo inflamatório. Para isso, a fisioterapia dispõe de recursos de eletrotermofototerapia, como laser, TENS, ultrassom e gelo. O uso da joelheira pode contribuir para a melhor distribuição das cargas e, com isso, reduzir a dor. 

Eventualmente, medicamentos anti-inflamatórios e condroprotetores podem ser prescritos. Nenhum trabalho de fortalecimento muscular será bem sucedido se o paciente não estiver com a dor relativamente bem controlada, de forma que esta etapa não deve ser negligenciada.

Etapa 2 – Fortalecimento: a segunda etapa envolve um trabalho específico de ativação e fortalecimento dos músculos do quadril e joelho. Os exercícios devem ser realizados dentro de certos ângulos de proteção, de forma a permitir o fortalecimento da musculatura sem que a patela seja sobrecarregada. 

Como regra geral, exercícios de extensão do joelho em cadeira extensora devem ser realizados evitando-se amplitudes próximas da extensão máxima. Já nos exercícios de agachamento ou Leg Press, deve-se evitar dobrar excessivamente os joelhos. Apesar da queixa do paciente estar relacionada ao joelho, grande parte do trabalho de fortalecimento está relacionado ao quadril, já que ele controla todo o alinhamento dos membros inferiores.

Etapa 3 – Correção de movimentos: nesta última etapa, o objetivo é a correção de padrões anormais de movimento, para melhorar a congruência entre a patela e a tróclea, e permitir uma melhor distribuição de carga. Desalinhamentos dos membros inferiores, muito comuns em pacientes com condromalácia, devem ser corrigidos, em movimentos como agachamentos ou aterrisagem de saltos.

Muitas vezes, pacientes com condromalácia são orientados a não realizarem movimentos de agachamento, já que isso desencadearia a dor. Porém, os agachamentos fazem parte da rotina de qualquer pessoa, como ao sentar em uma cadeira ou para entrar e sair do carro. Em função da dor, pode ser necessário evitá-los nas fases iniciais do tratamento. Mas, nesta etapa da fisioterapia, eles devem ser gradativamente introduzidos, sempre com a devida correção da mecânica do movimento.

Tratamento medicamentoso

Quando realizado de forma isolada e sem a correção do desequilíbrio mecânico, o tratamento medicamentoso tende ao insucesso. Medicações analgésicas e anti-inflamatórias podem ser utilizadas junto com a fisioterapia, nos períodos de exacerbação da dor. 

Já medicamentos ditos condroprotetores (glicosamina, condroitina, diacereína e colágenos), que prometem conter a progressão do desgaste da cartilagem, têm se mostrado ineficazes. Eventualmente, porém, podem ser utilizados para o controle da dor.

Cirurgia

No tratamento da condromalácia, as cirurgias têm indicação extremamente limitada e seu resultado é bastante imprevisível. Muitas vezes, a melhora relatada por pacientes está associada mais ao programa de reabilitação realizado após a operação do que ao procedimento cirúrgico em si. Em alguns casos, as indicações cirúrgicas podem envolver a retirada de algum fragmento solto da cartilagem (“corpo livre”).

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